UFSC aponta esgoto como causa de mortandade de peixes em Florianópolis
Uma das conclusões da Nota Técnica elaborada por pesquisadores do programa Ecoando Sustentabilidade
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A Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) apontou que a poluição crônica por esgoto não tratado está associada à mortandade de peixes na bacia do Itacorubi, registrada no dia 22 de abril no Parque Natural Municipal do Manguezal do Itacorubi, em Florianópolis. Essa é uma das conclusões da Nota Técnica elaborada por pesquisadores do programa Ecoando Sustentabilidade, da Universidade.
A nota é assinada pelos pesquisadores Alessandra Larissa Fonseca e Paulo Horta. No documento, os pesquisadores destacam que “a mortandade massiva de peixes registrada entre 22 de abril de 2026 no Parque Natural Municipal do Manguezal do Itacorubi, em Florianópolis, foi causada principalmente por asfixia decorrente da formação de “zonas mortas” — áreas com níveis críticos de oxigênio dissolvido, muitas vezes inferiores a 2 mg/L”.
“Este fenômeno é resultado da poluição crônica por esgoto doméstico não tratado na bacia do Itacorubi, que, ao introduzir excesso de matéria orgânica, favorece a decomposição bacteriana intensa e o consumo acelerado de oxigênio, quadro agravado por altas temperaturas anômalas, baixo regime de chuvas e falhas no sistema de saneamento. Além da anoxia, a análise das brânquias sugere a possível influência de substâncias tóxicas do escoamento urbano”.
A equipe técnica do projeto sugere a realização de ações emergenciais como a remoção dos animais mortos, fiscalização rigorosa do sistema de esgoto e implementação de monitoramento constante, inclusive com o apoio de ferramentas de ciência cidadã como o aplicativo “Cientistas do Mar”.
O que diz o IMA
Em nota, o Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina (IMA) informa que “a mortandade de peixes registrada no Manguezal do Itacorubi está associada à redução acentuada de oxigênio dissolvido na água, conforme trazido desde as primeiras horas do evento e na nota técnica divulgada”. Afirma também que a previsão do relatório final seja concluído no prazo de até 20 dias.
“As evidências levantadas até o momento indicam que essa queda de oxigênio foi provocada principalmente por florações de microalgas.
Entre os fatores observados estão a variação do oxigênio entre o dia e a noite, com queda acentuada no período noturno; as elevadas concentrações de microalgas, especialmente diatomáceas penadas e dinoflagelados da família Karenaceae, nas amostras analisadas; os picos de clorofila e alterações na coloração da água identificados até mesmo por imagens de satélite nas baías Norte e Sul; e a ocorrência de mortandade em outros pontos de baixa circulação nos últimos 40 dias.
A presença de poluentes associados aos efluentes sanitários não está descartada, especialmente em ambientes urbanos, e pode contribuir para a potencialização do evento.
Contudo, pela escala do evento, sua ocorrência em diferentes locais e a detecção até mesmo por imagens de satélite, as evidências apontam para um fenômeno meteorológico e oceanográfico de maior abrangência como principal responsável.
Com a mudança recente no padrão de ventos e correntes, espera-se a dispersão gradual das florações e a melhora das condições ambientais nos próximos dias.
Paralelamente, o IMA está elaborando um relatório técnico mais abrangente sobre o episódio. O documento reunirá análises ambientais detalhadas, avaliação da dinâmica do evento, além de dados de monitoramento, imagens de satélite e outras evidências científicas necessárias para embasar a análise do caso. A previsão é que o relatório final seja concluído no prazo de até 20 dias”.
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