Trump reposta imagem do Estreito de Ormuz com nome de ‘Estreito de Trump’
Publicação veio pouco tempo após o presidente afirmar que pretende manter o bloqueio aos portos iranianos
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O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, repostou uma montagem nas redes sociais na qual o Estreito de Ormuz, localizado no Oriente Médio, aparece renomeado como “Estreito de Trump”. A publicação é mais uma provocação ao regime iraniano, que exerce influência dominante sobre o controle da região.
Rota marítima de cerca de 20% do petróleo mundial, o Estreito de Ormuz virou alvo de conflitos em decorrência da operação coordenada entre Estados Unidos e Israel contra o Irã. O tráfego de navios foi completamente remodelado, tanto por ordens de Washington como de Teerã, pressionando a economia global.
Na noite de quarta-feira (29), Trump afirmou que pretende manter o bloqueio aos portos iranianos até que o país aceite um novo acordo nuclear. O cerco marítimo, no entanto, é criticado por Teerã, que já afirmou que voltará à mesa de negociações apenas quando o bloqueio for suspenso.
Nesta semana, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, esteve na Rússia, um dos principais aliados do país. O chanceler também visitou o Paquistão, país mediador das negociações, onde acusou os Estados Unidos de exigências excessivas e abordagens incorretas, como o bloqueio marítimo.
Em meio ao impasse nas negociações, fontes afirmaram à imprensa internacional que a Marinha dos Estados Unidos está se preparando para novos ataques contra o Irã, quebrando o acordo de cessar-fogo. A possibilidade foi rebatida pelas autoridades de Teerã, que disseram que Washington “enfrentará medidas práticas e sem precedentes”.
Entenda
Restringir a capacidade nuclear do Irã tem sido uma das prioridades da política externa de Washington há décadas. Em 2015, o então presidente Barack Obama fez um acordo com o país, limitando as atividades nucleares e permitindo a inspeção das instalações para garantir que fossem usadas apenas para fins civis e não para a produção de armas. Em troca, o Irã recebia alívio nas sanções.
Tal acordo, no entanto, foi rasgado em 2018 por Donald Trump, que alegou que o acordo era benéfico demais para o Irã. Com isso, o país deixou de cumprir o acordo e elevou o grau de enriquecimento de urânio – que pode ser usado para fazer bombas nucleares. O governo de Joe Biden até tentou retomar o acordo, oferecendo novamente alívio nas sanções econômicas, mas não obteve sucesso.
Agora, em seu segundo mandato, Trump vinha pressionando o governo iraniano a limitar ou abandonar o programa nuclear, sob a justificativa de que o país estaria próximo de desenvolver uma bomba atômica. A acusação é rejeitada por Teerã, que afirma que o programa tem fins pacíficos, voltados sobretudo à produção de energia.
No começo do ano, os países se reuniram para debater um novo acordo nuclear, em um encontro descrito como “positivo” pelas delegações. Dias depois, no entanto, Trump acusou o Irã de “voltar a perseguir suas ambições nucleares”, mesmo após os ataques de 2025, e autorizou novos bombardeios contra o país, desta vez em parceria com Israel.
O conflito se expandiu após o Hezbollah, aliado do Irã, lançar mísseis contra Israel, que respondeu atacando alvos em todo o Líbano, país onde o grupo é dominante. Além disso, drones iranianos atingiram bases militares europeias no Oriente Médio. As hostilidades ainda escalaram para o Estreito de Ormuz, pressionando a economia global.
No começo de abril, Estados Unidos, Israel e Irã aceitaram um acordo de cessar-fogo. A proposta, mediada pelo Paquistão, foi formalizada a menos de 1h30 do fim do ultimato dado pelo presidente norte-americano para a reabertura do Estreito de Ormuz. O republicano havia afirmado que, caso a rota não fosse reaberta, “uma civilização inteira morreria para nunca mais ser ressuscitada”.
*Com informações do SBT News.
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