Em 46 dias, sete mulheres são vítimas de feminicídio em SC
Ao menos sete mulheres foram mortas até 16 de fevereiro. A maioria dos crimes foi cometida por companheiros ou ex-companheiros das vítimas
• Atualizado
Os primeiros 46 dias de 2026 já deixaram uma marca preocupante em Santa Catarina: ao menos sete mulheres foram vítimas de feminicídio no estado até 16 de fevereiro. Esse número coloca o início do ano acima da média mensal registrada nos últimos anos e reacende o alerta para a violência contra a mulher.
O número de mortes de mulheres chama ainda mais atenção quando comparado ao mesmo período anterior. Somente nos 10 primeiros dias de janeiro deste ano, quatro feminicídios foram contabilizados, mais do que todo o mês de janeiro de 2025.
No ano passado foram 52 casos. A série histórica mostra que os números seguem elevados: 51 registros em 2024; 57 em 2023; 57 em 2022; 55 em 2021; e 57 em 2020.
O primeiro caso de 2026 foi registrado nas primeiras horas do dia 1º de janeiro, em São João Batista, na Grande Florianópolis. Stephanny Cassiana foi encontrada morta com mais de 10 golpes de faca, dentro da casa de uma amiga. O suspeito é o companheiro da amiga.
No dia 2, Marivane Fátima Sampaio, de 25 anos, foi encontrada gravemente ferida dentro de casa, em Chapecó, no Oeste. Ela chegou a ser hospitalizada, mas morreu quatro dias depois. O principal suspeito é o ex-companheiro, que, segundo a polícia, não aceitava o fim do relacionamento e morreu no mesmo dia do crime.
Em 9 de janeiro, União do Oeste registrou dois casos. Juvilete Kviatkoski foi encontrada morta dentro da residência, e a filha dela, de 15 anos, também foi esfaqueada e não resistiu. A prefeitura confirmou que o suspeito é o marido e pai das vítimas. No mesmo município, também foi registrado o assassinato de Mariana Vitória Cuochinski.
No dia 16 de janeiro, o corpo de Isabela Miranda Borck, de 17 anos, foi localizado após cerca de 45 dias desaparecida. O pai dela é apontado como principal suspeito. Ele já estava preso desde dezembro e havia sido condenado pelo estupro da filha dias antes do desaparecimento. O caso é tratado como feminicídio.
No dia 17, Daiane Simão, de 35 anos, foi morta em frente à base da Polícia Militar, em Balneário Piçarras. Ela possuía medida protetiva de urgência contra o ex-companheiro e buscava ajuda quando foi assassinada. O homem havia deixado a prisão quatro dias antes, onde estava detido por violência doméstica, e morreu no dia do crime.
Em 25 de janeiro, Ana Dayse Gomes Provensi, de 36 anos, foi encontrada morta em uma residência no bairro Kasper, em Maravilha. O companheiro se apresentou à polícia e confessou o crime após uma discussão durante a madrugada.
Já em 9 de fevereiro, Ana Paula Farias, de 42 anos, foi encontrada morta com sinais de asfixia dentro da própria casa, em Balneário Camboriú. A Polícia Militar foi acionada e o caso é investigado como feminicídio.
No dia 16 de fevereiro, Pricila Dolla, de 37 anos, foi morta a tiros pelo ex-companheiro em Rio Negrinho. Segundo a Polícia Militar, o autor estava inconformado com o término do relacionamento. Após o crime, ele tentou tirar a própria vida, foi socorrido e sobreviveu.
Os registros deste início de ano mantêm um padrão recorrente: a maioria dos crimes foi cometida por companheiros ou ex-companheiros das vítimas, frequentemente em contextos de término de relacionamento. Com os números ainda em ascensão, 2026 começa repetindo uma estatística que há anos coloca Santa Catarina entre os estados com altos índices de feminicídio.
Padrões que se repetem
A análise dos casos revela elementos recorrentes:
- Inconformismo com o fim do relacionamento;
- Histórico de violência doméstica;
- Descumprimento de medidas protetivas;
- Crimes cometidos dentro da residência da vítima;
- Tentativas de suicídio por parte do agressor.
Em pelo menos dois casos registrados neste início de ano, havia medida protetiva em vigor contra os suspeitos. Em outros, os suspeitos tinham histórico de agressões ou conflitos anteriores.
Onde buscar ajuda
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelo telefone 180, de forma gratuita e sigilosa. Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.
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