Fretes sob vigilância: governo mira abusos no setor
Após alta do diesel e risco de greve, governo reforça fiscalização de fretes e identifica irregularidades em cerca de 20% das empresas
• Atualizado
O governo federal vai intensificar a fiscalização sobre o preço dos fretes no Brasil após identificar aumentos considerados irregulares no setor. O anúncio foi feito nesta quarta-feira (18) pelo ministro dos Transportes, Renan Filho.
A medida ocorre em meio ao cenário de alta no custo dos combustíveis, impulsionado por tensões internacionais, como a guerra no Irã, e pelo risco de paralisação de caminhoneiros.
Segundo o ministro, o governo pretende ampliar o controle por meio de monitoramento eletrônico em larga escala, além de reforçar a presença de fiscais nos estados.
“Temos maior capacidade de fazer a fiscalização eletrônica adequada”, afirmou Renan.
Fiscalização digital e dados em tempo real
O novo modelo será baseado na análise de notas fiscais eletrônicas de transporte de carga, documento obrigatório em operações logísticas. A ideia é criar um sistema capaz de acompanhar os fretes em todo o país.
De acordo com o ministro, essa base de dados deve ser disponibilizada publicamente nas próximas semanas, ampliando a transparência do setor.
Irregularidades e multas milionárias
A Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT) identificou que cerca de 20% das empresas descumprem o piso mínimo do frete, aproveitando o cenário internacional para elevar preços de forma indevida.
Nos últimos quatro meses, o governo aplicou R$ 419 milhões em multas por irregularidades.
Agora, além das autuações, a proposta é permitir que a ANTT suspenda empresas reincidentes, que insistem em burlar as regras.
Empresas na mira
Durante a coletiva, Renan Filho citou grandes companhias do setor como exemplos de agentes relevantes no mercado, entre elas BR Foods, Raízen, Vibra Energia, Unilever e Ambev.
“Estamos falando de agentes econômicos relevantes, e não de casos pontuais”, destacou.
Pressão por redução de impostos
Paralelamente, o governo também discute medidas para conter o impacto do diesel no bolso do consumidor. Uma reunião entre o Ministério da Fazenda e secretários estaduais debateu a possibilidade de redução do ICMS sobre combustíveis, mas não houve definição.
A proposta prevê que a União compense parte das perdas dos estados, mas o tema ainda será analisado pelos governadores.
Risco de paralisação preocupa setor
O aumento dos custos reacendeu a possibilidade de greve de caminhoneiros, o que elevou o alerta no governo. A Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística de Santa Catarina (Fetrancesc) reconheceu as dificuldades enfrentadas pelos profissionais, mas alertou para os impactos de uma paralisação.
Segundo a entidade, a interrupção do transporte pode afetar diretamente o abastecimento, a produção e o custo de vida da população.
A federação defende o diálogo entre caminhoneiros, empresas e governo como caminho para evitar uma crise logística no país.
*Texto com informações do SBT News
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