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CIÊNCIA

Vacina experimental pode atrasar volta do câncer

Chamado ELI-002 2P, a vacina foi desenvolvida para atuar contra alterações no gene KRAS, encontradas em uma parcela significativa dos tumores de pâncreas e colorretais

• Atualizado

Pedro Corrêa

Por Pedro Corrêa

Vacina experimental pode atrasar volta do câncer | Foto: reprodução/ Canva
Vacina experimental pode atrasar volta do câncer | Foto: reprodução/ Canva

Uma vacina experimental contra o câncer de pâncreas e o câncer colorretal apresentou resultados promissores ao estimular o sistema imunológico a reconhecer e combater células tumorais. O estudo, publicado na revista científica Nature Medicine, mostrou que o imunizante pode aumentar o tempo de sobrevivência e atrasar o retorno da doença em determinados pacientes.

Chamado ELI-002 2P, a vacina foi desenvolvida para atuar contra alterações no gene KRAS, encontradas em uma parcela significativa dos tumores de pâncreas e colorretais.

A pesquisa ainda está em estágio inicial. Segundo o laboratório, o estudo foi realizado com 25 pacientes, o que significa que são necessários novos testes, com um número maior de participantes, para confirmar a eficácia e a segurança da vacina.

Como funciona a vacina contra o câncer?

Os pesquisadores explicam que diferente das vacinas tradicionais, que têm como objetivo prevenir uma infecção, a ELI-002 2P foi desenvolvida para estimular o sistema imunológico a combater células cancerígenas.

O imunizante utiliza fragmentos relacionados a mutações do gene KRAS. Esses componentes são direcionados aos linfonodos, estruturas do sistema imunológico onde células de defesa são ativadas.

A ideia é “ensinar” o organismo a reconhecer células que apresentem determinadas alterações do KRAS e atacá-las caso elas voltem a aparecer.

Um dos diferenciais apontados pelos pesquisadores é que a vacina não precisa ser produzida individualmente para cada paciente, o que poderia facilitar sua fabricação e utilização em maior escala caso sua eficácia seja confirmada.

Vacina foi testada após cirurgia e quimioterapia

Os médicos disseram que os 25 participantes da pesquisa já haviam passado por cirurgia e quimioterapia, mas apresentavam vestígios da doença detectáveis por exames de sangue.

Entre eles, 68% desenvolveram uma resposta imunológica considerada robusta contra o KRAS. Os pacientes que apresentaram respostas mais fortes das células T, responsáveis por parte da defesa do organismo, tiveram maior tempo de sobrevivência e permaneceram mais tempo sem sinais de recorrência.

O estudo entre os pacientes com câncer de pâncreas, mostrou sobrevida de 29 meses e mais de 15 meses sem recorrência, em média.

Os pesquisadores também observaram respostas imunológicas contra algumas mutações do KRAS que não estavam diretamente presentes na formulação da vacina, um resultado que pode indicar uma capacidade de ampliar a resposta do sistema de defesa.

Por que o câncer pode voltar?

Mesmo depois de um tratamento considerado bem-sucedido, alguns tipos de câncer podem retornar. Isso ocorre porque pequenas áreas de células tumorais podem permanecer no organismo, mesmo quando não são identificadas pelos exames de imagem.

Esse retorno é chamado de recidiva. Os pesquisadores explicam que no câncer de pâncreas, o risco de recorrência é relevante. A doença costuma ser identificada em fases mais avançadas e apresenta altas taxas de retorno após o tratamento inicial.

É justamente nesse cenário que a vacina experimental busca atuar: treinar o sistema imunológico para identificar possíveis células tumorais remanescentes e combatê-las antes que elas consigam formar novos tumores.

Vacina contra câncer já pode ser usada?

Os médicos alertam que, por enquanto, não. A ELI-002 2P ainda é uma vacina experimental e não está disponível como tratamento convencional.

O estudo publicado é de fase 1, etapa inicial dos testes clínicos. Os pesquisadores consideram os resultados promissores, mas ainda não são suficientes para comprovar que o imunizante é eficaz para todos os pacientes ou que deve substituir os tratamentos atualmente utilizados.

Os médicos afirmaram que a próxima etapa é a realização de um estudo de fase 2, com mais participantes e uma avaliação mais rigorosa dos resultados. Portanto, os dados representam um avanço na pesquisa de novas formas de tratamento contra o câncer, mas ainda não significam que exista uma vacina capaz de impedir definitivamente a volta da doença.

O que é o gene KRAS?

O KRAS é um gene relacionado ao crescimento e à multiplicação das células. Quando sofre determinadas mutações, pode contribuir para o crescimento descontrolado de células e para o desenvolvimento de tumores. Por isso, o KRAS se tornou um dos principais alvos de pesquisas envolvendo tratamentos contra diferentes tipos de câncer.

Segundo os pesquisadores, no caso da ELI-002 2P, a estratégia é aproveitar essas alterações para ajudar o sistema imunológico a identificar as células tumorais que apresentam as mutações. A pesquisa é considerada relevante principalmente porque o câncer de pâncreas e o câncer colorretal estão entre os tumores que podem apresentar alterações no KRAS.

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