OMS atualiza risco global do vírus Nipah
O alerta ganhou repercussão internacional depois que alguns governos asiáticos reforçaram medidas de segurança sanitária
• Atualizado
A Organização Mundial da Saúde (OMS) avaliou como baixo o risco de o vírus Nipah se espalhar para além da Índia, após a confirmação de dois casos no país. Segundo a entidade, não há recomendação, neste momento, para restrições a viagens internacionais ou ao comércio, e a situação segue sob monitoramento constante.
O alerta ganhou repercussão internacional depois que alguns governos asiáticos reforçaram medidas de segurança sanitária em aeroportos e pontos de entrada. Entre os países que intensificaram as verificações estão Hong Kong, Malásia, Singapura, Tailândia e Vietnã, como forma de prevenção diante do histórico de gravidade do patógeno.
De acordo com a OMS, o acompanhamento dos casos ocorre em coordenação com as autoridades indianas, que possuem capacidade para conter surtos localizados. Em nota à agência Reuters, a organização afirmou que não há evidências de aumento na transmissão de pessoa para pessoa nos registros mais recentes.
Regiões com circulação do vírus
A OMS lembra que o vírus Nipah circula naturalmente em populações de morcegos em partes da Índia e do vizinho Bangladesh, o que significa que novos episódios de exposição não podem ser descartados. A origem exata das infecções recentes ainda não foi totalmente esclarecida.
Os dois profissionais de saúde infectados no fim de dezembro, no estado de Bengala Ocidental, seguem em tratamento hospitalar, segundo autoridades locais. A Índia registra casos esporádicos da doença, com maior concentração no estado de Kerala, no sul do país, onde o vírus provocou dezenas de mortes desde 2018.
Este é o sétimo surto documentado de Nipah na Índia e o terceiro em Bengala Ocidental, região que já enfrentou episódios anteriores no início dos anos 2000, especialmente em áreas próximas à fronteira com Bangladesh.
O que é o vírus Nipah
O vírus Nipah é classificado como um patógeno de alta gravidade, com taxa de mortalidade estimada entre 40% e 75%, conforme dados da OMS. A infecção pode causar febre, inflamação cerebral (encefalite) e complicações neurológicas severas, que podem evoluir rapidamente para quadros críticos.
A transmissão ocorre principalmente por contato com morcegos frugívoros, considerados os reservatórios naturais do vírus, ou pelo consumo de frutas contaminadas. Também há registros de transmissão por animais intermediários, como porcos. A disseminação entre humanos é considerada mais difícil e geralmente depende de contato próximo e prolongado com pessoas infectadas.
Atualmente, não existe tratamento específico aprovado, e as vacinas ainda estão em fase de desenvolvimento.
Patógeno prioritário para a OMS
Mesmo com a avaliação de baixo risco de disseminação internacional, a OMS mantém o vírus Nipah na lista de patógenos prioritários. A decisão se baseia na alta letalidade, na ausência de vacinas ou tratamentos licenciados e na preocupação com possíveis mutações que possam aumentar a capacidade de transmissão do vírus.
A entidade recomenda que os países mantenham protocolos de monitoramento, resposta rápida e comunicação transparente, evitando alarmismo, mas garantindo a segurança sanitária global.
*Com informações do Portal Metrópoles
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