Câmeras Corporais da PMSC voltam a ser discutidas
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram mulheres sendo imobilizadas durante ocorrências em Florianópolis e Braço do Norte
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Quando a câmera liga, a versão deixa de ser apenas palavra, se torna documento, verdade. Em Santa Catarina, onde o uso de câmeras corporais por policiais militares foi encerrado em 2024, dois novos casos de abordagens registrados em vídeo no último fim de semana mostraram a importância da transparência, controle da força e segurança nas ações policiais.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram mulheres sendo imobilizadas durante ocorrências na Capital, Florianópolis e Braço do Norte, na região sul do Estado. A abordagem ganhou repercussão e gerou questionamentos sobre mecanismos de controle e transparência na atuação policial.
Vídeos mostram abordagens em Florianópolis e Braço do Norte
Em Florianópolis, no bairro Monte Cristo, imagens gravadas por testemunhas mostram uma mulher já imobilizada sendo atingida com um tapa no rosto durante uma confusão em uma barbearia.
Já em Braço do Norte, no Sul do estado, outra abordagem registrada em um posto de combustíveis, terminou com uma mulher imobilizada. Segundo a Polícia Militar, a ocorrência envolvia denúncia de tráfico de drogas e resistência à abordagem.
Nos dois casos, a corporação informou que instaurou sindicâncias internas para apurar as circunstâncias das ações.
Debate sobre câmeras corporais volta à pauta
A repercussão das abordagens rende uma discussão antiga em Santa Catarina: a adoção institucional das bodycams, as câmeras corporais, como ferramenta de transparência e controle da atividade policial.
Santa Catarina foi pioneira no uso da tecnologia, com mais de duas mil câmeras corporais em operação durante mais de quatro anos. No entanto, em setembro de 2024, a Polícia Militar encerrou o programa.
Especialistas em segurança pública apontam que evidências científicas indicam que o uso de câmeras corporais está associado à redução do uso da força e da letalidade policial.
Estudos do Ministério da Justiça mostram que as câmeras melhoram a qualidade dos registros das ocorrências e fortalecem as provas apresentadas à Justiça. Em Santa Catarina, pesquisas apontaram redução superior a 60% no uso da força em abordagens monitoradas.
Mortes em operações policiais aumentaram em 2025
Dados da Secretaria de Segurança Pública indicam que, em 2025, Santa Catarina registrou 96 mortes em operações policiais, um aumento de cerca de 21% em relação ao ano anterior, período já sem a utilização das câmeras corporais.
Os números não estabelecem relação direta entre a ausência das câmeras e o aumento das mortes, mas reforçam a necessidade de um debate baseado em dados e evidências.
Especialistas destacam que a utilização de câmeras corporais melhora a relação entre polícia e comunidade, além de maior qualidade nas prisões e nos processos judiciais.
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