Vírus Nipah no Brasil? Veja os riscos no Carnaval
Conforme a OMS, a taxa de letalidade é considerada alta, variando entre 40% e 75%
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Com a chegada do Carnaval e o aumento da circulação de turistas nacionais e internacionais, surgem dúvidas sobre possíveis ameaças sanitárias globais. Entre elas, o vírus Nipah, que volta ao debate após registros de surtos na Ásia, sobretudo na Índia. Mas afinal, quais são os riscos reais de o vírus Nipah chegar ao Brasil durante o Carnaval? Há chances de uma nova pandemia?
O que é o vírus Nipah?
Segundo a Sociedade Brasileira de Infectologia (SIB), o vírus Nipah (NiV) é um patógeno zoonótico, ou seja, transmitido de animais para humanos, identificado pela primeira vez em 1998, na Malásia. O principal reservatório natural do vírus são morcegos frugívoros da família Pteropodidae, conhecidos como “raposas-voadoras”.
De acordo com o médico Infectologista Lucas Santos, a transmissão pode ocorrer por contato direto com animais infectados (como porcos), consumo de alimentos contaminados ou contato direto com pessoas infectadas. Porém, há um alerta: “em alguns surtos registrados em países como Bangladesh e Índia, houve transmissão entre humanos”, afirma.
Quais são os sintomas do vírus Nipah?
O médico aponta que os sintomas variam de leves a graves e incluem febre e dor de cabeça que, no começo, podem ser confundidos com dengue. Porém, o infectologista alerta que os sintomas também incluem tosse, dor garganta, vômitos, dificuldades respiratória e em casos mais graves confusão mental e inflamação cerebral (encefalite).
Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), a taxa de letalidade é considerada alta, variando entre 40% e 75%, dependendo do surto e das condições de atendimento médico. Atualmente, não há vacina ou tratamento antiviral específico aprovado para o vírus Nipah, apenas cuidados de suporte.
O vírus Nipah pode chegar ao Brasil no Carnaval?
Segundo o Sistema Único de Saúde (SUS) até o momento não há registro de casos de vírus Nipah no Brasil. Os surtos recentes foram concentrados principalmente no sul e sudeste da Ásia.
A SIB afirma que o risco de entrada do vírus no Brasil durante o Carnaval é considerado baixo. Isso porque o Nipah não apresenta transmissão aérea ampla como a Covid-19. Para o médico infectologista Lucas Santos, outro fator que ajuda a tranquilizar os brasileiros é que a maioria dos surtos ocorreram em áreas rurais específicas da Ásia e não há circulação do vírus em muitos países.
O SUS também informou que o Brasil tem protocolos de vigilância epidemiológica em aeroportos e fronteiras. E a OMS destaca que, embora a globalização aumente o fluxo de pessoas, o Nipah não é um vírus de fácil disseminação internacional no cenário atual.
Existe risco de pandemia de vírus Nipah?
A OMS inclui o vírus Nipah na lista de patógenos prioritários para pesquisa devido ao seu potencial de causar surtos graves e alta letalidade. No entanto, isso não significa que risco de pandemia, isto é, disseminação mundial da doença.
A OMS alerta que para que ocorra uma pandemia, é necessário que haja transmissão eficiente entre humanos, espalhamento do vírus em diferentes países e dificuldade de contenção. A OMS sustenta que até agora, os surtos de Nipah têm sido limitados e controlados localmente. Diferentemente do coronavírus, o vírus não demonstrou alta capacidade de transmissão comunitária global.
Carnaval aumenta o risco?
Eventos de grande porte, como o Carnaval, naturalmente aumentam o risco de disseminação de doenças respiratórias já presentes no país, como gripe, Covid-19 e outras viroses. Porém, no caso específico do vírus Nipah, não há alerta internacional indicando risco imediato para o Brasil.
As autoridades sanitárias monitoram constantemente alertas epidemiológicos internacionais e adotam protocolos em caso de suspeitas.
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