Bolsonaro não quer saber do PL aliado ao PSD, com consequências em SC
Ex-presidente Bolsonaro culpa o líder do PSD, Gilberto Kassab, de influenciar no indiciamento da CPMI de 8 de janeiro
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Como vão ficar os prefeitos Clésio Salvaro, de Criciúma; Topázio Neto, de Florianópolis; João Rodrigues, de Chapecó; José Thomé, de Rio do Sul; Jairo Cascaes, de Tubarão, todos pessedistas, se vingar o veto do ex-presidente Jair Bolsonaro, presidente de honra do PL, a alianças com PSD país afora, repercussão que vale para prefeitos em fim de segundo mandato ou candidatos à reeleição. A informação é do Estadão, e foi obtida a partir de um áudio vazado, em que aliados do ex-presidente asseguram que ele não quer saber de apoio do PL a candidatos do PSD, por um motivo: o de que o presidente nacional do PSD, o ex-prefeito Gilberto Kassab, influenciou nos votos favoráveis ao indiciamento de Bolsonaro na CPMI de 8 de janeiro.
O fato é o início de muitos processos de investigação, um deles o da Operação Tempus Veritatis, da Polícia Federal, que cercou aliados de Bolsonaro, como os generais Augusto Heleno e Braga Netto, ambos conselheiros do ex-presidente, além do presidente nacional do PL, o ex-deputado Valdemar da Cosa Neto, que chegou a ser preso. Por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, Bolsonaro sequer pode se comunicar com os ex-ministros e com o presidente do PL, o que inclui dois outros oficiais do Exército, igualmente detidos em função da elaboração do que seria um suposto golpe de Estado nos atos de vandalismo e invasão à sede dos Poderes, em Brasília, em 8 de janeiro de 2023.
Pelo menos Topázio Neto conta com o apoio do PL para a campanha à reeleição, enquanto Orvino de Ávila, de São José, e Jairo Cascaes, de Tubarão, sabem que terão adversários do partido de Bolsonaro. Em Rio do Sul, Gerri Consoli (PSD), assim como João Rodrigues, de Chapecó, não sabem se terão que enfrentar candidatos bolsonaristas, pois eles mesmos se definem como aliados do ex-presidente da República.
Polêmica surgiu no início de fevereiro deste ano
No dia 1º de fevereiro de 2024, Bolsonaro declarou que Kassab representa o caráter “do velho político brasileiro”. A tese já era a de que o ex-prefeito de São Paulo e atual presidente nacional do PSD articulou para manter os três ministérios do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT): Alexandre Oliveira (Minas e Energia), André de Paula (Pesca e Aquicultura) e Carlos Fávaro (Agricultura e Pecuária). O preço, trabalhar pelo indiciamento de Bolsonaro na CPMI, meses antes.
Kassab é secretário de Relações Institucionais de Tarcísio de Freitas (Republicanos), governador de São Paulo e aliado de Bolsonaro, posição que incomoda o ex-presidente da República, ainda mais agora. Foi o secretário de Tarcísio que o aproximou de Lula. PL longe de PSD, um problema nacional, pode ter consequências nas articulações de Eron Giordani, presidente estadual do PSD, e do governador Jorginho Mello, presidente estadual do PL. O deputado federal Ricardo Guidi é secretário de Meio Ambiente e Energia Verde, mas os pessedistas insistem em dizer que a decisão de aderir ao governo Jorginho foi do parlamentar, não do partido.
De qualquer maneira, o fato só será definitivo quando homologado em convenção, o que deve ocorrer entre julho e agosto deste ano. Até lá, se alguma decisão for derrubada pelo Supremo, Bolsonaro poderá conversar ou se encontrar com Valdemar, o que está proibido até segunda ordem. E ainda falta avaliar como se comportará Jorginho Mello, que conta com alianças estratégicas que envolvem o PSD para 2026.
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