Ei, gestores: O que vocês não devem fazer no Dia Internacional da Mulher!
O 8 de março não nasceu para homenagens, nasceu para luta, é um marco de direitos, participação política e igualdade
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Todo ano, muitas empresas repetem um ritual no Dia Internacional da Mulher: flores, bombons, posts com frases prontas e elogios sobre delicadeza, cuidado e força feminina. Parece bonito e é bom a gente escutar isso. Mas, na prática, se não houver coerência com as ações do dia a dia, pode se tornar
apenas um gesto vazio.
O 8 de março não nasceu para homenagens. Nasceu de luta. É um marco de direitos, trabalho, participação política e igualdade. Por isso, quando a empresa reduz a data a presente e marketing, ela perde a oportunidade de fazer o que realmente importa: reconhecer as barreiras que nós, mulheres,
enfrentamos todos os dias e agir.
O que sua empresa deveria evitar?
Primeiro: fugir de estereótipos. Presentes femininos, mensagens sobre aparência, delicadeza, autocuidado como obrigação, ou aquela ideia de que mulheres são boazinhas por natureza. Isso pode parecer gentileza, mas vamos ser honestos: esse discurso já está ultrapassado. Além disso, reforça um lugar social limitado, a mulher como suporte, e não como protagonista.
Segundo: não tratar o tema como pauta de um dia só. Se no dia 8 de março a empresa celebra, mas no resto do ano as mulheres seguem ganhando menos, sendo menos promovidas, sendo interrompidas em reuniões, recebendo menos projetos estratégicos ou convivendo com piadas e assédio disfarçado, toda essa delicadeza perde completamente o sentido.
Terceiro: não falar por nós sem nos ouvir. Antes de criar qualquer ação, pergunte às mulheres da sua empresa: quais barreiras elas enfrentam aqui? O que faz diferença de verdade? O que precisa mudar? Esse exercício exige maturidade, porque pode trazer desconforto. Mas é aí que começa a transformação. E sim: vulnerabilidade também é força, especialmente quando vem acompanhada de propósito genuíno e ação.
Agora, o que fazer diferente?
Se a sua empresa quer marcar o 8 de março com respeito, ela precisa fazer a diferença e não somente oferecer algo simbólico. Um bom caminho é transformar a data em ponto de virada com ações simples, mas bem importantes:
- Assumir compromissos públicos e metas internas, com prazos: equidade salarial, mais mulheres em liderança, critérios objetivos para promoção.
- Criar ou fortalecer um comitê de diversidade e inclusão, com autonomia para propor mudanças e medir resultados.
- Treinar lideranças sobre vieses inconscientes, porque muito do bloqueio não é explícito, é sutil, recorrente e socialmente normalizado.
- Reforçar políticas e canais de denúncia contra assédio e discriminação, com segurança, sigilo e consequência para quem pratica.
- Oferecer experiências com propósito, em vez de brindes: mentoria, capacitação, workshop de planejamento de carreira e finanças, apoio à saúde mental, rodas de conversa que gerem aprendizado e transformação real.
- Valorizar histórias de mulheres de verdade: reconhecer publicamente mulheres que fazem a diferença na empresa, destacando competências, entregas e impacto no negócio.
E não esquecer de um ponto muito importante: não deixem os homens de fora. Se eles são parte do problema cultural, também precisam ser parte da solução. O debate precisa envolver gestores, colegas e alta liderança, porque igualdade não se constrói em grupo isolado, se constrói todos os dias, nas
decisões e na cultura organizacional.
Quando pensamos nas mulheres na ciência, como a maravilhosa cientista Dra. Tatiana Sampaio, e no esporte, como a árbitra de futebol vítima de misoginia pelo jogador do Bragantino, Daiane Muniz: elas não pediram licença para existir nesses espaços. Elas enfrentaram descrédito, falta de patrocínio, falta de reconhecimento e uma cobrança sempre maior. No ambiente corporativo acontece algo muito semelhante: muitas mulheres ainda precisam provar duas vezes seu valor para receber metade do
reconhecimento.
Por isso, antes de encomendar flores, responda com sinceridade: o que a sua empresa está fazendo para que as mulheres cresçam, liderem e sejam respeitadas todos os dias.
O 8 de março pode ser um dia de homenagem, mas que seja, principalmente, um compromisso com a igualdade entre homens e mulheres.
Menos lembrancinhas. Mais oportunidade.
Menos discurso. Mais prática.
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