Um ano após prisão de Jair Júnior: o panorama do caso que impactou o cenário político de Lages
Passados 12 meses, o caso atravessa fases decisivas na Justiça e consolidou mudanças profundas na administração municipal
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Neste domingo (22), completou-se um ano de um dos episódios mais marcantes da política recente de Lages. Em 22 de março de 2025, o então vice-prefeito e diretor-presidente da Semasa, Jair Júnior, foi preso em flagrante sob acusações de violência doméstica e cárcere privado contra sua ex-namorada. Passados 12 meses, o caso atravessa fases decisivas na Justiça e consolidou mudanças profundas na administração municipal.
A Cronologia dos Fatos: O final de semana da prisão
O caso desenrolou-se rapidamente entre a noite de sábado e a manhã de segunda-feira:
- Sábado (22/03/2025): Jair Júnior foi detido pela Polícia Militar e conduzido à Central de Polícia. A defesa, na época, afirmou que o político estava “tranquilo” e confiava que não havia cometido irregularidades.
- Noite de Sábado: Após depoimentos e análise do celular do acusado, o processo seguiu para o Fórum de Lages. Foi concedida a liberdade provisória mediante o pagamento de fiança estipulada em cinco salários mínimos (cerca de R$ 7.500). Jair deixou a delegacia por volta das 22h.
- Domingo (23/03/2025): A repercussão tomou conta da cidade. A prefeita Carmen Zanotto e o sindicato dos servidores (Sindserv) emitiram notas de repúdio à violência contra a mulher. O partido de Jair, o Podemos, também se manifestou com surpresa e preocupação.
- Segunda-feira (24/03/2025): Através do decreto nº 22.540, a prefeita oficializou o desligamento de Jair Júnior do cargo de diretor-presidente da Semasa. No mesmo dia, o vice-prefeito anunciou em suas redes sociais o afastamento de suas funções públicas para focar em sua defesa, negando as acusações de agressão.
Desdobramentos Políticos e Partidários
Ao longo do último ano, o isolamento político de Jair Júnior se intensificou. Além da perda do cargo de confiança na Semasa e do afastamento da vice-prefeitura, o político enfrentou processos internos em sua legenda. O episódio culminou na sua desfiliação/expulsão do partido, alterando o tabuleiro político local para as composições de governo.
Um dos episódios que marcou o período pós-prisão, e que compõe o histórico de conflitos do ex-casal relatado nos autos, envolveu o dano material a veículos — conhecido como o episódio dos pneus furados —, que somou-se ao contexto de desgaste público da imagem do político.

O Andamento Jurídico: Expectativa de Sentença
Atualmente, o processo, que corre em segredo de Justiça, está em uma fase avançada. De acordo com o assistente de acusação, Dr. Bruno Ribeiro (advogado da vítima), o Judiciário aguarda a abertura de prazo para as alegações finais:
“Estamos aguardando a abertura de prazo para apresentação de alegações finais, oportunidade em que serão apresentados os argumentos da acusação. Após isso, a defesa se manifestará e ao final o juiz vai proferir sentença analisando os argumentos. A expectativa é que neste ano seja julgada em primeira instância essa ação penal. Por ora, não houve novas informações diversas das que já estavam nos autos anteriormente.” Relata o advogado.
Nesta etapa, a acusação e, posteriormente, a defesa apresentam seus últimos argumentos antes da decisão do magistrado. Segundo a assistência de acusação, a expectativa é que a sentença em primeira instância seja proferida ainda em 2026. Até o momento, não foram anexadas informações novas substanciais além das que já constavam nos autos desde o início do processo.
Procurado pela Rádio Clube de Lages, o advogado de defesa do Jair Junior, Guilherme Ramos, informou que não irá se manifestar no momento.
A Situação Atual
Enquanto o processo criminal segue os ritos legais, Jair Júnior permanece respondendo em liberdade e segue como vice-prefeito da cidade. No campo político, o distanciamento da administração municipal permanece total desde o decreto de 2025. O desfecho do caso agora depende da análise das provas e laudos pelo juiz responsável, que determinará a culpabilidade ou absolvição do réu diante das acusações de cárcere privado e violência doméstica.
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