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Confrontos

Guerra na Ucrânia completa cem dias

A ONU estima que mais de 4 mil civis morreram durante os confrontos que agora se limitam a região leste da Ucrânia

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Foto: reprodução/arquivo/Zelensky
Foto: reprodução/arquivo/Zelensky

Cem dias após a invasão russa na Ucrânia, a guerra trouxe ao mundo cenas dolorosas: cadáveres de civis nas ruas de Bucha; um teatro explodido em Mariupol; o caos em uma estação de trem de Kramatorsk após um ataque com mísseis russos. Essas imagens contam apenas parte do considerado o pior conflito armado da Europa das últimas décadas.

O número de militares mortos – de ambos os lados – são discordantes. A ONU estima que mais de 4 mil civis morreram durante os confrontos que agora se limitam a região leste da Ucrânia, mas deixaram 38 mil edifícios residenciais destruídos, deixando cerca de 220.000 pessoas desabrigadas.

Quase 1.900 instalações educacionais, de jardins de infância a escolas primárias e universidades, foram danificadas, incluindo 180 completamente arruinadas. Outras perdas de infraestrutura incluem 300 carros e 50 pontes ferroviárias, 500 fábricas e cerca de 500 hospitais danificados, segundo autoridades ucranianas.

A Organização Mundial da Saúde registrou 296 ataques a hospitais, ambulâncias e profissionais de saúde na Ucrânia este ano.

O número de deslocados internos pelo conflito, de acordo com a Acnur, é de 7,1 milhões. Estima-se que cerca de 6,8 milhões de pessoas foram expulsas da Ucrânia em algum momento durante o conflito.

A guerra também gerou uma reação jamais antes vista de sanções contra um país. A Rússia enfrenta atualmente mais de 5 mil sanções direcionadas, mais do que qualquer outro país. Cerca de US$ 300 bilhões em ouro russo e reservas cambiais no Ocidente foram congelados, e o tráfego aéreo no país caiu de 8,1 milhões para 5,2 milhões de passageiros entre janeiro e março.

As sanções mais pesadas, no entanto, são as contra os setores cruciais de petróleo e gás.

Já a Ucrânia relatou sofrer um golpe econômico: 35% do PIB dizimado pela guerra. “Nossas perdas diretas hoje ultrapassam US$ 600 bilhões”, disse Andriy Yermak, chefe do escritório do presidente ucraniano Volodymyr Zelensky.

A Ucrânia, um grande produtor agrícola, diz que não conseguiu exportar cerca de 22 milhões de toneladas de grãos. Ele atribui um acúmulo de embarques aos bloqueios russos ou à captura de portos importantes. Zelensky acusou a Rússia de roubar pelo menos meio milhão de toneladas de grãos durante a invasão.

Mundo

As consequências se espalharam por todo o mundo, elevando ainda mais os custos de bens básicos, além da inflação que já estava em pleno andamento em muitos lugares antes da invasão. Os países em desenvolvimento estão sendo pressionados pelos custos mais altos de alimentos, combustível e financiamento.

Os preços do petróleo bruto em Londres e Nova York aumentaram de 20% a 25%, resultando em preços mais altos nas bombas e em uma série de produtos derivados do petróleo.

O fornecimento de trigo foi interrompido em nações africanas, que importaram 44% da commodity da Rússia e da Ucrânia nos anos imediatamente anteriores à invasão. O Banco Africano de Desenvolvimento relatou um aumento de 45% nos preços continentais do grão, afetando desde o cuscuz da Mauritânia até os donuts fritos vendidos no Congo.

Amin Awad, secretário-geral adjunto e coordenador de crises da ONU, disse que 1,4 bilhão de pessoas em todo o mundo podem ser afetadas pela escassez de grãos e fertilizantes do país.

“O custo desta guerra em civis é inaceitável. Esta guerra não terá vencedor”, disse ele a repórteres em Genebra, na Suíça, por videochamada direto de Kiev, a capital ucraniana. “Hoje registramos um marco trágico”, afirmou. Amin finalizou seu discurso pedindo o fim da guerra. O conflito, no entanto, parece estar longe do fim.

* Com informações da Associated Press

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