Especialistas dos EUA debatem segurança escolar em SC
A proposta é criar uma rede capaz de identificar estudantes em situação de crise e agir de forma preventiva
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O primeiro dia do Encontro Nacional de Avaliação de Ameaças Comportamentais e Segurança Escolar, realizado nesta segunda-feira (16), em Florianópolis, trouxe um debate considerado inovador sobre a prevenção da violência nas escolas brasileiras. O evento é sediado pela Polícia Civil de Santa Catarina e reúne especialistas nacionais e internacionais.
O destaque foi a participação do National Threat Assessment Center (NTAC), órgão ligado ao Serviço Secreto dos Estados Unidos, que apresentou estratégias baseadas na análise comportamental como principal ferramenta para evitar tragédias em ambientes escolares.
Análise de comportamento ganha protagonismo
Durante o encontro, a especialista Emma Virden destacou que não existe um “perfil padrão” de agressor escolar. Segundo ela, focar apenas em características físicas ou diagnósticos pode ser um erro.
A abordagem mais eficaz, de acordo com os estudos apresentados, é observar mudanças de comportamento e sinais de alerta. Essa análise permite identificar indivíduos em possível trajetória de violência antes mesmo que um ataque seja planejado.
“A prevenção começa quando se observa o comportamento, não o estereótipo”, é a linha central defendida pelos especialistas.
Prevenção exige atuação conjunta
Outro ponto forte do debate foi a necessidade de ações integradas. A pesquisadora e supervisora do Serviço Secreto Americano, Ashley Smolinski, destacou que a segurança escolar não deve ser responsabilidade exclusiva da polícia.
Segundo ela, o modelo mais eficiente envolve equipes multidisciplinares dentro das escolas, com a participação de educadores, profissionais de saúde mental e forças de segurança.
A proposta é criar uma rede capaz de identificar estudantes em situação de crise e agir de forma preventiva, evitando que situações evoluam para violência.
Estudos mostram que ataques não são impulsivos
O especialista Kevin Maass trouxe ao evento análises baseadas em pesquisas científicas e estudos de caso. Com formação em Criminologia pela George Mason University, nos Estados Unidos, ele destacou que ataques em escolas raramente acontecem de forma repentina.
De acordo com os dados apresentados, na maioria dos casos os agressores demonstram sinais prévios, seja em conversas com amigos, familiares ou até em publicações nas redes sociais.
O alerta principal, conforme Maass é para não ignorar comportamentos suspeitos, “brincadeiras” violentas ou postagens na internet que possam sugerir violência.
O modelo defendido pelos especialistas internacionais já vem sendo implementado em Santa Catarina, com iniciativas que buscam integrar diferentes áreas no monitoramento e prevenção de ameaças.
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