Condenada por homofobia após caso em padaria é presa em aeroporto
Jaqueline Santos Ludovico teve a prisão preventiva decretada ao voltar da Espanha; ela responde por atropelamento, e não podia deixar o país
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A mulher que ficou conhecida por agredir um casal de homens em uma padaria no centro de São Paulo foi presa na quarta-feira (4) ao desembarcar no Aeroporto Internacional de Viracopos, em Campinas (SP), vinda da Espanha.
O caso que deu notoriedade à suspeita ocorreu em 3 de fevereiro de 2024, na padaria Iracema, no bairro Santa Cecília. No entanto, esse episódio não foi o motivo direto da prisão de Jaqueline Santos Ludovico, de 35 anos.
Ela é ré em um processo por atropelamento seguido de fuga e foi detida por descumprir medidas cautelares impostas pela Justiça, além de ter viajado ao exterior sem autorização judicial. A abordagem aconteceu sem resistência, na presença de um advogado, e nada de ilícito foi encontrado com ela.
Segundo a decisão judicial, Jaqueline deveria comparecer mensalmente ao fórum criminal e não poderia se ausentar do estado de São Paulo por mais de oito dias sem autorização. As determinações não foram cumpridas, e, em janeiro deste ano, a Justiça decretou sua prisão preventiva.
Atropelamento e fuga
O atropelamento aconteceu em 14 de junho de 2024, na madrugada, no bairro da Barra Funda, também na região central da capital paulista.
De acordo com a investigação, Jaqueline atingiu um homem que atravessava na faixa de pedestres. Imagens de câmeras de segurança mostram a vítima sinalizando a travessia antes de ser atingida. Após o impacto, a motorista fugiu sem prestar socorro.
Pouco tempo depois, ela foi localizada pela polícia no mesmo local do acidente e presa em flagrante por lesão corporal, fuga do local e embriaguez ao volante. A vítima foi levada ao Hospital São Camilo de Santana, onde permaneceu em observação.
Agressões em padaria
A confusão na padaria Iracema teve início no estacionamento do estabelecimento. Segundo o boletim de ocorrência, um casal de homens tentava estacionar quando Jaqueline, que estava parada na vaga, se recusou a sair.
Ainda conforme o registro policial, ela bateu no retrovisor do carro e arremessou um cone contra o veículo. Em seguida, passou a xingar o casal com ofensas homofóbicas.
Mesmo após os homens entrarem na padaria, as agressões verbais continuaram. Um deles começou a gravar a situação. A Polícia Militar foi acionada, e o caso foi encaminhado à Delegacia de Repressão aos Crimes Raciais contra a Diversidade Sexual e de Gênero e outros Delitos de Intolerância (Decradi).
Condenação por homofobia
Em abril de 2025, Jaqueline foi condenada a dois anos e quatro meses de prisão, inicialmente em regime aberto, por injúria em razão da sexualidade. A sentença foi proferida pela juíza Ana Helena Rodrigues Mellim, da 31ª Vara Criminal.
Ela foi absolvida das acusações de lesão corporal, vias de fato e ameaça, por falta de provas conclusivas.
A pena de prisão foi substituída por prestação de serviços comunitários e pelo pagamento de indenização por danos morais. A mulher foi condenada a pagar cinco salários mínimos para cada vítima, além de outras custas processuais, somando cerca de R$ 21,9 mil.
Defesa
A Agência SBT informou que tenta contato com a defesa de Jaqueline. Caso haja manifestação, o texto será atualizado.
A Justiça segue apurando o caso do atropelamento e as circunstâncias do descumprimento das medidas judiciais.
*Com informações do SBT News.
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