Melissa Amaral

Professora, Doutora e Pós-doutoranda. Pesquisadora no grupo de pesquisa CoMovI, atua nas áreas de Sustentabilidade Organizacional, ESG, Empreendedorismo e Empoderamento da Mulher.


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PROPÓSITO DE VIDA

A vida depois dos 50 anos: vivendo com propósito

A segunda vida adulta não é começar do zero, é um recomeço de outro lugar

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A vida depois dos 50 anos: vivendo com propósito | Foto: reprodução / Canva
A vida depois dos 50 anos: vivendo com propósito | Foto: reprodução / Canva

Gosto de começar as coisas de forma positiva. O ano, o dia, o trabalho, um artigo. E é por isso que, nesta primeira coluna de 2026, escolhi falar de um tema muito positivo que surgiu em uma conversa despretensiosa com uma amiga, quando voltávamos de um aniversario de 50 anos. A conversa ficou
ecoando em mim, talvez porque diga respeito à fase de vida que estou e que muitas pessoas ao meu redor também estão.

Recentemente, reli a coluna do professor Jurandir Sell Macedo em que ele expõe a teoria da segunda vida adulta e na conversa deste último sábado, também lembrei do livro A Segunda Montanha, de David Brooks. Leituras diferentes, contextos distintos, mas que se conectam profundamente. Ambas nos convidam a olhar para a vida com mais honestidade e, principalmente, com
mais propósito.


De acordo com o professor Jurandir, na primeira vida adulta, nós construímos. Construímos carreira, patrimônio, família, reputação. Construímos um “eu social” que atende expectativas, cumpre papéis e busca reconhecimento. É a fase do fazer, do provar, do conquistar. E isso não é errado, pelo contrário.
Essa construção é necessária. Mas chega um momento em que, mesmo com tudo aparentemente no lugar, algo começa a incomodar.

É aí que os dois conceitos se encontram

Assim como a adolescência foi uma criação social do século XX, estamos agora vivendo o surgimento de uma nova fase: a transição entre a vida adulta e a velhice. Uma fase longa, ativa e cheia de possibilidades, que ele chama de segunda vida adulta. Não se trata de envelhecer, mas de ressignificar. Não é sobre encerrar ciclos, mas sobre escolher como continuar.

David Brooks usa outra metáfora, mas fala de uma virada semelhante. Ele descreve a primeira montanha como aquela que escalamos movidos pelo ego: sucesso, status, dinheiro, independência. O problema é que, ao chegar ao topo, muitas pessoas percebem que a vista não é tão boa quanto imaginaram. Há conquistas, mas falta sentido. Há vitórias, mas falta pertencimento. Na primeira montanha construímos o ego e a definição de quem somos.

A segunda montanha surge quando entendemos que viver bem não é apenas vencer. É se desprender do ego e servir. É se comprometer. Sair do “eu” e caminhar em direção ao “nós”.

Enquanto Jurandir fala da desconstrução das máscaras sociais e da busca por autenticidade, Brooks fala do abandono do individualismo em favor de compromissos profundos: com pessoas, com causas, com a comunidade, com valores morais que nos sustentam quando os aplausos acabam. Um fala de autonomia e liberdade. O outro, de interdependência e entrega. E, juntos, mostram que essas ideias não se contradizem, se completam.

A segunda vida adulta não é começar do zero. É um recomeço de outro lugar. Com mais consciência, mais repertório e, muitas vezes, mais coragem. É por isso que vemos tantas mudanças acontecendo após os 50: novos projetos, transições de carreira, empreendedorismo tardio, divórcios, novos estilos de vida.


Tem gente que chama da crise da meia idade. Eu não vejo assim, vejo como clareza: de saber quem somos e para o que viemos.

Nesses conceitos existe um alerta importante: viver bem essa fase exige preparação. Cuidar da saúde, dos relacionamentos, da mente e da vida financeira ao longo de toda a trajetória é o que permite chegar à segunda vida adulta com liberdade de escolha (Prof. Jurandir Sell Macedo aprofunda o tema em seu livro 4 dimensões de uma vida em equilíbrio). Sem isso, o risco é que
essa transição continue sendo abrupta, e injusta para muitos.

Talvez o maior ponto de conexão entre a segunda vida adulta e a segunda montanha seja este: chega um momento em que deixa de perguntar “o que você quer ser?” e passa a perguntar “para quem você quer ser?”. E a resposta, quase sempre, envolve compromisso, propósito e contribuição.

Nesses tempos turbulentos que vivemos, com tanta raiva, falta de empatia e violência nos rondando. Começar um novo ano refletindo sobre isso me parece mais que oportuno. Afinal, viver mais tempo só faz sentido se vivermos melhor e juntos, contribuindo para uma sociedade mais justa e mais humana.

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