Sofia Gonzalez

Jornalista diagnosticada com doença celíaca. Conteúdo sobre restrições alimentares, impacto social e saúde.


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Espera por endoscopia pode atrasar diagnóstico celíaco em 1 ano

Relato mostra espera de quase um ano por endoscopia em Florianópolis e levanta alerta sobre impacto no diagnóstico da doença celíaca

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Diversos sintomas há mais de um ano e um exame de sangue alterado, assim começou o processo de diagnóstico de doença celíaca. Em maio de 2025, o resultado do anti-transglutaminase veio positivo, um indicativo importante da doença. A partir dali, veio a recomendação médica: seria necessário fazer uma endoscopia para confirmar o diagnóstico.

Esse exame não é um detalhe no processo. Ele faz parte do protocolo clínico e é considerado essencial porque permite avaliar diretamente o intestino e realizar a biópsia, que confirma (ou descarta) a doença celíaca, presente, segundo a Organização Mundial da Saúde em pelo menos 1% da população.

O pedido foi feito pelo SUS, em Florianópolis, mas junto com ele, veio também a realidade da fila: mais de 4 mil pessoas aguardavam pelo mesmo exame.

O cenário de quem vive com a doença celíaca é extremamente restritiva, já que é necessário excluir completamente o glúten (proteína presente em pães, bolos, macarrão, cerveja e vários outros alimentos), até mesmo de utensílios que possam ter tido contato com ele. Dividir a casa com pessoas não celíacas se torna uma verdadeira batalha e comer fora de casa é quase impensável.

Diante do impacto, não só na alimentação, mas na vida social, era necessário confirmar o diagnóstico. Na ausência de assistência pelo SUS e sem plano de saúde, a saída foi a rede particular. Era a única forma de não interromper o processo de diagnóstico.

Ainda assim, acompanhando a solicitação pelo sistema público.

A autorização só veio no fim de março de 2026, mesmo com a solicitação de prioridade por parte da profissional de saúde.

O exame foi então agendado para abril, quase um ano depois do pedido inicial.

Ao ser questionada sobre a demora, a prefeitura de Florianópolis informou que atualmente 105 pessoas aguardam por endoscopia na rede pública.

Segundo o município, o tempo de espera varia conforme a classificação de risco do paciente. Casos mais graves têm atendimento imediato, enquanto situações consideradas não urgentes podem levar, em média, até 41 dias.

A Secretaria de Saúde afirma ainda que não há prazo máximo definido para a realização do exame e que o sistema prioriza pacientes com maior risco de agravamento.

Mas, na prática, a distância entre o tempo médio informado e o caso relatado, de quase um ano, levanta um questionamento inevitável: quando a espera deixa de ser aceitável?

Pela legislação brasileira, o acesso à saúde deve ocorrer em tempo oportuno. Embora não exista um prazo fixo para exames como a endoscopia, o atendimento não pode demorar a ponto de comprometer o diagnóstico ou o tratamento.

E, no caso da doença celíaca, o tempo faz diferença.

Sem a confirmação por endoscopia, o paciente pode permanecer em uma espécie de limbo: com sintomas, sem diagnóstico fechado e, muitas vezes, sem segurança para conduzir corretamente a alimentação.

A demora pode significar meses de inflamação intestinal ativa, dificuldades nutricionais, impacto direto na qualidade de vida e a longo prazo, câncer.

A prefeitura informou que, apenas em 2026, já foram ofertadas cerca de 2.459 vagas para endoscopia e que a expectativa é zerar a fila até maio. Também destacou que não há falta de profissionais ou equipamentos e que a priorização segue critérios clínicos.

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