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Após coceira persistente, mulher descobre doença neurológica

Moradora do Paraná enfrentou coceira persistente nas costas até descobrir origem

• Atualizado

Redação

Por Redação

Após coceira persistente, mulher descobre doença neurológica – Imagem:  ilustrativa
Após coceira persistente, mulher descobre doença neurológica – Imagem: ilustrativa

Uma coceira persistente, que não melhorava com pomadas e só piorava com o tempo. Foi assim que começaram os primeiros sinais da notalgia parestésica enfrentada pela comerciante Janete Schvan Wendt, de 57 anos, moradora de Missal, no Paraná. De origem neurológica, a condição costuma ser confundida com problemas de pele.

Há cerca de cinco anos, Janete convive com o incômodo nas costas, sempre no lado direito, logo abaixo da escápula. No início, a coceira era leve, mas foi se intensificando a ponto de atrapalhar o sono e a rotina.

“No começo achei que fosse uma alergia. A coceira surgiu aos poucos e foi piorando com o tempo. Quanto mais eu esfregava, mais coçava”, conta.

Segundo o fisioterapeuta Abnel Alecrim, especialista no tratamento da condição, a doença tem origem nos nervos da coluna, e não na pele. “A notalgia parestésica é uma condição de origem predominantemente neurológica periférica, caracterizada por uma coceira persistente e localizada, geralmente na região entre as escápulas”, explica.

De acordo com ele, o problema está ligado à compressão ou irritação de nervos na região torácica da coluna, principalmente entre as vértebras T2 e T6. Má postura, sobrecarga e movimentos repetitivos no dia a dia podem contribuir para o surgimento do quadro.

Isso explica por que tratamentos comuns para alergias não funcionam. “Usei várias pomadas, inclusive manipulada e capsaicina, mas nenhuma ajudou”, relata Janete.

Na prática, ocorre uma falha na interpretação dos sinais pelo sistema nervoso. “O cérebro passa a entender estímulos como coceira, mesmo sem haver algo na pele provocando isso”, detalha o especialista.

Sintomas vão além da coceira

Embora o principal sintoma seja o prurido persistente, a condição pode causar outros desconfortos, como:

  • Sensação de queimação ou formigamento
  • Coceira localizada, geralmente de um lado
  • Mancha escura na pele, causada pelo ato de coçar
  • Piora do incômodo em determinadas posturas

No caso de Janete, os impactos foram significativos. “Acordava algumas vezes por causa da coceira e, no dia a dia, me atrapalhava bastante. Eu me afastava das pessoas para aliviar o incômodo”, conta.

Antes de chegar ao diagnóstico correto, Janete passou por clínico geral, ortopedista e dermatologista. Foi esta última quem suspeitou da condição e confirmou o diagnóstico após uma biópsia.

Segundo o fisioterapeuta, no entanto, o diagnóstico costuma ser clínico, baseado nos sintomas e na resposta aos tratamentos. “Um dos principais sinais é justamente a falha dos tratamentos dermatológicos e a piora com determinadas posturas”, afirma.

Quando a origem do problema está na coluna, a fisioterapia é o principal caminho, pois atua diretamente na causa da irritação dos nervos.

Entre as abordagens mais utilizadas estão:

  • Exercícios de mobilização da coluna torácica
  • Reeducação postural
  • Técnicas de deslizamento neural
  • Liberação miofascial

O objetivo é reduzir a compressão dos nervos e restaurar a mobilidade da região.

O tempo de melhora varia. Em alguns casos, os resultados aparecem nas primeiras semanas; em outros, o tratamento pode levar meses. Com Janete, os avanços vieram após o início da fisioterapia e do pilates.

“Hoje, controlo o quadro com os exercícios específicos que o fisioterapeuta me indicou. Quando faço regularmente, os sintomas desaparecem e minha qualidade de vida melhora”, afirma.

Hábitos simples ajudam a prevenir

Algumas mudanças no dia a dia podem reduzir o risco ou aliviar os sintomas:

  • Evitar longos períodos sentado
  • Fazer pausas a cada 30 minutos ou uma hora
  • Manter boa postura
  • Praticar atividade física
  • Manter-se hidratado

“Exercícios simples, orientados por um fisioterapeuta, podem reduzir bastante as coceiras persistentes”, orienta Alecrim.

*Com informações de Metrópoles.

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