25 de julho reforça luta das mulheres negras por direitos
Especialistas afirmam que igualdade de gênero depende do combate ao racismo estrutural e da ampliação de políticas públicas
• Atualizado
Celebrado em 25 de julho, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha reforça a luta por direitos, reconhecimento e igualdade. No Brasil, a data também homenageia Tereza de Benguela, líder quilombola do século XVIII que se tornou símbolo da resistência contra a escravidão.
Mais do que uma celebração, a data convida à reflexão sobre as desigualdades que ainda atingem milhões de brasileiras. Mulheres negras seguem entre as principais vítimas da violência, enfrentam maiores dificuldades de acesso à educação, ao mercado de trabalho e permanecem sub-representadas em cargos de liderança e espaços de decisão.
Racismo estrutural amplia desigualdades, afirmam especialistas
Para a jornalista, pesquisadora e mestre em Cultura e Sociedade pela Universidade Federal da Bahia (UFBA), Midiã Noelle, discutir a realidade das mulheres negras não significa dividir a pauta feminista, mas reconhecer que raça e gênero estão diretamente ligados na produção das desigualdades.
Segundo ela, não será possível alcançar a igualdade de gênero enquanto o racismo estrutural continuar influenciando o acesso a direitos, renda e oportunidades.
“A vida das mulheres negras funciona como um termômetro da democracia. Quando ela melhora, significa que a democracia está avançando para toda a sociedade“, afirma.
Fundadora do Instituto Commbne e autora do livro Comunicação Antirracista, Midiã destaca que indicadores como feminicídio, baixos rendimentos, violência obstétrica e baixa representatividade não são casos isolados, mas reflexo de estruturas históricas que ainda distribuem direitos de forma desigual.
Comunicação também influencia oportunidades
Outro ponto destacado pela pesquisadora é o papel da comunicação na construção da percepção social.
Segundo Midiã, durante décadas, mulheres negras foram retratadas na mídia principalmente em contextos de pobreza, violência ou trabalho doméstico, reforçando estereótipos que afetam o acesso a oportunidades.
Para ela, ampliar a diversidade nas narrativas também contribui para fortalecer políticas públicas e ampliar a representatividade em diferentes setores da sociedade.
Políticas públicas precisam considerar raça e gênero
A gerente de Políticas Públicas do J-PAL, Ariana Brito, avalia que o Brasil avançou com iniciativas como o Estatuto da Igualdade Racial, a Política Nacional de Saúde Integral da População Negra e as políticas de ações afirmativas no ensino superior.
Apesar disso, ela afirma que políticas universais, sozinhas, não conseguem enfrentar desigualdades produzidas simultaneamente por fatores raciais e de gênero.
Na avaliação da especialista, mulheres negras continuam mais expostas à pobreza, à informalidade, à sobrecarga do trabalho de cuidados, à violência e às barreiras para acessar educação e melhores oportunidades profissionais.
Além disso, essas desigualdades se refletem em diferentes áreas, como saúde, renda e mercado de trabalho, formando um ciclo que dificulta a mobilidade social.
Especialistas defendem investimento contínuo
Para as pesquisadoras, o Brasil já conhece boa parte das soluções para enfrentar esse cenário. O desafio agora é transformar políticas públicas em ações permanentes, acompanhadas por investimento, metas e monitoramento.
Ariana Brito afirma que o objetivo deve ser fazer com que a cor da pele deixe de determinar as oportunidades de vida das mulheres brasileiras.
Já Midiã Noelle acredita que um dos principais sinais de transformação será o aumento da presença de mulheres negras em cargos de liderança, produção científica e espaços de tomada de decisão.
Mais de três décadas após sua criação, o Dia Internacional da Mulher Negra Latino-Americana e Caribenha continua cumprindo seu papel de ampliar o debate sobre igualdade racial e de gênero, lembrando que o combate às desigualdades permanece como um dos principais desafios da sociedade brasileira.
*Texto com informações do SBT News
Leia Mais
Quer receber notícias no seu whatsapp?
EU QUERO