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Tecnologia no SUS

Impressora 3D vira aliada de hospital público em Joinville

A tecnologia permite a reprodução fiel de partes ósseas com fraturas ou fissuras

• Atualizado

Pedro Corrêa

Por Pedro Corrêa

Impressora 3D vira aliada de hospital público em Joinville | Foto: divulgação
Impressora 3D vira aliada de hospital público em Joinville | Foto: divulgação

O Hospital Municipal São José, em Joinville, no Norte de Santa Catarina, passou a utilizar uma impressora 3D para otimizar tratamentos, procedimentos e cirurgias ortopédicas, especialmente em casos mais complexos. A tecnologia permite a reprodução fiel de partes ósseas com fraturas ou fissuras, auxiliando médicos no diagnóstico, no planejamento pré-operatório e na formação de novos profissionais.

A iniciativa contou com a atuação do médico ortopedista Guilherme Stirma, que estuda e utiliza biomodelos tridimensionais há cerca de 10 anos. Ele intermediou a parceria com a empresa Slim 3D Impressoras, responsável pela doação do equipamento ao hospital.

Segundo o especialista do setor de Ortopedia e Traumatologia, a impressão 3D vem se consolidando como uma ferramenta estratégica na medicina, ao permitir análises mais precisas e melhores resultados clínicos.

“Com o avanço da tecnologia, estamos aprimorando o planejamento pré-operatório. Trazer esse recurso para o sistema público de saúde tem como objetivo melhorar a performance cirúrgica e também fortalecer o aprendizado dos médicos residentes”, destaca Stirma.

Impressora 3D é tecnologia de ponta com uso simplificado

O equipamento doado é uma impressora 3D Creality CFS, de fabricação chinesa, considerada moderna, automatizada e de fácil operacionalização. De acordo com o ortopedista, nos últimos anos a tecnologia se tornou mais acessível, substituindo máquinas antigas, grandes e de alto custo.

“Hoje os equipamentos são mais simples de operar e muito mais eficientes, o que facilita a incorporação da tecnologia na rotina hospitalar”, explica.

Biomodelos com dimensões reais do paciente

Os biomodelos tridimensionais são produzidos a partir de exames de imagem, como tomografias e ressonâncias magnéticas, que são convertidos em dados físicos pela impressora. O resultado são réplicas em material plástico, com dimensões exatas do paciente, o que permite ao médico avaliar detalhadamente a anatomia afetada.

Desde a instalação do equipamento, em novembro do ano passado, já foram realizadas cerca de 50 impressões 3D, utilizadas em tratamentos de quadril, pé, ombro, joelho, tornozelo, coluna e outras estruturas ósseas.

“A imagem no computador é bidimensional. Com o biomodelo 3D, temos percepção real de volume e superfície. Isso muda completamente o entendimento da lesão e da melhor forma de tratá-la”, afirma Stirma.

Ferramenta de aprendizado no hospital público de Joinville

Além de beneficiar os pacientes, a impressora 3D também se tornou uma importante ferramenta de ensino no Hospital São José, sendo utilizada por médicos residentes durante o processo de formação.

O residente Annibal Nakamura destaca a surpresa positiva ao encontrar esse tipo de tecnologia em um hospital público. “Nunca imaginei ter acesso a esse recurso no SUS. É algo fenomenal para o aprendizado. Poder manusear o equipamento é uma oportunidade única”, afirma.

Segundo ele, a impressão 3D proporciona mais segurança no planejamento cirúrgico e amplia o entendimento biomecânico das lesões. “Cada fratura é diferente. Ter essa visão tridimensional facilita o estudo do caso, as discussões clínicas e a tomada de decisão”, completa.

A adoção da tecnologia reforça o Hospital Municipal São José como referência em inovação na saúde pública, com potencial de expansão para outras especialidades médicas.

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