Brasil e EUA negociam acordo de cooperação durante crise na Venezuela
Lula e Donald Trump buscam combater às organizações criminosas e tráfico na Venezuela
• Atualizado
Conforme a coluna do jornalista Cézar Feitosa, do SBT News, o governo Lula (PT) articula, nesta terça-feira (6) com a administração de Donald Trump um novo acordo de cooperação internacional com foco no combate às organizações criminosas e ao tráfico de drogas.
O contexto é o esforço americano de ampliar a influência na América do Sul, como prevê sua Estratégia de Segurança Nacional. “Queremos garantir que o Hemisfério Ocidental permaneça razoavelmente estável e bem governado o suficiente para prevenir e desencorajar a migração em massa para os Estados Unidos; queremos um hemisfério cujos governos cooperem conosco contra narcoterroristas, cartéis e outras organizações criminosas transnacionais”, diz trecho do documento americano.
Conforme o jornalista, as conversas em torno do acordo ainda estão na fase inicial, de mapeamento dos principais pontos a serem discutidos. As reuniões bilaterais devem ocorrer numa segunda fase, após trocas de documentos entre as duas partes.
O interesse do Brasil está focado em dois principais temas, segundo dois integrantes da cúpula do Ministério da Justiça: lavagem de dinheiro e recuperação de patrimônio no exterior.
A Polícia Federal e a Receita Federal identificaram, nos últimos anos, que parte do crime organizado no Brasil envia seus recursos ilícitos para os Estados Unidos, para lavar o dinheiro. Depois, retorna com os valores como investimentos de empresas americanas no Brasil ou usa os recursos para se manter no exterior.
As autoridades brasileiras querem que a cooperação permita a troca de informações sobre a lavagem de dinheiro e a presença do crime organizado em território americano, bem como facilite os caminhos para a recuperação dos valores e a prisão dos suspeitos.
Do lado dos americanos, o interesse principal está no esforço para evitar que facções criminosas da América Latina se instalem nos Estados Unidos. Há também um esforço para evitar a entrada de armas ilegais no país.
Lula conversou por telefone com o presidente americano Donald Trump sobre a cooperação. Nessa ligação, em dezembro, o brasileiro sugeriu que as autoridades dos EUA prendam um “portador de combustível fóssil” que vive em Miami, referência a Ricardo Magro, controlador do Grupo Refit e cuja empresa é investigada por fraude superior a R$ 26 bilhões.
Integrantes do Ministério da Justiça e das Forças Armadas acreditam que há caminhos para o Brasil se aproveitar da nova política americana, com foco na América do Sul, para buscar novos acordos que favoreçam o país.
Há temor, porém, de que a política intervencionista que capturou Nicolás Maduro e ameaça a Colômbia possa criar ainda mais instabilidade no continente.
Forças Armadas
O interesse dos americanos em investigar os fluxos das drogas na América do Sul ficou evidente para as autoridades brasileiras em dois momentos no início da nova gestão Trump.
O primeiro foi quando o governo dos EUA forçou que o Brasil reconhecesse as facções criminosas instaladas no país como organizações terroristas, abrindo, assim, margem para atuação mais incisiva dos americanos.
O segundo sinal foi dado na vinda do então chefe-militar do Comando Sul dos EUA ao Brasil, em maio de 2025. O almirante Alvin Holsey avisou as autoridades brasileiras que gostaria de visitar uma base do Exército em Rio Branco, no Acre, para conhecer o trabalho militar na fronteira com o Peru e a Bolívia.
O comunicado ao Exército Brasileiro tratava sobre o interesse de conhecer o combate ao tráfico internacional de drogas e armas, o 4º Batalhão de Infantaria de Selva atua no controle das fronteiras com o Peru e a Bolívia.
A cúpula do Exército estranhou o pedido e negou a visita sob a justificativa de que não havia tempo hábil para organizar o batalhão para a estadia das autoridades estrangeiras. Em troca, foi oferecida uma visita ao Comando Militar da Amazônia, em Manaus (AM); os americanos rejeitaram a proposta.
O acordo de cooperação é visto como uma forma de aplacar o apetite dos americanos no assunto, mostrando que há formas de colaboração sem intervenções diretas na região.
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