Florianópolis mira Lixo Zero até 2030; veja como
A proposta não significa que Florianópolis vai deixar de produzir lixo, mas dar o destino certo aos animais
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Você já parou para pensar no destino de tudo aquilo que joga fora ao longo de um único dia? O lixo que você joga fora desaparece da sua frente, mas não do planeta. Todos os dias, embalagens, restos de comida, garrafas, papéis e outros materiais saem das nossas casas e precisam encontrar um destino. Em Florianópolis, por meio do programa Lixo Zero a cidade quer reduzir o volume de resíduos enviados aos aterros e avançar rumo à meta de Lixo Zero até 2030.
O programa Lixo Zero foi criado em 2018 e, desde então, a Prefeitura aposta em reciclagem, compostagem, coleta seletiva e reaproveitamento de materiais. Mas o que significa, na prática, uma cidade ser Lixo Zero? E o que muda para quem mora em Florianópolis?
O que é o programa Lixo Zero?
A proposta não significa que Florianópolis vai deixar de produzir lixo. O executivo municipal explica que o objetivo é evitar que materiais que podem ser reaproveitados, reciclados ou compostados acabem nos aterros sanitários.
A prefeitura salienta que a política segue uma ordem de prioridades: primeiro, evitar a geração de resíduos, depois, reduzir, reaproveitar, reciclar e tratar os materiais. Somente os rejeitos devem seguir para a destinação final adequada.
A estratégia, de acordo com o executivo, também busca fortalecer a chamada economia circular, fazendo com que materiais descartados possam voltar à cadeia produtiva.
Florianópolis já recicla centenas de toneladas por mês
Segundo a prefeitura, a capital possui uma estrutura de coleta seletiva e triagem que envolve cerca de 200 famílias em sete unidades parceiras do município.
Um dos destaques é a reciclagem de vidro. Conforme a Secretaria de Meio Ambiente, Florianópolis conta com 320 pontos de entrega voluntária exclusivos para vidro, espalhados pelos bairros. A cidade também tem coleta porta a porta desse material em determinadas regiões.
Segundo dados do município, são reaproveitadas aproximadamente 165 toneladas de vidro e 641 toneladas de recicláveis secos por mês.
Moradores também podem fazer compostagem em casa
Outra frente do programa está dentro das próprias casas. O projeto “Minhoca na Cabeça” incentiva moradores a transformar restos de alimentos em composto orgânico por meio de minhocários.
A Prefeitura informa que tem cerca de 2 mil kits em funcionamento, com estimativa de compostagem de 32 toneladas de resíduos por mês. De acordo com o município, esse volume equivale a aproximadamente 12 caminhões de lixo que deixam de seguir para o aterro sanitário.
A cidade também mantém pátios de compostagem descentralizados e uma estrutura no Centro de Valorização de Resíduos, no Itacorubi. O material produzido pode ser utilizado em hortas e outras iniciativas de agricultura urbana.
Escolas de Florianópolis também entraram no projeto Lixo Zero
A estratégia Lixo Zero não está restrita à coleta de lixo. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, desde 2023, escolas da rede municipal passaram a implementar planos de gerenciamento de resíduos e sistemas de compostagem. Segundo o material, 32 escolas, um CRAS e cinco ecopontos receberam estruturas de compostagem.
Professores e profissionais que trabalham com limpeza e alimentação escolar também foram capacitados para melhorar a separação dos resíduos.
Cidade aumentou número de ecopontos
Os ecopontos são outra ferramenta utilizada para evitar o descarte irregular. A Prefeitura de Florianópolis passou de cinco para nove ecopontos em 2023. Esses espaços recebem materiais que não podem ser recolhidos pela coleta domiciliar convencional, seja pelo tamanho ou pelas características do resíduo.
A estrutura permite que o morador tenha uma alternativa para fazer o descarte correto e ajuda a evitar que materiais sejam abandonados em ruas, terrenos e áreas públicas.
Por que reduzir o lixo enviado aos aterros?
Um dos principais desafios é que os rejeitos de Florianópolis precisam ser levados para aterros sanitários localizados fora da capital.
Segundo dados do governo, o aterro de Biguaçu, por exemplo, recebe resíduos de 23 municípios da região metropolitana, o que aumenta a preocupação com a disponibilidade de novas áreas e com a vida útil do espaço.
Florianópolis já começou
A busca pelo Lixo Zero não começou agora. A cidade desenvolve iniciativas de gestão de resíduos há décadas e foi uma das primeiras capitais brasileiras a apostar na coleta seletiva e na valorização dos materiais recicláveis.

O desafio para os próximos anos, segundo a prefeitura é aumentar essas ações e fazer com que cada vez menos resíduos que poderiam ser aproveitados tenham como destino final os aterros sanitários.
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