Novos trechos de depoimento revelam contradições de tenente acusado de matar PM Gisele
Conteúdo obtido com exclusividade pelo SBT mostra divergências na versão apresentada por PM Geraldo
• Atualizado
Novos trechos da gravação feita pela Polícia Civil revelam contradições no depoimento do tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo, Geraldo Leite Rosa Neto, acusado de matar a esposa, Gisele Alves Santana. O material levanta dúvidas sobre a versão apresentada pelo oficial.
Preso e réu por feminicídio e fraude processual, Geraldo nega contato com o corpo, mas há vestígios de sangue e divergências sobre a arma e o socorro.
A análise pericial identificou vestígios em uma bermuda, toalha, torneiras, paredes e no box do banheiro. O oficial atribuiu as marcas ao atendimento prestado pelos bombeiros.
Tenente: “Eu não encostei no corpo em nenhum momento, nem no corpo, nem na arma”
Delegado: “Então, se encontrar, se você quer falar que se a perícia encontrar alguma mancha de sangue no chão do banheiro, seria decorrente do bombeiro?
Tenente: “Eu acredito que sim, porque minha não é, porque eu pisei lá.”
Falas sobre gastos de Gisele levantaram suspeitas
O oficial da PM, que está preso acusado de feminicídio e fraude processual, fez questão de falar em detalhes sobre dinheiro. Para os investigadores, foi uma tentativa de inverter os papéis.
“Ela fez prótese de silicone, rinoplastia, afinou o nariz e o deixou empinado, tirou as bochechas por dentro para ficar com o rosto fininho, o que se chama bichectomia, aplicou botox no rosto e preenchimento labial para a boca ficar maior. Com isso, ela gastou, segundo ela, cerca de R$ 40.000 e fez um empréstimo bancário para isso, dividido em 10 anos, disse Geraldo.
Demora em pedir socorro e contradições sobre a arma com Gisele
Segundo investigadores, alguns pontos do depoimento chamaram a atenção: a demora de cerca de 30 minutos para acionar socorro e a ausência de tentativa de primeiros socorros
A perícia também alegou contradições sobre a posição da arma no local. A forma como os bombeiros chegaram foi o primeiro sinal de alerta que aquilo não era um caso de suicídio.
Delegado: “Você não fez nenhum tipo de primeiro socorro nela, né?
Tenente: “Eu tinha noção de que ela ia morrer! Um tiro na cabeça, disparado por uma arma calibre (40), tem chance mínima de sobrevivência.
Delegado: “Quando você encontrou o corpo, a arma estava na mão dela?”
Tenente: “Estava sim.”
Delegado: “Na reconstituição, você falou que a arma não estava na mão.”
Tenente: “Jamais! Se falaram isso, colocaram palavras na minha boca.”
O caso
Gisele foi encontrada morta no dia 18 de fevereiro. O tenente-coronel disse que a soldado se matou, enquanto ele estava no banho, depois de uma conversa sobre um possível divórcio. A soldado teria usado a arma do marido.
O caso segue sob investigação da Polícia Civil de São Paulo. O oficial está preso e responde por feminicídio e fraude processual.
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