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Doença silenciosa

Mulher perde 70% da visão após ignorar sinais de glaucoma

Diagnóstico veio após exame mostrar pressão ocular muito acima do normal

• Atualizado

Redação

Por Redação

Mulher perde 70% da visão após ignorar sinais de glaucoma – Imagem: reprodução/ metrópoles
Mulher perde 70% da visão após ignorar sinais de glaucoma – Imagem: reprodução/ metrópoles

A arquiteta Juliana Oliveira Moura, de 30 anos, descobriu que tinha Glaucoma aos 27 anos, após perceber que as legendas da televisão estavam ficando embaçadas. O diagnóstico veio tarde para um dos olhos: quando recebeu a confirmação da doença, ela já havia perdido cerca de 70% da visão do olho esquerdo.

Até então, Juliana nunca tinha tido problemas de visão. “Quando eu era mais nova sempre me falavam que eu não precisava usar óculos, que minha visão era muito boa”, conta. Em 2022, porém, começou a notar pequenos sinais de que algo estava errado. Como um olho compensava o outro, ela acreditou que fosse apenas necessidade de óculos e demorou para procurar ajuda médica.

A situação mudou pouco antes de uma viagem internacional. Durante um procedimento estético, a arquiteta teve um episódio em que a visão ficou completamente branca por alguns minutos. Assustada, decidiu marcar uma consulta com um oftalmologista.

Diagnóstico veio em consulta

Durante o atendimento, um exame simples chamou a atenção da médica: a medição da pressão ocular. O resultado mostrou 40, valor considerado muito acima do normal. “Eu nem sabia que existia pressão ocular”, lembra Juliana.

Após novos exames com especialistas, veio o diagnóstico de glaucoma. Os testes também revelaram que a doença já havia causado grande perda de visão em um dos olhos.

Para controlar o problema, Juliana precisou passar por uma cirurgia de urgência chamada trabeculectomia, utilizada para reduzir a pressão dentro do olho. Algum tempo depois, ela também precisou realizar uma cirurgia de catarata, consequência do primeiro procedimento.

Desde então, o controle da doença faz parte do dia a dia da arquiteta. Ela usa colírios duas vezes por dia, sempre com intervalo de 12 horas, para manter a pressão ocular controlada. Hoje, o glaucoma afeta os dois olhos. “Esquecer não é uma opção”, afirma.

A doença também trouxe mudanças na rotina. Juliana precisou adaptar os treinos de crossfit e evitar exercícios que exigem ficar de cabeça para baixo ou prender a respiração. Outros cuidados passaram a fazer parte do cotidiano, como evitar coçar os olhos, usar colírios lubrificantes quando sente irritação e escolher maquiagens testadas oftalmologicamente.

Até a forma de dormir mudou. “Hoje eu durmo de barriga para cima ou de lado. Dormir pressionando os olhos não é mais uma opção”, explica.

Doença silenciosa

O glaucoma é uma doença que afeta o nervo óptico, responsável por levar as informações visuais do olho até o cérebro. Quando esse nervo sofre danos, a perda de visão pode ser progressiva e, muitas vezes, irreversível.

Segundo o oftalmologista Juscelino Kubitschek, o problema costuma se desenvolver de forma silenciosa. “Na maioria das vezes ele não apresenta sintomas no início”, explica o especialista, que atua no CBV Hospital de Olhos.

Por isso, muitas pessoas só descobrem a doença quando a visão já foi afetada. O médico afirma que o glaucoma é uma das principais causas de perda irreversível da visão no mundo, com cerca de 90 a 100 milhões de pessoas vivendo com a condição.

Segundo o especialista, medir a pressão ocular e fazer exames periódicos são fundamentais para detectar a doença cedo e iniciar o tratamento.

Hoje, mesmo convivendo com a perda parcial da visão, Juliana diz que aprendeu a lidar com a condição. “A descoberta é muito difícil, mas a gente precisa aprender a viver com isso e cuidar da visão que ainda tem”, afirma.

*Com informações de Metrópoles.

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