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FEMINICÍDIO

Em 11 dias de 2026, quatro mulheres são mortas e expõem crise silenciosa em SC

Estado mais seguro do país enfrenta números persistentes de mortes por violência de gênero. Crimes acontecem, em maioria, em relações afetivas e familiares

• Atualizado

Ricardo Souza

Por Ricardo Souza

Em 11 dias de 2026, quatro mulheres são mortas e expõem crise silenciosa em SC – Foto: Ricardo Souza/ Montagem SCC10
Em 11 dias de 2026, quatro mulheres são mortas e expõem crise silenciosa em SC – Foto: Ricardo Souza/ Montagem SCC10

Santa Catarina vive um início de ano marcado pela violência contra a mulher. Em apenas dez dias de 2026, quatro mulheres foram brutalmente assassinadas no estado em crimes de feminicídio. Em todos os casos, os suspeitos eram pessoas próximas ou com vínculo direto com as vítimas. O número já supera todo o mês de janeiro de 2025, quando três mortes foram registradas, segundo dados do Observatório de Violência contra a Mulher em Santa Catarina (OVM-SC).

O primeiro crime ocorreu poucas horas após a virada do ano, em São João Batista, na Grande Florianópolis. Stephanny Cassiana da Silva, de 40 anos, natural de Goiana (PE), foi morta a facadas ao tentar defender uma amiga que era agredida pelo companheiro. O homem, alcoolizado, iniciou uma discussão dentro da residência. Ao tentar evitar novas agressões, Stephanny levou a amiga e a filha dela para fora da casa e permaneceu sozinha com o agressor, que desferiu mais de dez golpes de faca contra ela. A vítima chegou a ser socorrida, mas morreu no hospital. O suspeito fugiu e segue foragido.

Stephanny Cassiana da Silva, de 40 anos, natural de Goiana (PE), foi morta a facadas ao tentar defender uma amiga que era agredida pelo companheiro

Em Chapecó, no Oeste do estado, Marivane Fátima Sampaio, de 25 anos, foi assassinada dentro de casa pelo ex-companheiro, que não aceitava o fim do relacionamento. A jovem havia trocado as fechaduras da residência, solicitado medidas protetivas e registrado boletins de ocorrência com ameaças explícitas. Mesmo assim, o agressor invadiu o imóvel e a espancou até a morte. Após o crime, ele fugiu, mas foi localizado pela polícia. Cercado, tentou tirar a própria vida, foi socorrido e morreu no hospital.

A morte de Marivane Fátima Sampaio, de 25 anos, foi confirmada na terça-feira (6) e configura o segundo feminicídio registrado em Santa Catarina em 2026.

Outro caso chocou o pequeno município de União do Oeste. Juvilete Kviatkoski, de 37 anos, e a filha, Mariana Vitória Cuochinski, de apenas 15, foram assassinadas a facadas dentro de casa. O principal suspeito era o marido de Juvilete e pai da adolescente. A polícia foi acionada após denúncia de agressões. Quando chegou ao local, a jovem já havia sido socorrida, mas não resistiu. A mãe morreu no local. O suspeito reagiu à abordagem policial, tentou agredir os agentes e acabou sendo morto. A cidade decretou luto oficial de três dias.

Foto: Redes Sociais/Reprodução

Os números reforçam um cenário preocupante. Em 2025, Santa Catarina registrou 48 feminicídios, segundo o OVM-SC. Entre janeiro e novembro do ano passado, foram 47 casos, com destaque para novembro, quando nove mulheres foram mortas em crimes motivados por violência de gênero. A série histórica mostra que o estado mantém uma média alta e constante: 57 feminicídios em 2020, 55 em 2021, 57 em 2022 e 2023, e 51 em 2024.

O cenário expõe uma dura contradição. Embora Santa Catarina seja apontada como o estado mais seguro do Brasil, com a menor taxa de mortes violentas do país, os índices de feminicídio seguem elevados e persistentes. Os números revelam uma violência silenciosa, enraizada em relações afetivas e familiares, que continua tirando a vida de mulheres de diferentes idades e regiões, apesar das estatísticas positivas na segurança pública geral.

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