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INVESTIGAÇÃO

Polícia Civil indicia profissionais por morte de empresária em clínica de Lages

Dentista sofreu restrição cautelar e empresária Geni Michelin morreu após procedimento

• Atualizado

Rádio Clube

Por Rádio Clube

Polícia Civil indicia profissionais por morte de empresária em clínica de Lages | Foto: Reprodução
Polícia Civil indicia profissionais por morte de empresária em clínica de Lages | Foto: Reprodução

A Polícia Civil de Santa Catarina, por meio da 1ª Delegacia de Polícia de Lages, concluiu etapas decisivas das investigações do Inquérito Policial instaurado para apurar as circunstâncias da morte da empresária Geni Maria Angeli Michelin, de 70 anos, moradora de Caçador. A paciente faleceu em 16 de junho de 2026 após ser submetida a um procedimento estético cervicofacial (conhecido como lifting facial) em uma clínica localizada no Centro de Lages.

Com base em perícias médico-legais, de local e de informática forense, além do levantamento junto a órgãos fiscalizadores, as autoridades concluíram que a causa da morte foi choque hipovolêmico hemorrágico. Os profissionais envolvidos foram indiciados sob a suspeita dos crimes de homicídio (com qualificações de dolo e culpa, conforme a conduta de cada um) e exercício ilegal da profissão. O procedimento policial foi encaminhado à Vara do Júri após manifestação favorável do Ministério Público.

Atuação irregular e falta de habilitação

Segundo as apurações da Polícia Civil apoiadas pelo Conselho Regional de Odontologia de Santa Catarina (CRO-SC), o cirurgião-dentista responsável pela intervenção possuía registro ativo apenas na especialidade de Harmonização Orofacial. O profissional não detinha habilitação técnica formal nas especialidades de Cirurgia e Traumatologia Bucomaxilofacial ou de Cirurgia Estética Orofacial, exigidas para a realização da cirurgia executada na vítima.

A investigação apontou ainda um histórico reiterado em que o profissional realizava procedimentos cirúrgicos progressivamente invasivos sem respaldo técnico. No tocante às instalações, a Vigilância Sanitária Municipal identificou que parte da estrutura do estabelecimento operava sem os alvarás sanitário e de funcionamento exigidos pela legislação. A sedação do procedimento foi realizada por uma médica.

Polícia Civil indicia profissionais por morte de empresária em clínica de Lages; medida cautelar judicial e fiscalização

Atendendo a um pedido formulado pela Polícia Civil, o Poder Judiciário deferiu uma medida cautelar em desfavor do dentista. A decisão determinou:

  • Suspensão imediata da realização de procedimentos cirúrgicos para os quais o profissional não possua habilitação reconhecida pelo CRO-SC;
  • Remoção de publicações nas redes sociais referente a cirurgias estéticas, evitando a indução de outros pacientes a erro quanto à sua capacidade técnica;
  • Notificação do CRO-SC para fiscalização ostensiva do cumprimento das sanções temporárias.

Em nota de esclarecimento, o CRO-SC confirmou o recebimento da notificação judicial e informou que enviou uma equipe de fiscalização à clínica. Os fiscais constataram que o cirurgião-dentista não atua mais no local e foi desligado do estabelecimento, não havendo novos agendamentos em seu nome. A autarquia ressaltou que a medida possui caráter cautelar e provisório no curso das investigações.

Defesa do dentista contesta conclusões

Após a divulgação do relatório policial, a defesa técnica do cirurgião-dentista, representada pelos advogados Gabriel de Oliveira Antunes (OAB/SC 35.567), Ana Maria Pavão Silva (OAB/SC 54.938) e Alfredo Driessen Nunes (OAB/SC 63.370), emitiu nota oficial. A equipe jurídica informou ter recebido o documento final e ressaltou que o caso tramita sob segredo de justiça, motivo pelo qual não detalharia elementos dos autos.

Os advogados manifestaram discordância quanto às conclusões e aos enquadramentos criminais atribuídos ao profissional pela autoridade policial, ressaltando que o indiciamento é um ato inquisitorial que não representa declaração de culpa ou condenação.

A defesa enfatizou que aguarda a análise do Ministério Público de Santa Catarina, órgão responsável por avaliar a viabilidade da denúncia:

“A defesa recebe com respeito o entendimento externado pela autoridade policial no relatório final, embora não concorde com suas conclusões. O indiciamento constitui ato próprio da fase investigativa e não representa reconhecimento de culpa ou condenação. Seguiros firmes e serenos na defesa dos direitos e garantias de nosso cliente, confiando que todas as questões jurídicas e probatórias serão devidamente apreciadas pelas instâncias competentes, com observância ao devido processo legal, ao contraditório e à ampla defesa.”

Anteriormente, o advogado Erial Lopes de Haro, representante do estabelecimento, havia declarado que a clínica contava com estrutura e seguiu os protocolos recomendados de assistência pré, trans e pós-operatória para contorna

Alerta e recomendações à população

Em virtude da gravidade do caso, a Polícia Civil divulgou orientações preventivas para a comunidade ao contratar serviços cirúrgicos e estéticos:

  1. Consulta de registros: Verificar a habilitação específica e o status ativo do profissional diretamente nos sites do Conselho Regional de Medicina (CRM) ou do Conselho Regional de Odontologia (CRO);
  2. Alvarás vigentes: Confirmar se a clínica ou consultório possui Alvará de Funcionamento e Alvará Sanitário afixados e expedidos pela Vigilância Sanitária;
  3. Redes sociais: Não utilizar postagens e anúncios de resultados em plataformas virtuais como único parâmetro de qualificação médica ou odontológica.

Denúncias sobre o exercício ilegal da medicina ou funcionamento irregular de estabelecimentos de saúde podem ser encaminhadas anonimamente pelo Disque Denúncia 181, pelo e-mail [email protected] ou aos conselhos estaduais de classe e vigilâncias sanitárias locais.

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