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'SUPER SAFRA'

Com safra em alta, entenda a logística da pesca da tainha e quem está comprando

Prefeitura afirma que tudo tem acontecido dentro da normalidade

• Atualizado

Redação

Por Redação

Com safra em alta, pescadores e estado explicam logística da pesca da tainha | Foto: Reprodução/Grupo Pesca da Tainha Oficial
Com safra em alta, pescadores e estado explicam logística da pesca da tainha | Foto: Reprodução/Grupo Pesca da Tainha Oficial

Na madrugada desta quarta-feira (3), houve registros de pesca da tainha na Praia dos Ingleses, em Florianópolis. Imagens mostram a quantidade impressionante de 28 a 30 mil peixes.

A safra da tainha é considerada um patrimônio cultural em Santa Catarina desde 2019. Em diversas cidades litorâneas, a pesca movimenta a comunidade, o turismo e aquece setores como comércio, gastronomia e transporte. Com a safra em alta em 2026, pescadores e a prefeitura explicaram ao SCC10, a logística da pesca da tainha e afirmaram que tudo tem acontecido dentro da normalidade.

O comunicador da pesca Carlos Eduardo Bernardo explicou como a pesca tem sido benéfica para os trabalhadores e o caminho da tainha, da praia aos mercados.

O comunicador da pesca disse que a tainha é um peixe forte e dependendo da temperatura, o peixe aguenta até 24 horas na areia. Ele afirma que “não é o ideal, mas aguenta”.

Mas como funciona o caminho da praia aos mercados? Carlos Eduardo Bernardo diz que a maioria dos ranchos de pesca já tem o seu vendedor pré-programado. “Já tem uma conversa prévia com os pescadores da indústria. Esse peixe que vem para praia já é praticamente vendido para a indústria”, explicou.

Porém existem alguns desafios: “O que complica um pouco é que: depois que esse peixe é vendido, nós temos a logística de escoamento desse peixe. Nós temos a questão de caixa, a questão do gelo e nós temos o transporte com caminhões. Temos a faixa de areia. O caminhão não consegue chegar até a faixa de areia, porque vai atolar. Então temos que usar um transporte menor para pegar esse peixe daqui, bater as caixas, lavar os peixes e levar até o caminhão maior, caminhão frigorífico. Esse peixe já no caminhão, vai para a indústria”, disse.

O comunicador da pesca Carlos Eduardo Bernardo cobre a safra da tainha há quase 14 anos. Ele tem feito estudos sobre os lances de anos anteriores e segundo ele, a última data vigente que foi necessário enterrar peixes na praia em Florianópolis, foi em 1923, quando a Lagoinha do Norte capturou cerca de 300 mil tainhas contadas.

O lado benéfico é que além de movimentar o turismo, a pesca da tainha ajuda na economia. Em 2025, a indústria exportou 132 toneladas de ovas para o mercado asiático, afirmou o comunicador da pesca.

O Subsecretário de Pesca, Maricultura e Desenvolvimento Agroalimentar de Florianópolis, Gabriel Euclides Lemos afirma que “estamos diante de uma super safra. Um dos maiores no mês de maio da história da pesca da tainha, poucas vezes deram tanto peixe no mês de maio”.

“Por ter dado grande quantidade em um curto período, consequentemente a logística de retirada de compra, de venda do peixe, ela é prejudicada por conta disso, isso é fato. É onde demora, falta caixa, caminhão, mas isso é um problema da logística, de quem compra, na verdade, o pescador está longe disso, mas precisa vender”, continua.

“A gente como prefeitura dá o suporte para os pescadores em ranchos, eletricidade, em banheiros. Estamos também com a operação que se for necessário de transportar para ajudar, isso aí a gente já conversou com o prefeito Topazio e com a prefeita Mariane que está em exercício, a gente consegue viabilizar uma situação disso aí, mas até o momento não foi preciso”, concluiu.

Além disso, o Subsecretário de Pesca afirma que “todo peixe está sendo vendido, vai ser vendido, porque a safra da tainha é algo precioso, que todo mundo quer, todo mundo faz e a gente está aí diante disso“.

O que é a safra da tainha e por que ela acontece?

Ministério da Pesca e Aquicultura explica que a safra da tainha é um período tradicional de pesca que ocorre todos os anos entre os meses de maio e julho no Sul do Brasil. Esse fenômeno acontece devido à migração da espécie tainha, que sai de regiões mais frias da Patagônia em direção ao litoral brasileiro para se reproduzir.

Durante esse deslocamento, os cardumes passam pela costa catarinense, o que favorece a pesca artesanal, muitas vezes feita com técnicas tradicionais, como o cerco de praia, que dependem da observação do mar e da experiência dos pescadores.

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