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Setembro Amarelo: quebrando tabus e fortalecendo o vínculo da ajuda

A campanha tem o objetivo de abordar e combater um dos problemas de saúde mental mais desafiadores da nossa sociedade: o suicídio

• Atualizado

Olga Helena de Paula

Por Olga Helena de Paula

Foto: freepik.
Foto: freepik.

O Setembro Amarelo é uma campanha de conscientização mundial que tem o objetivo de abordar e combater um dos problemas de saúde mental mais desafiadores da nossa sociedade: o suicídio. Durante todo o mês o foco é disseminar informações, reduzir o estigma associado ao bem-estar da mente e promover o diálogo aberto sobre o tema, encorajando as pessoas a procurarem ajuda quando necessário.

Por isso, o Portal SCC10 preparou uma reportagem especial, informativa, sobre as crenças relacionadas ao tema, tratamentos, cura e, principalmente, sobre o quando e onde procurar ajuda. Confira.

“É sempre uma surpresa”

Anderson Maia é psicanalista e, segundo ele, as pessoas que sempre tentam demonstrar que estão bem, prósperas e que tudo está sob controle, têm mais chances de possuir pensamentos suicidas se comparadas aos indivíduos diagnosticados com depressão, por exemplo.

“Geralmente elas representam um personagem, uma persona. Então é sempre uma surpresa quando um suicídio ocorre”, comentou Maia. E para ele as redes sociais contribuem para que a população crie essa ideia de perfeição. “Elas não mostram a realidade porque é vergonhosa”, comenta o especialista.

Foto: CVV/Reprodução

Anderson ressalta que procurar ajuda ainda é um tabu, mas que a busca é grande.

“Atendo crianças, adolescentes, adultos e idosos. Esse mal não tem idade, gênero ou classe financeira. Do faxineiro ao CEO”.

De acordo com ele as causas dos distúrbios mentais estão relacionadas a duas coisas, o condicionamento social combinado com valor pessoal. As pessoas buscam beleza, prosperidade financeira, sucesso no amor e todas essas metas são gatilhos. “Tem a ver com o material interno. Esse condicionamento social fragiliza as pessoas. A saída para muitos é ‘parecer’, mas viver de aparência pode gerar crises financeiras e nos relacionamentos”, explica o psicanalista.

Foto: CVV/Reprodução

“Elas têm uma crença de que o psicotrópico é a salvação”

Os sintomas mais comuns de que algo não está bem são: ansiedade, tensão, estresse de forma regular e continuo, angústia, desamparo, sentimento de inferioridade e inadequação. Segundo Maia, é possível que o próprio indivíduo perceba os sinais e busque ajuda.

Mas atenção, o psicanalista ressalta que não se deve procurar ajuda sobre patologias com amigos, pois eles tendem a banalizar, normalizar e amenizar a situação, mesmo com a melhor das intenções. “Se eu tenho um problema de coração, procuro um cardiologista, se é uma doença cerebral, um neurologista. Então, se estou com um distúrbio mental, preciso procurar um profissional adequado para me ajudar, um psicanalista, terapeuta ou psicólogo”.

“As pessoas que buscam consulta comigo frequentemente, já estão utilizando medicação quando chegam. Muitas vezes, elas acreditam que os psicotrópicos são a solução definitiva, mas isso é um equívoco. Esses medicamentos podem ser aliados valiosos, mas a terapia também desempenha um papel fundamental. O indivíduo precisa trabalhar em conjunto com o tratamento terapêutico para reintegrar as várias partes de si mesmo”, comenta.

“É possível se curar de forma definitiva”

Para Anderson, existe uma forma de sair dessa condição e se curar de forma definitiva. Alguns casos precisam de medicação, mas ela deve ser aliada ao trabalho psicológico, alimentação e condicionamento fisiológico dessas emoções. “O corpo passou anos exercitando tensão e emoções negativas, então, não basta ter uma libertação psicológica e o corpo ser esquecido. Esse padrões precisam ser quebrados”.

Foto: CVV/Reprodução

“Na realidade, o estudo sobre o suicídio e as doenças mentais ainda está em constante evolução. Há um equívoco comum de que simplesmente falar sobre esses temas pode resultar em uma cura imediata, mas, na verdade, a recuperação geralmente requer uma combinação de diferentes abordagens terapêuticas. Embora a neurociência seja uma disciplina relativamente nova, já acumulou uma quantidade significativa de conhecimento que pode contribuir para avanços na busca por tratamentos mais eficazes e, eventualmente, uma cura definitiva.”

O papel do poder público na saúde mental da população

Antonio Gomes da Rosa, psicólogo e psicoterapeuta na Secretaria de Saúde de Blumenau, no Vale do Itajaí, relata que não existe uma capacitação específica aos servidores das prefeituras para abordar o suicídio. No entanto, eles precisam ter a formação acadêmica habilitada para lidar com o tema.

O profissional também ressalta que o município tem o dever de preservar a vida das pessoas. Sendo assim, doenças são prevenidas ou tratadas, sejam elas físicas, transtornos mentais ou danificações emocionais.

Foto: freepik

“No âmbito da rede pública de saúde, está previsto o acompanhamento por psicólogos quando necessário. As unidades de saúde são orientadas a contar com uma equipe de psicólogos dimensionada de acordo com a população do município. Além disso, existem os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), que oferecem tratamento para uma variedade de condições, incluindo depressão, esquizofrenia, abuso de substâncias e outros transtornos. Portanto, o município assume uma responsabilidade fundamental na promoção da saúde mental de seus cidadãos, ao disponibilizar esses recursos e serviços essenciais.”

O psicólogo relata ainda que a prefeitura trabalha em conjunto com iniciativas privadas e ONGs voluntárias, incluindo o Centro de Valorização da Vida (CVV), cujo tema central é a prevenção do suicídio.

“Quando alguém tenta suicídio e sobrevive, é frequentemente encaminhado ao pronto-socorro. O hospital procede com a notificação e encaminha imediatamente o indivíduo para atendimento especializado em saúde mental, envolvendo profissionais de psiquiatria e psicologia. Nessa instituição, o paciente recebe acolhimento e todo o apoio necessário de forma contínua. Os profissionais de saúde não apenas prestam atendimento inicial, mas também estabelecem um acompanhamento regular, incluindo visitas domiciliares para oferecer suporte às famílias envolvidas.”

Com a Palavra, o CVV

Zita Darugna, voluntária do CVV, conta que o Centro teve sua origem no Brasil, graças à iniciativa de 17 jovens determinados em fazer a diferença na vida de pessoas que enfrentavam intensas angústias e consideravam desistir da jornada. O compromisso da entidade é oferecer apoio emocional, proporcionando uma plataforma onde todos possam expressar suas tristezas, ansiedades e as questões que estão impactando suas vidas.

“Muitas vezes, essas pessoas não têm alguém com quem compartilhar esses sentimentos, ou quando têm, não se sentem totalmente compreendidas ou à vontade para discutir o que estão passando”, comenta Zita.

O CVV disponibiliza múltiplos canais de atendimento. É possível ligar para o número 188, que está disponível 24 horas por dia. Ou entrar em contato através do site, onde o atendimento é via chat e e-mail. Além dos serviços diretos, o CVV se dedica à comunidade por meio de palestras, rodas de conversa, e pelo programa ‘Cine Ser CVV’, no qual as pessoas assistem a um filme e posteriormente discutem sobre ele.

A entidade também promove encontros como o ‘Caminho de Renovação Contínua’, no qual pequenos grupos se reúnem semanalmente, quinzenalmente ou mensalmente, explorando temas que visam promover o autoconhecimento.

“O CVV também se envolve com escolas e empresas, oferecendo palestras que abordam questões importantes, como o aprimoramento da capacidade de acolher os outros. Exploramos maneiras de identificar sinais de que um amigo ou colega pode estar precisando de apoio. Esse esforço visa cultivar empatia e, mais importante, fazer a diferença”, ressalta a voluntária.

Fale com o CVV, ligue 188

Todos tem o direito de pedir ajuda e o CVV está disponível para isso

Atualmente, o CVV está presente em mais de 100 cidades brasileiras, contando com uma equipe de mais de 3,5 mil voluntários dedicados. No ano passado, o centro prestou apoio a mais de 3,4 milhões de pessoas, seja por meio do número 188 ou pelo site.

Foto: Divulgação

É importante destacar que o CVV é uma entidade financeira e administrativamente independente, mantendo-se graças às doações de pessoas físicas e empresas. Além disso, os próprios voluntários contribuem com valores mensais e organizam eventos para angariar recursos que garantam o funcionamento, não apenas do posto local, mas também de outras 99 instituições em todo o país. Portanto, não há vínculos religiosos ou políticos.

“Por sermos voluntários e não profissionais, nosso papel se concentra em fornecer o primeiro suporte emocional, orientando os indivíduos e sugerindo profissionais qualificados para o tratamento adequado. Porém, ressaltamos que o CVV permanece sempre disponível para a pessoa.”

Como acontece a conversa

“Nosso sistema de contato é único: as chamadas para o número 188 são direcionadas para uma plataforma digital e, em seguida, distribuídas para voluntários em todo o Brasil que estejam disponíveis para prestar auxílio.”

A História do Setembro Amarelo

O Setembro Amarelo foi criado no Brasil em 2015, por meio de uma parceria entre o Centro de Valorização da Vida (CVV), o Conselho Federal de Medicina (CFM) e a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). A escolha do mês de setembro como período de conscientização não foi arbitrária, foi uma homenagem ao jovem Mike Emme, que tirou sua própria vida em 2000, deixando amigos e familiares devastados. Os amigos de Mike decidiram usar uma fita amarela como símbolo para conscientização e prevenção do suicídio. A cor amarela representa a esperança e a luz que se pode oferecer às pessoas em momentos de escuridão.

Foto: CVV/Reprodução

O motivo por trás do Setembro Amarelo

O suicídio é um problema global de saúde pública que afeta pessoas de todas as idades, gêneros e origens étnicas. A campanha Setembro Amarelo busca:

  • Conscientizar: muitas pessoas não compreendem completamente a complexidade dos problemas de saúde mental e as implicações do suicídio. A campanha esclarece a importância de reconhecer os sinais de alerta, entender as causas subjacentes e buscar ajuda quando necessário.
  • Reduzir o estigma: O estigma social frequentemente impede que indivíduos busquem ajuda para problemas de saúde mental. Setembro Amarelo incentiva uma conversa aberta e compassiva para que as pessoas se sintam à vontade para compartilhar suas lutas e procurar apoio sem julgamento.
  • Oferecer recursos: Durante o mês de setembro, e ao longo do ano, organizações de saúde mental e voluntários promovem eventos, palestras e fornecem informações sobre onde encontrar ajuda profissional.
  • Salvar vidas: O objetivo final é salvar vidas. Ao promover a conscientização, a prevenção e o apoio, o Setembro Amarelo busca reduzir as taxas de suicídio e ajudar aqueles que enfrentam desafios de saúde mental a recuperar a esperança.

Contatos importantes:

Quem é Anderson Maia e como entrar em contato: Anderson Maia atua como psicanalista clínico há 15 anos. Ele é especialista em autoconfiança e ansiedade crônica. É também embaixador nacional do livro: ‘Uma Transformação do Ser’, de Leon Vanderpol. Entre em contato com ele pelo Instagram @psicanalista.anderson.maia ou pelo WhatsApp: (47) 99191-1401. Busque ajuda para você ou para um familiar ou amigo.

Centros de Atenção Psicossocial (CAPS): De acordo com o Governo Federal, estas unidades desempenham um papel fundamental na prestação de serviços de saúde de natureza comunitária e acessível. Elas são compostas por equipes multiprofissionais que trabalham de forma interdisciplinar e têm como foco principal o atendimento às pessoas que enfrentam desafios de saúde mental, incluindo aquelas que necessitam de apoio devido ao uso de álcool ou outras substâncias. As unidades operam em suas áreas geográficas, tanto em momentos de crise quanto durante os processos de reabilitação psicossocial.

Portanto, cada município possui um contato específico para o órgão, entre em contato com a prefeitura da sua cidade ou procure no site oficial do município pelo telefone. Em caso de dúvidas fale com o ‘Disque Saúde’ pelo 136 – Ouvidoria Geral do SUS.

Entre em contato com o CVV: O Centro de Valorização da Vida realiza apoio emocional e prevenção do suicídio, atendendo voluntária e gratuitamente todas as pessoas que querem e precisam conversar, sob total sigilo por telefone, e-mail e chat 24 horas todos os dias.

Fale com o CVV, ligue 188

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