Doku deixa Copa para acompanhar chegada do primeiro filho
Psicólogas analisam o dilema vivido pelo atacante belgo e a importância da presença paterna desde o parto até os primeiros meses do bebê
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Jeremy Doku, um dos principais jogadores da seleção da Bélgica na Copa do Mundo, viveu um dilema nos últimos dias. Enquanto disputava a fase de grupos do torneio, o atacante de 24 anos aguardava o nascimento do primeiro filho e já havia deixado claro que pretendia estar presente no parto, mesmo que isso significasse deixar temporariamente a concentração da equipe.
A decisão chamou atenção porque aconteceu em meio à Copa, mas também levantou uma pergunta que vai além do futebol: qual é a importância da presença do pai no nascimento de um filho?
No fim, o atacante decidiu deixar temporariamente a concentração para acompanhar o nascimento do primeiro filho. Nesta segunda-feira (22), a Federação Belga de Futebol informou que Doku voltou a Londres para acompanhar a chegada de um menino chamado Praise.
O jogador recebeu a notícia de que a esposa estava prestes a dar à luz antes da partida contra o Irã, no domingo (21), e ficou fora do empate sem gols para viajar ao encontro da família. Praise nasceu na segunda (22), e a federação informou que mãe e bebê passam bem. Doku deve retornar à concentração da Bélgica nesta terça-feira (23), em Seattle, nos Estados Unidos.
Entre acompanhar o nascimento do filho e seguir com a seleção em uma Copa do Mundo, não existe uma escolha simples. É o que explica a Psicóloga do Esporte Intercultural Andréia Batista. “O nascimento de um filho é um dos momentos mais marcantes da vida de uma família. Ao mesmo tempo, uma Copa do Mundo representa, para muitos atletas, uma oportunidade rara e construída ao longo de toda uma trajetória profissional”, afirma.
Situações como a de Doku não são novidade no futebol. A especialista lembra que em 1994, o ex-atacante Bebeto, um dos destaques da Seleção Brasileira campeã da Copa do Mundo daquele ano, não acompanhou o nascimento do filho porque estava concentrado com a equipe nos Estados Unidos. Dias depois, homenageou o recém-nascido com uma das comemorações mais famosas da história do futebol ao embalar um “bebê” nos braços após marcar contra a Holanda.
Para Andréia, a decisão precisa ser analisada dentro do contexto vivido pela família.
“Mais importante do que decidir entre permanecer ou não na competição é compreender como essa escolha foi construída dentro da família. O diálogo, os valores do casal, o contexto da competição e os impactos emocionais para todos os envolvidos devem ser considerados”, diz.
A psicóloga lembra que atletas de alto rendimento convivem com viagens, concentrações e competições que muitas vezes coincidem com momentos importantes da vida pessoal. Por isso, não é raro que família e carreira precisem encontrar formas de caminhar juntas.
Quando a presença no parto não é possível, sentimentos como culpa, tristeza e frustração podem aparecer. Ainda assim, Andréia lembra que os vínculos familiares são construídos ao longo do tempo. “Além de estar presente em um único momento, o que fortalece os vínculos familiares é a presença emocional e o comprometimento ao longo do tempo”, afirma.
Se o vínculo entre pais e filhos é construído ao longo do tempo, o nascimento costuma ser um dos primeiros marcos dessa relação. A escolha de Doku de viajar para acompanhar a chegada do filho durante o campeonato mundial também leva a discussão sobre o papel do pai nesse momento.
Para a psicóloga Cristiane Pertusi, presidente da Associação Brasileira de Terapia Familiar (Abratef), o nascimento de um filho costuma ser um momento de transformação para toda a família. “A presença do pai ou do parceiro durante o parto costuma ser muito significativa. Para a mãe, representa uma fonte de apoio emocional, segurança e acolhimento em um momento de intensa vulnerabilidade física e emocional”, afirma.
Na avaliação da especialista, os efeitos dessa participação podem se estender muito além do dia do nascimento. “A participação do pai desde o nascimento favorece a construção de uma relação afetiva precoce com o filho, o que tende a refletir positivamente no desenvolvimento da criança ao longo do tempo”, diz.
No caso de Doku, a decisão de acompanhar a chegada do filho ocorreu justamente em meio à principal competição da carreira. Mas, segundo Cristiane, a presença paterna não se limita ao momento do nascimento. Nas semanas seguintes, a família entra em uma nova fase de adaptação. É o período conhecido como puerpério, marcado por mudanças físicas, hormonais e emocionais para a mãe e por uma reorganização da rotina da casa.
Segundo Cristiane, a participação do parceiro nessa fase pode aliviar parte da sobrecarga para a mãe. “O apoio nas tarefas com o bebê, na organização da rotina da casa e, principalmente, o acolhimento emocional podem reduzir a sobrecarga materna e favorecer uma recuperação mais tranquila”, explica. “Quando o parceiro participa desde os primeiros dias, fortalece o vínculo com a criança e contribui para uma dinâmica familiar mais equilibrada”, finaliza.
*Com informações do SBT News.
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