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Câncer raro ocular

Retinoblastoma: entenda o câncer que afeta filha doe Tiago Leifert

Tumor ocular é mais comum em crianças

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Foto: Reprodução | Redes Sociais
Foto: Reprodução | Redes Sociais

No último sábado (29), Tiago Leifert e Daiana Garbin utilizaram as redes sociais para informar aos seus seguidores que a filha, Lua, foi diagnosticada com um tipo raro de câncer ocular, chamado de retinoblastoma. Segundo o Ministério da Saúde, é o tumor ocular mais comum em crianças, representando cerca de 3% dos cânceres infantis, chegando a uma média de 400 casos por ano.

Existem três tipos de retinoblastoma, a maioria dos casos, entre 60% e 75%, é unilateral, quando afeta um olho. Destes, 85% são esporádicos, e os demais são casos hereditários. Já o bilateral é quando os dois olhos são afetados, sendo quase sempre hereditário. Já o retinoblastoma trilateral, é quando uma criança com tumor hereditário nos dois olhos também apresenta tumor associado nas células nervosas primitivas do cérebro.

Os pais e responsáveis precisam ficar atentos aos principais sinais, como o “olho de gato”, em que a pupila (menina do olho) pode apresentar uma área branca e opaca no contato com o reflexo da luz, sendo facilmente visível em fotos tiradas com flash. A alteração na posição dos olhos é um outro alerta, como o desvio ocular (estrabismo) ou tremor nos olhos. Em todos esses casos a criança deve ser levada ao oftalmologista para um exame completo.

“Ao tirar uma foto com flash, o reflexo vermelho na pupila é normal. Se o reflexo for branco ou escuro pode ter algum problema e seu filho deve ser examinado por um oftalmologista. Uma alternativa é o aplicativo CRADLE, que foi desenvolvido por pesquisadores da Universidade Baylor, no Texas, Estados Unidos. Disponível gratuitamente, é capaz de detectar sinais precoces de alterações oculares, inclusive o retinoblastoma. No entanto, o uso do aplicativo não descarta a necessidade de consultar um médico”, informa a oftalmologista e pesquisadora do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz), Andrea Zin.

Esclarecimento aos brasileiros

No dia 30 de janeiro, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) e a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) emitiram um comunicado sobre o tema que reforça. “Em casos de doenças oculares confirmadas, confiem apenas nos cuidados oferecidos por médicos, em especial por oftalmologistas. Supostos tratamentos, como “self-healing” (autocura) ou prática de exercícios oculares não têm comprovação científica. Portanto, eles não servem para curar o retinoblastoma ou qualquer outra doença que afeta o aparelho da visão (glaucoma, catarata, doenças retinianas, etc.)”.

Diagnóstico

Vários exames confirmam ou descartam o diagnóstico de retinoblastoma, começando pelo exame de fundo de olho, que é feito pelo oftalmologista. A seguir, podem ser solicitados ultrassonografia do globo ocular e ressonância magnética das órbitas oculares. “A investigação e o estadiamento sempre ocorrem através de ressonância nuclear magnética. Não se deve realizar tomografia computadorizada, pois a irradiação agrava os tumores nos casos hereditários”, orienta Andrea.

Teste do Reflexo Vermelho ou Teste do Olhinho

O Teste do Reflexo Vermelho (TRV) visa rastrear alterações que causam perda da transparência dos meios oculares, tais como retinoblastoma (alteração da coloração da retina pelo tumor intraocular), catarata (alteração da transparência do cristalino), glaucoma (pode causar consequentemente alteração da transparência da córnea), toxoplasmose (alteração da transparência do vítreo pela inflamação), e descolamentos de retina tardios.

Conforme as Diretrizes de Atenção à Saúde Ocular na Infância do Ministério da Saúde recomendam, o teste do reflexo vermelho ou teste do olhinho deve ser realizado em todos os recém-nascidos antes da alta da maternidade e, pelo menos, 2-3 vezes por ano nos três primeiros anos de vida.

“O TRV deve ser realizado utilizando um oftalmoscópio direto, a 30 cm do olho do paciente, em sala escurecida. Quando o foco de luz do oftalmoscópio estiver diretamente alinhado à pupila da criança, esse refletirá um brilho de cor laranja–avermelhado. Quando há opa-cidades de meios (doença ocular), não é possivel observar o reflexo, ou sua qualidade é ruim. O exame deve ser feito em um olho de cada vez, comparando os reflexos de ambos os olhos. Não há necessidade de colírios para dilatar ou anestesiar os olhos. Em caso de reflexo ausente, assimétrico (um olho diferente do outro), alterado ou suspeito, o paciente deve ser encaminhado ao serviço de oftalmologia com urgência”, explica a oftalmologista.

Tratamento

O objetivo do tratamento é curar a doença e, quando possível, os olhos e a visão são preservados. Os principais tipos de tratamento são cirurgia, radioterapia, terapia a laser (fotocoagulação ou termoterapia), crioterapia e quimioterapia intra-arterial/intravítrea. “Às vezes, mais de um tratamento pode ser usado. O tipo de tratamento vai depender do tamanho e localização do tumor, se a doença está em um ou nos dois olhos, se a visão é boa e se a doença está disseminada”, esclarece Andrea.

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