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VERÃO ATÍPICO

Serra Catarinense registra 2ª geada de 2026 com mínima de 0,9°C em pleno janeiro

Geada surpreende a Serra Catarinense em pleno verão. Fenômeno raro foi registrado pelo segundo dia consecutivo em janeiro

• Atualizado

Ricardo Souza

Por Ricardo Souza

Serra Catarinense registra 2ª geada de 2026 com mínima de 0,9°C em pleno janeiro – Foto: Wagner Urbano/ Cedido ao SCC10
Serra Catarinense registra 2ª geada de 2026 com mínima de 0,9°C em pleno janeiro – Foto: Wagner Urbano/ Cedido ao SCC10

Enquanto grande parte do Brasil enfrenta o calor intenso do verão e recorre ao ar-condicionado para aliviar as altas temperaturas, a geada na Serra Catarinense evidencia um cenário completamente fora do padrão para esta época do ano. Na madrugada desta segunda-feira (5), a região registrou a segunda geada consecutiva de 2026, um fenômeno raro para o mês de janeiro, com temperaturas próximas de 0°C.

O episódio mais intenso foi observado em São Joaquim, onde os termômetros marcaram 0,9°C, conforme dados da Prefeitura Municipal e do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). A geada cobriu áreas do Vale dos Caminhos da Neve, transformando a paisagem em um cenário típico de inverno, contrastando com o auge do verão brasileiro.

Massa de ar frio favoreceu o fenômeno

De acordo com especialistas, a formação da geada foi favorecida pela atuação de uma massa de ar frio e seco, considerada excepcionalmente intensa para esta época do ano. A combinação entre o ar polar, o céu limpo e a ausência de ventos permitiu forte perda de calor durante a madrugada, provocando o resfriamento acentuado da superfície e a formação de gelo sobre a vegetação rasteira.

A abrangência e a intensidade do fenômeno chamaram atenção, já que eventos dessa magnitude em janeiro não são frequentes desde o início dos anos 2000 na Serra Catarinense.

Cena rara registrada no Vale dos Caminhos da Neve

Um dos registros mais marcantes da manhã foi feito pelo fotojornalista Mycchel Legnaghi, que enfrentou o frio intenso do vale para documentar os efeitos da geada. Durante o trabalho, ele encontrou uma libélula com as asas congeladas, completamente imobilizada pelo gelo formado durante a madrugada.

O inseto só conseguiu retomar o voo após receber auxílio e depois que os primeiros raios de sol começaram a aquecer a região, em uma cena que ilustra de forma clara a intensidade do frio registrado.

Recordes e estatísticas

As mínimas registradas em diferentes municípios da serra reforçam o caráter atípico do evento:

  • São Joaquim: 0,9°C (Prefeitura/INMET)
  • Urubici: 1,5°C (PWS)
  • Bom Jardim da Serra: 3,5°C (Epagri)
  • Urupema: 3,9°C (Epagri)

Segundo dados da Climaterra e de órgãos oficiais, a mínima de 0,9°C em São Joaquim configura-se como a segunda menor temperatura já registrada na Serra Catarinense em um mês de janeiro, ficando atrás apenas do recorde histórico de -1,0°C, registrado em Urupema em 11 de janeiro de 1994.

Influência do La Niña e reflexos em todo o estado

Meteorologistas apontam que a atuação do fenômeno La Niña tem favorecido a incursão de massas de ar polar no Sul do Brasil, inclusive durante o verão. O impacto do frio não ficou restrito às áreas mais elevadas da serra: diversas estações meteorológicas em Santa Catarina registraram mínimas entre 5°C e 10°C, valores que, em muitas cidades, não eram observados em janeiro desde 2005 ou até mesmo desde a década de 1980.

Até mesmo o litoral catarinense sentiu os reflexos da onda de frio. Em Florianópolis, as temperaturas mínimas ficaram entre 12°C e 15°C, marcas consideradas atípicas para a estação, reforçando o caráter excepcional do evento meteorológico.

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