Melissa Amaral

Professora, Doutora e Pós-doutoranda. Pesquisadora no grupo de pesquisa CoMovI, atua nas áreas de Sustentabilidade Organizacional, ESG, Empreendedorismo e Empoderamento da Mulher.


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DIVERSIDADE E INCLUSÃO

Orgulho é fazer parte e é poder crescer

Mais do que contratar, empresas precisam criar oportunidades reais de crescimento e pertencimento

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Orgulho é fazer parte e é poder crescer | Foto: Canva
Orgulho é fazer parte e é poder crescer | Foto: Canva

No Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+ debates importantes costumam acontecer e nos fazem pensar. Alguns perguntam por que ainda é necessário falar sobre isso e outras pessoas questionam se ainda existem motivos para comemorar.

Mas este ano eu prefiro fazer outra pergunta: Será que as empresas já compreenderam que a inclusão da diversidade não termina no simples fato de fazer a contratação?

Nos últimos anos vimos avanços importantes, pois cada vez mais as organizações passaram a discutir diversidade, equidade e inclusão. O tema entrou na agenda estratégica de muitas empresas, ganhou espaço nos relatórios ESG e passou a fazer parte dos discursos corporativos.

Mas como fala o John Elkington (pai do ESG), vamos deixar de falar e partir pra ação pois discurso sozinho, não leva a nada. E continuar só no discurso corremos o risco de ESG washing.

Há algum tempo escrevi nesta coluna sobre a diferença entre igualdade e equidade. A igualdade trata todos da mesma forma. A equidade reconhece que nem todos partem do mesmo lugar e busca criar condições para que todos tenham oportunidades reais de desenvolvimento.

E esse deve ser o próximo passo para a inclusão das diversidades nas organizações. Pois não basta contratar pessoas LGBTQIA+. Não basta colocar a bandeira colorida na fachada durante o mês de junho e não basta publicar campanhas bonitas nas redes sociais.

É importante que a empresa pergunte: Essas pessoas conseguem construir uma carreira? São promovidas? São respeitadas? Sentem que pertencem à organização? Podem ser quem são sem medo de sofrer preconceito, perder oportunidades ou esconder parte da própria identidade?

Uma empresa verdadeiramente diversa e inclusiva não é aquela que possui diversidade apenas nos cargos de entrada, mas aquela que consegue enxergar a diversidade em todos os níveis da organização, inclusive nos espaços onde as decisões são tomadas.

E isso não vale somente para pessoas LGBTQIA+. Vale para mulheres, pessoas negras, pessoas com deficiência, profissionais seniores, jovens, pessoas de diferentes religiões, culturas e histórias de vida. A diversidade existe em muitas formas. Quanto maior a capacidade de uma organização acolher essas diferenças, maior também sua capacidade de inovar, aprender e gerar valor.

Costumo dizer que ninguém parte exatamente do mesmo lugar. É por isso que inclusão não significa tratar todos de forma idêntica, mas criar um ambiente onde todos tenham condições reais de desenvolver seu potencial.

Quando isso acontece, ganha a pessoa, a empresa e ganha a sociedade.

Sabemos que equipes diversas ampliam perspectivas, reduzem o pensamento único, enriquecem a tomada de decisão e estimulam a inovação. Não porque pessoas LGBTQIA+, mulheres ou pessoas negras sejam melhores do que as demais, mas porque organizações compostas por diferentes experiências humanas conseguem compreender melhor um mundo que também é diverso.

O maior desafio da diversidade é garantir que ninguém precise deixar uma parte de si do lado de fora para conseguir entrar. E o verdadeiro orgulho também deve ser construir organizações onde uma pessoa seja lembrada não pela sua orientação sexual, identidade de gênero ou qualquer outra característica, mas pelo seu talento e pela contribuição que entrega todos os dias.

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