Bilhões em risco: a praga que devora o milho no Brasil
Danos acumulados entre 2020 e 2024 somam cerca de 25,8 bilhões de dólares
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A cigarrinha do milho, considerada a principal praga da cultura no Brasil, provoca prejuízos bilionários e ameaça a produção do cereal no país. Um estudo da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e parceiros revelou que os danos acumulados entre 2020 e 2024 somam cerca de 25,8 bilhões de dólares (134,2 bilhões de reais), com perdas médias anuais de 6,5 bilhões de dólares, ou cerca de 33,6 bilhões de reais.
O impacto da praga é sentido diretamente na produtividade. A produção de milho caiu em média 22,7 por cento nesse período, o que representa aproximadamente 31,8 milhões de toneladas deixadas de colher por ano, equivalentes a cerca de 2 bilhões de sacas de 60 quilos.
Essa queda afeta tanto o abastecimento interno quanto as exportações, considerando que o Brasil é um dos maiores produtores e exportadores mundiais do cereal.
Como a praga ataca as lavouras
A cigarrinha, cientificamente conhecida como Dalbulus maidis, transmite microrganismos que causam o complexo de enfezamentos, um conjunto de doenças que prejudica o desenvolvimento das plantas e não tem tratamento curativo. Ao sugar a seiva das plantas infectadas, o inseto espalha essas doenças para plantas saudáveis, agravando os danos e tornando o controle mais difícil.
Além das perdas na produção, o custo do manejo da praga tem aumentado. Os produtores precisam intensificar o uso de inseticidas e técnicas de controle, elevando os gastos com a cultura. O estudo analisou 34 municípios das principais regiões produtoras e constatou que em 80 por cento das localidades a cigarrinha ou as doenças associadas foram fatores centrais na queda de produtividade.
O cultivo contínuo do milho contribui para a sobrevivência e dispersão da praga, já que sem períodos de vazio sanitário, o inseto encontra condições ideais durante o ano todo. Especialistas alertam que, sem medidas integradas de manejo, monitoramento constante e pesquisa, o problema pode se agravar e gerar ainda mais prejuízos para o setor agrícola e para a economia brasileira.
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