SC já tem 8 feminicídios em 2026 e é o 3º no ranking nacional
Estado já soma 8 casos até 20 de fevereiro, mesmo número registrado em todo o mês em 2024; número supera a média histórica de um caso por semana em SC
• Atualizado
Os primeiros 50 dias de 2026 já acendem um alerta em Santa Catarina. Até 20 de fevereiro, oito mulheres foram vítimas de feminicídio no estado. O número coloca o início do ano acima da média mensal registrada nos últimos anos e iguala, já na metade do mês, todo o total de fevereiro de 2024.
Para efeito de comparação, em fevereiro de 2024 foram registrados oito feminicídios. Já em fevereiro de 2025, o número havia sido menor: cinco casos. Em 2026, antes mesmo do fechamento do mês, o estado já soma oito mortes, o mesmo patamar de dois anos atrás e acima do registrado no ano passado.
Somente nos 10 primeiros dias de janeiro, quatro mulheres foram assassinadas mais do que todo o mês de janeiro de 2025. A sequência interrompe uma tendência de leve queda observada recentemente e reacende a preocupação com a violência letal contra mulheres no estado.
Em 2025, Santa Catarina registrou 52 feminicídios. Antes disso, foram 51 em 2024, 57 casos em 2023, 57 em 2022, 55 em 2021 e 57 em 2020. Apesar da redução no último ano, a média histórica permanece próxima de um caso por semana.
No cenário nacional, o quadro também é grave. Em 2025, o Brasil registrou recorde de feminicídios, com mais de 1.500 mulheres assassinadas, quase quatro mortes por dia.
Os casos que marcaram SC no início de 2026
O primeiro feminicídio do ano ocorreu nas primeiras horas de 1º de janeiro, em São João Batista, na Grande Florianópolis. Stephanny Cassiana foi encontrada morta com mais de 10 golpes de faca na casa de uma amiga. O suspeito é o companheiro da amiga.
No dia 2, Marivane Fátima Sampaio, de 25 anos, foi encontrada gravemente ferida dentro de casa, em Chapecó. Ela morreu quatro dias depois. O principal suspeito é o ex-companheiro, que não aceitava o fim do relacionamento e morreu no mesmo dia do crime.
Em 9 de janeiro, União do Oeste registrou dois casos. Juvilete Kviatkoski foi encontrada morta em casa, e a filha dela, de 15 anos, também foi esfaqueada e não resistiu. O suspeito é o marido e pai das vítimas. No mesmo município, também foi registrado o assassinato de Mariana Vitória Cuochinski.
No dia 16 de janeiro, o corpo de Isabela Miranda Borck, de 17 anos, foi localizado após cerca de 45 dias desaparecida. O pai é apontado como principal suspeito. Ele já estava preso desde dezembro e havia sido condenado pelo estupro da filha dias antes do desaparecimento. O caso é tratado como feminicídio.
No dia 17, Daiane Simão, de 35 anos, foi morta em frente à base da Polícia Militar, em Balneário Piçarras. Ela tinha medida protetiva contra o ex-companheiro e buscava ajuda quando foi assassinada. O suspeito havia deixado a prisão quatro dias antes e morreu no mesmo dia.
Em 25 de janeiro, Ana Dayse Gomes Provensi, de 36 anos, foi encontrada morta em uma residência em Maravilha. O companheiro se apresentou à polícia e confessou o crime após uma discussão.
Já em 9 de fevereiro, Ana Paula Farias, de 42 anos, foi encontrada morta com sinais de asfixia dentro da própria casa, em Balneário Camboriú.
No dia 16 de fevereiro, Pricila Dolla, de 37 anos, foi morta a tiros pelo ex-companheiro em Rio Negrinho. Segundo a Polícia Militar, ele não aceitava o término do relacionamento. Após o crime, tentou tirar a própria vida e sobreviveu.
Padrões que se repetem
A análise dos casos revela elementos recorrentes: inconformismo com o fim do relacionamento, histórico de violência doméstica, descumprimento de medidas protetivas, crimes cometidos dentro da residência da vítima e tentativas de suicídio por parte dos autores.
Em pelo menos dois registros deste início de ano havia medida protetiva em vigor. Em outros, existiam relatos de agressões anteriores. A maioria dos feminicídios foi cometida por companheiros ou ex-companheiros, principalmente em contextos de separação.
Com os números ainda em ascensão, 2026 começa repetindo uma estatística que há anos coloca Santa Catarina entre os estados com índices elevados de feminicídio.
Medidas e prevenção
O Governo de Santa Catarina confirmou adesão ao Pacto Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio, iniciativa que reúne os três Poderes no combate à violência contra mulheres. O estado também mantém campanhas próprias de conscientização.
Uma das ações mais recentes contou com a participação do campeão do UFC Fabrício Werdum e foi direcionada ao público masculino, com foco na prevenção e no enfrentamento da violência antes que ela evolua para situações extremas.
A estratégia aposta na mudança cultural e no envolvimento da sociedade como complemento às políticas de repressão.
Onde buscar ajuda
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelo telefone 180, de forma gratuita e sigilosa. Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.
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