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SENSÍVEL

Websérie do MPSC expõe histórias por trás do feminicídio

Produção “Ausências” traz relatos reais e reforça necessidade de prevenção à violência contra a mulher em SC

• Atualizado

Sofia Gonzalez

Por Sofia Gonzalez

Foto: Sofia Gonzalez | SCC SBT
Foto: Sofia Gonzalez | SCC SBT

O Ministério Público de Santa Catarina lançou, na manhã desta segunda-feira (24), a websérie “Ausências: as histórias por trás do Mapa do Feminicídio”, uma produção que busca dar rosto, voz e contexto às vítimas de feminicídio em Santa Catarina.

A iniciativa reúne relatos reais e reflexões sobre os impactos da violência contra a mulher, indo além dos números. A proposta é sensibilizar a sociedade e reforçar a importância da prevenção.

Com cerca de seis meses de produção, a websérie apresenta histórias marcadas pela dor e pelas ausências deixadas. “Cada número tem um rosto. Existe um antes e um depois dessas mulheres”, destacou a equipe durante o lançamento.


Histórias que não podem ser esquecidas

Quatro casos de feminicídio foram retratados na produção, todos com histórias distintas, mas atravessadas pela mesma violência.

Entre eles está o de Ana Kemili, adolescente de 14 anos, descrita como extrovertida e cheia de vida. Ela foi assassinada em fevereiro de 2021, em Campo Belo do Sul, na Serra, após recusar um relacionamento. O corpo foi encontrado dias depois, em uma área de mata. Foi o primeiro e último não a um relacionamento que ela pode dizer.

Outro caso é o de Monica Uhlmann Gosch, que viveu mais de 30 anos em um relacionamento marcado por violência doméstica. Mesmo após tentar romper o ciclo, foi morta a facadas pelo ex-marido quando voltava do trabalho, em novembro de 2023, em Chapecó. Ela deixou três filhos.

A websérie também traz a história de Eveline Schmitz, de 37 anos, assassinada na frente dos dois filhos pequenos, que tinham apenas 2 e 4 anos na época. Ela foi morta em março de 2024 em Blumenau pelo marido. A produção chama atenção para uma realidade pouco debatida: a dos órfãos do feminicídio, que ainda carecem de políticas públicas específicas.

Já Catarina Kasten, de 31 anos, foi atacada, estuprada e morta a caminho da aula de natação por um desconhecido. Diferente dos outros casos, ela representa os feminicídios de natureza sexual, sendo morta no caminho de casa.

Por meio de relatos sensíveis e emocionantes das vítimas indiretas dessas mortes, a série mostra a brutalidade da ausência abrupta dessas ausências na vida de quem fica.


Números que revelam a dimensão do problema

Dados apresentados durante o evento mostram a gravidade da violência de gênero. Entre 2020 e 2024, 64,6% das mortes de mulheres em Santa Catarina ocorreram por razões de gênero.

Além disso:

  • 71% dos casos foram cometidos por companheiros
  • 76% aconteceram dentro da casa da vítima
  • 2 em cada 3 mulheres assassinadas foram vítimas de feminicídio

A procuradora de Justiça Vanessa Cavallazzi destacou que a maioria dos casos ocorre no ambiente familiar. Ela também chamou atenção para outros tipos de feminicídio que ainda são pouco visibilizados, mas partindo do princípio da mulher como posse e objeto.

“Há uma parte do fenômeno muito sutil, que nós não percebemos. É um fenômeno que está crescendo e que precisamos observar”, afirmou, ao citar casos ligados a organizações criminosas e contextos de vulnerabilidade.


Mais do que números: o impacto das ausências

A websérie também provoca reflexão sobre como a violência contra a mulher foi historicamente naturalizada, inclusive por discursos culturais e sociais.

Ao trazer histórias reais, o projeto evidencia que o feminicídio não termina com a morte da vítima. Ele atinge famílias, filhos e toda a sociedade.

“Não há dados sobre os órfãos. Eles são invisíveis. Não existem políticas específicas, nem protocolos”, foi um dos pontos destacados durante o evento.


Quando assistir

A websérie “Ausências” será lançada oficialmente no dia 30 de março, junto com o Mapa do Feminicídio, ampliando o acesso à informação e fortalecendo o debate sobre o tema.

A iniciativa faz parte das ações do MPSC para combater a violência de gênero, utilizando a linguagem audiovisual como ferramenta de conscientização.

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