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ATENÇÃO

Polícia prende líder do PCC tido como mandante da morte de delegado

Fernando Alberto Pinheiro, conhecido como Azul, deixou o presídio de Mossoró no mês passado. Delegado Ruy Ferraz foi morto em 15 de setembro

• Atualizado

Ricardo Souza

Por Ricardo Souza

Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado-geral da Polícia Civil de SP- Foto: SBT
Ruy Ferraz Fontes, ex-delegado-geral da Polícia Civil de SP- Foto: SBT

A Polícia Civil de São Paulo prendeu, quarta-feira (13), três integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) suspeitos de participação no assassinato do ex-delegado-geral da Polícia Civil, Ruy Ferraz Fontes, ocorrido em 15 de setembro do ano passado. Entre os detidos estão Fernando Gonçalves dos Santos, conhecido como Azul, apontado como integrante do alto escalão da facção, Márcio Serapião Pinheiro, o Velhote, e um homem identificado como Manoelzinho.

De acordo com as investigações, o crime teria sido motivado por vingança relacionada à atuação de Ruy Ferraz à frente da Secretaria da Segurança Pública de São Paulo. Em 2019, durante sua gestão, Azul esteve entre os presos transferidos da Penitenciária de Presidente Venceslau para presídios federais, por solicitação do Ministério Público. Ele cumpriu pena em Mossoró, no Rio Grande do Norte, e deixou o sistema prisional no mês passado. Condenado a 28 anos de prisão, Azul também é investigado por envolvimento em planos do PCC para assassinar autoridades, como o ex-ministro da Justiça Sergio Moro e o promotor Lincoln Gakiya.

Segundo a polícia, Velhote teria atuado no suporte logístico e financeiro da execução, sendo responsável por pagar Umberto Alberto Gomes, apontado como um dos atiradores. Umberto morreu em confronto com forças policiais no Paraná. Já Manoelzinho teria ficado encarregado de monitorar a rotina do ex-delegado no dia do crime, repassando informações aos executores.

Azul foi preso na Baixada Santista, enquanto Velhote e Manoelzinho foram detidos nas cidades de Jundiaí e Caraguatatuba. A Polícia Civil ainda não detalhou quais elementos levaram à conclusão de que os três atuaram como mandantes do crime. A Secretaria da Segurança Pública informou que deve conceder uma entrevista coletiva no fim da tarde desta terça-feira para esclarecer os avanços da investigação.

Morte de Ruy

  • A execução de Ruy Ferraz Fontes, registrada às 18h16 de 15 de setembro, teve precisão de ataque preparado.
  • A vítima havia deixado a prefeitura minutos antes, em seu carro, quando foi perseguida pelo veículo dos assassinos, do qual tentou fugir.
  • O relatório policial descreve que “os autores portavam armamento de guerra com elevado poder destrutivo”.
  • Após a colisão do carro do ex-delegado-geral com dois ônibus, os criminosos desceram e fizeram “novos e incessantes disparos, de forma coordenada”, anulando qualquer possibilidade de defesa.

Quem é Azul, um dos líderes do PCC

Ainda nos anos 1990, Azul já figurava nos registros policiais por roubos e tráfico de drogas. Mas foi na Baixada Santista que consolidou sua posição, controlando pontos estratégicos do comércio de drogas e impondo respeito com uma combinação de “crueldade e disciplina”. Sua influência crescia em paralelo ao fortalecimento do PCC.

Em 2001, ele foi preso no Rio Grande do Sul, ao lado de outros membros da facção, portando armas de grosso calibre. Isso não representou um declínio, mas um salto. A detenção reforçou sua legitimidade interna, transformando-o em elo entre diferentes “quebradas” e conectando-o diretamente às lideranças que operavam já sob o comando de Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, apontado como líder máximo da organização criminosa.

A notoriedade de Azul aumentou em 2011, quando foi apontado como o mandante do assassinato do policial militar Fábio Lopes Apolinário, em Santos. O crime, de forte impacto simbólico, evidenciou sua capacidade de desafiar o estado. A partir desse episódio, ele passou a ser monitorado intensamente por órgãos de inteligência.

Nos bastidores da facção, Azul conquistou um posto raro: o de Sintonia Final, núcleo estratégico responsável pelas principais decisões do PCC.

Relatórios oficiais apontam que sua nomeação foi aprovada por Marcola, em 2018, confirmando-o como figura de confiança da cúpula. A posição lhe permitia articular ações em diferentes estados e, até mesmo, em países vizinhos, como Paraguai e Bolívia, países estratégicos para o tráfico de drogas e armas.

Essa escalada resultou em operações de grande porte, como a do Grupo de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de São Paulo (MPSP), deflagrada em novembro de 2020. Chamada de Operação Colorido, ela reforçou o envolvimento direto do criminoso na coordenação de células do PCC na Baixada Santista.

Sua influência não se limitou a São Paulo. No Rio Grande do Norte, relatórios de inteligência o vincularam a massacres em presídios, durante a guerra entre facções. O episódio mais brutal ocorreu em 2017, quando 26 presos foram decapitados em uma penitenciária potiguar.

Embora distante fisicamente, Azul aparecia como articulador das estratégias que expandiam o PCC para o Nordeste, em clara disputa contra rivais como o Sindicato do Crime (SDC).

*Com informações do Metrópoles.

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