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VIOLÊNCIA EXTREMA

Tortura e corpos em vala: delegado detalha mortes de jovens de MG desaparecidos em SC

Segundo delegado, o local onde os jovens de MG foram achados mortos já era conhecido por desova de corpos; dois foram enterrados ontem e os outros dois foram enterrados nesta terça-feira (6)

• Atualizado

Ricardo Souza

Por Ricardo Souza

Tortura e corpos em vala delegado detalha mortes de jovens de MG desaparecidos em SC – Foto: Divulgação/Redes Sociais
Tortura e corpos em vala delegado detalha mortes de jovens de MG desaparecidos em SC – Foto: Divulgação/Redes Sociais

Uma tragédia marcada por mistério, violência e dor abalou famílias de Minas Gerais e Santa Catarina. Os corpos de quatro jovens que estavam desaparecidos desde o dia 28 foram encontrados na manhã do último sábado (3), às margens de uma estrada no bairro Fundos, em Biguaçu, na Grande Florianópolis. A Polícia Civil trata o caso como homicídio quádruplo e investiga as circunstâncias, a motivação e a autoria do crime.

As vítimas foram identificadas como Daniel Luiz da Silveira, de 28 anos, Bruno Máximo da Silva, também de 28, Guilherme Macedo de Almeida, de 20, e Pedro Henrique Prado de Oliveira, de 19 anos. Os quatro haviam se mudado recentemente para Santa Catarina em busca de oportunidades de trabalho e foram vistos pela última vez na madrugada do domingo (28), em frente ao prédio onde moravam, no bairro Barreiros, em São José.

Tortura e corpos em vala: delegado detalha mortes de jovens de MG desaparecidos em SC - Foto: PMSC
Tortura e corpos em vala: delegado detalha mortes de jovens de MG desaparecidos em SC – Foto: PMSC

Corpos amarrados e com marcas de tiros

De acordo com o delegado Pedro Mendes, as investigações ainda estão em fase inicial. Ele explicou que, desde o desaparecimento dos jovens, uma força-tarefa foi montada para tentar localizá-los com vida.

O ponto onde os corpos dos quatro jovens mineiros foram localizados, em Santa Catarina, já havia sido utilizado anteriormente para o abandono de outros corpos. A informação foi confirmada pelo delegado Pedro Mendes.

Desde que os quatro jovens desapareceram no dia 28, foi feito um trabalho intenso na tentativa de localizá-los. A ideia inicial era de que eles pudessem ser encontrados vivos, por isso o caso estava com a delegacia de desaparecidos”, explicou o delegado.

Com a localização dos corpos, a investigação passou a ser conduzida pela Delegacia de Polícia da Comarca de Biguaçu, município onde eles foram encontrados.

“Ainda não se sabe se eles foram mortos em Biguaçu ou se apenas tiveram os corpos deixados no local. As primeiras diligências envolvem a oitiva de familiares e a busca por imagens de câmeras de segurança que possam mostrar o trajeto feito pelos jovens”, afirmou Mendes.

Segundo o delegado, os corpos estavam envoltos em lençóis e panos, apresentavam ferimentos causados por disparos de arma de fogo, mas não havia sinais de decapitação.

Existem orifícios decorrentes de projéteis de arma de fogo, mas ainda aguardamos o laudo pericial para confirmar a causa das mortes e detalhar os ferimentos. Esse documento é fundamental para entender a dinâmica do crime”, destacou.

A Polícia Militar foi a primeira a chegar ao local, isolou a área e acionou a Polícia Científica e a Polícia Civil, que deram início aos trabalhos periciais.

Corpos são encontrados em vala em Biguaçu e podem ser de jovens mineiros desaparecidos | Foto: divulgação / PMSC

Quem são as vítimas?

  • Bruno Máximo da Silva, de 28 anos, natural de Guaranésia (MG)
  • Guilherme Macedo de Almeira, de 20 anos, natural de Guaranésia (MG)
  • Daniel Luiz da Silveira, de 28 anos, natural de Guaxupé (MG)
  • Pedro Henrique Praso de Oliveira, de 19 anos, natural de Araraquara (SP)

Investigação segue com apoio de outras delegacias

O delegado ressaltou que a apuração contará com apoio especializado. “As diligências ainda são iniciais, mas confiamos no trabalho dos policiais de Biguaçu, que contarão com o auxílio da Delegacia de Homicídios de São José. A expectativa é esclarecer, nos próximos dias, como os fatos aconteceram, qual foi a motivação e quem são os responsáveis”, concluiu.

Reconhecimento por tatuagens e despedidas marcadas pela dor

A confirmação das mortes foi feita após contato com a Polícia Civil de Santa Catarina. O reconhecimento preliminar ocorreu por meio de tatuagens, já que o estado dos corpos impediu a identificação facial.

Daniel Luiz da Silveira e Bruno Máximo da Silva foram sepultados em Guaxupé (MG), sem velório, devido às condições em que os corpos foram encontrados. Já Guilherme Macedo de Almeida e Pedro Henrique Prado de Oliveira foram velados e sepultados em Guaranésia, no Sul de Minas, nesta terça-feira (06).

“Eu vou enterrar ele com uma foto”, diz mãe de Pedro

Entre as histórias interrompidas de forma brutal, a de Pedro Henrique, de apenas 19 anos, emociona. Garçom, sonhador e cheio de planos, ele havia deixado Guaranésia no fim de outubro para trabalhar em Santa Catarina e ajudar a mãe e os irmãos.

A mãe, Sílvia Aparecida do Prado, relembra o filho com carinho e dor, “Ele era um menino muito amoroso, um menino que amava viver”, disse, emocionada.

Nas mãos, Sílvia segura a foto que escolheu para acompanhar o filho no último adeus.

“Imprimi uma foto pra colocar no caixão, porque ali é onde eu vou enterrar ele. Vai ser o cantinho dele. Eu quero que Deus conforte a alma dele, porque ele não vai voltar”, lamentou.

Ela conta que a última conversa com Pedro aconteceu no Natal, em uma chamada de vídeo de cerca de quatro minutos.

Ele participou da confraternização do trabalho, estava muito feliz. Essa foi a última vez que eu vi meu filho.”

Segundo a família, Pedro era determinado e cheio de sonhos.

“Ele era muito sonhador, queria ter as coisas dele, dar um futuro melhor pra família. Surgiu uma oportunidade em Santa Catarina e ele foi”, relembrou a mãe.

“Eu vou enterrar ele com uma foto”, diz mãe de Pedro

Caso segue sob investigação

Enquanto famílias tentam lidar com a dor da perda e se despedem dos jovens, a Polícia Civil segue trabalhando para esclarecer o crime que chocou Santa Catarina e Minas Gerais. Novas informações devem ser divulgadas conforme o avanço das investigações.

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