Tragédia na boate Kiss completa 13 anos; saiba como está o processo do caso
O incêndio ocorrido em 2013, deixou 242 mortos e mais de 600 feridos
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Nesta terça-feira (27), a tragédia da Boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, completa 13 anos. O incêndio ocorrido em 2013, deixou 242 mortos e mais de 600 feridos.
Mais de uma década depois, a data segue marcada por homenagens, mobilização social e, principalmente, pela sensação de justiça inacabada, já que o processo criminal ainda não teve trânsito em julgado.
Como nos outros anos, familiares e sobreviventes realizaram uma vigília em Santa Maria durante a madrugada. Em ação ecumênica com flores, velas e mensagens, os manifestantes lembraram cada uma das 242 vítimas da tragédia. Para esta terça, estão previstas ainda a leitura dos nomes das vítimas e a apresentação de um vídeo com a retrospectiva cronológica do caso, a partir das 17 horas.
O que aconteceu na Boate Kiss
Na madrugada de 27 de janeiro de 2013, um artefato pirotécnico usado pela banda Gurizada Fandangueira atingiu a espuma acústica do teto da boate. O material inflamável produziu uma fumaça altamente tóxica, que se espalhou rapidamente pelo ambiente. A falta de saídas adequadas, falhas na sinalização e problemas estruturais agravaram a tragédia.
Como está o processo judicial 13 anos depois
Após anos de investigação, recursos e adiamentos, o caso foi julgado pelo Tribunal do Júri em dezembro de 2021. Na júri, os quatro réus foram condenados por homicídio com dolo eventual. Os dois ex-sócios da Boate Kiss, Elissandro Callegaro Spohr, conhecido como Kiko, e Mauro Londero Hoffmann, além do vocalista da Banda Gurizada Fandangueira, Marcelo de Jesus dos Santos e o produtor musical Luciano Bonilha Leão receberam penas que variam de 18 e 22 anos.
No entanto, o processo continuou em discussão nas instâncias superiores. Em 2025, decisões judiciais reduziram as penas aplicadas, que passaram a variar entre 11 e 12 anos de reclusão, considerando reavaliações técnicas das dosimetrias, isto é, reduções de pena.
Ainda em 2025, a Justiça autorizou a progressão para o regime semiaberto para três dos condenados, com base no tempo de pena já cumprido e no entendimento jurídico aplicado ao caso. Atualmente, nenhum dos réus cumpre pena em regime fechado integral.
O Ministério Público do Rio Grande do Sul recorreu das decisões que reduziram as penas e autorizaram a progressão de regime. Os recursos ainda aguardam análise em tribunais superiores, o que significa que o processo segue em tramitação e sem decisão definitiva.
Enquanto não houver trânsito em julgado, novas mudanças no cumprimento das penas ainda podem ocorrer.
Atos, memória e mobilização em Santa Maria
Como ocorre todos os anos, os 13 anos da tragédia são lembrados com uma programação de homenagens em Santa Maria. Vigílias, caminhadas silenciosas, missas, leitura dos nomes das vítimas e manifestações públicas reúnem familiares, sobreviventes e apoiadores.
Entidades como a Associação dos Familiares de Vítimas e Sobreviventes da Tragédia de Santa Maria destacam que a data não é apenas de luto, mas também de cobrança por justiça, fiscalização e políticas públicas de prevenção.
Memorial da Boate Kiss segue em obras
Memorial em homenagem às vítimas, prometido como espaço permanente de lembrança e educação para a prevenção de tragédias, ainda não foi concluído. A obra enfrentou atrasos por ajustes técnicos e questões burocráticas, e a previsão atual é de entrega ao longo de 2026.
Para familiares e sobreviventes, a memória das 242 vítimas segue viva, assim como o compromisso de lutar para que uma tragédia como essa nunca mais se repita.
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