Santa Catarina já registra quase 500 mortes por suicídio em 2022
De acordo com especialistas, falar sobre suicídio é o jeito mais eficaz de evitar a tragédia
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De acordo com dados do Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), a cada 24 horas pelo menos duas pessoas morrem por suicídio em Santa Catarina, sendo a terceira causa de mortes violentas, ficando atrás somente de acidentes de trânsito e homicídios.
Neste ano (com dados atualizados até 12 de agosto) foram 473 mortes por suicídio em SC. No ano passado foram 802; em 2020, 771; e em 2019, 787. Nas últimas duas décadas, mais de 11 mil pessoas morreram por suicídio no Estado. Para cada pessoa que tirou a própria vida, estima-se que outras dez tenham tentado.
De acordo com a psicóloga e pedagoga, Amanda Lang, “até pouco tempo acreditava-se que falar sobre suicídio incitava pessoas a cometerem o ato. No entanto, quanto mais se fala sobre o assunto e sobre todos os aspectos da saúde mental envolvidos, mais conhecimento e entendimento se tem sobre este fenômeno”.
Amanda Gassenferth, psicóloga e professora do curso de Psicologia da UniSociesc em Joinville, compartilha da mesma opinião e alerta: “Falar sobre saúde mental como um todo ainda é um tabu. Quando falamos em formas de evitar o suicídio, precisamos compreender a importância do acolhimento. Ainda há um julgamento da sociedade no sentido de que a pessoa está querendo chamar a atenção. Mas se uma pessoa tem essa fala sobre suicídio, há um sofrimento psíquico, emocional, psicológico, que não pode ser julgado. Ela precisa de acolhimento e atendimento especializado.”
Para incentivar discussões sobre o tema e ações voltadas para a prevenção, neste mês ocorre o Setembro Amarelo e no dia 10 de setembro é o Dia Mundial de Prevenção ao Suicídio.
Atenção aos pequenos sinais
Danieli Graciela Fachini Toassi, psicóloga, neuropsicóloga e professora do curso de Psicologia da UniSociesc em Jaraguá do Sul lembra que o suicídio sempre esteve presente na sociedade, mas que é possível sim, evitar a tragédia. “É importante ficarmos atentos aos pequenos sinais que a pessoa pode demonstrar. Principalmente familiares e pessoas próximas conseguem observar mudanças, como por exemplo o isolamento, a desesperança, a tristeza profunda que não passa, a fala em tom de despedida, as alterações bruscas de humor e no comportamento”, destaca.
A professora Amanda Gassenferth reforça que muitas vezes as pessoas não trazem a questão do suicídio na fala, mas estão num estágio tão grave de sofrimento que rompem lá no cérebro com os mecanismos naturais de defesa do ser humano. “Elas podem começar a ter comportamentos de risco (uso exagerado de drogas, álcool, medicamentos; o cutting, em que as pessoas têm a atitude da automutilação) ou ficarem extremamente isoladas. Estes acabam sendo fortes indícios de um sofrimento psíquico”, diz ela.
Danieli lembra que muitas vezes é preciso dialogar, conversar e mostrar que você está ao lado da pessoa em sofrimento. E mesmo que ela não queira conversar, precisa saber que existe alguém com quem ela pode contar. “Deixar claro que você entende que a dor dela é real e que deseja ajudar é muito importante. O pior comentário que se pode fazer é comparar a situação e o sentimento dessa pessoa com os outros”, diz.
Outro alerta que a professora Amanda Lang faz é sobre a importância de se divulgar onde e como buscar ajuda. “As pessoas em sofrimento também precisam saber onde buscar apoio, daí a importância de trabalhos como o do Centro de Valorização da Vida (CVV), do acolhimento nas clínicas-escolas das instituições de ensino, além dos atendimentos no sistema de saúde dos municípios.”
As psicólogas fazem um alerta sobre o risco do senso comum relacionar diretamente todos os casos de suicídio a transtornos mentais. Segundo elas, nem toda a pessoa com diagnóstico de transtorno mental vai apresentar uma ideação ou tentativa de suicídio e nem toda a pessoa que tentou ou tirou a própria tinha um transtorno mental. Mas elas reforçam a importância do tratamento e acompanhamento de quem tem um transtorno mental diagnosticado, pois só assim haverá prevenção.
Dados de suicídio em Santa Catarina a partir de 2015:
| Ano | Masculino | Feminino | Total |
| 2015 | 499 | 139 | 638 |
| 2016 | 514 | 158 | 672 |
| 2017 | 576 | 163 | 739 |
| 2018 | 560 | 171 | 731 |
| 2019 | 617 | 170 | 787 |
| 2020 | 611 | 160 | 771 |
| 2021 | 643 | 159 | 802 |
| 2022 | 360 | 113 | 473 (até 12/8) |
Fonte: Sistema de Informação de Mortalidade (SIM).
14 mil casos de suicídio são registrados por ano no Brasil
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