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CRIME

Perito digital investiga ataques no caso do cão Orelha

Família de adolescente citado nas redes contrata especialista para identificar perfis que espalharam acusações falsas após o caso do cão Orelha em Florianópolis.

• Atualizado

Sofia Gonzalez

Por Sofia Gonzalez

A repercussão do caso do cão Orelha, que mobilizou moradores e gerou forte reação nas redes sociais em Florianópolis, ganhou um novo desdobramento. A família de um adolescente que chegou a ser apontado nas redes como suspeito da agressão decidiu contratar um perito em crimes digitais para investigar a disseminação de acusações falsas na internet.

O especialista contratado é o perito Wanderson Castilho, que já trabalhou em casos de grande repercussão nacional, como o processo envolvendo a influenciadora Mariana Ferrer.

Segundo ele, o primeiro passo do trabalho foi verificar se o adolescente realmente poderia ser considerado vítima de difamação online.

“Primeiro eu me certifico de que a pessoa realmente é vítima da situação. Já houve casos em que me contrataram e eu identifiquei que o cliente era culpado, e nesses casos eu não atuo”, explicou.

O adolescente havia sido citado em publicações nas redes sociais logo após a divulgação do caso, mas foi um dos primeiros nomes retirados da investigação policial.

Mais de 11 mil perfis analisados

De acordo com o perito, o levantamento nas redes sociais identificou quase 11 mil perfis que mencionaram o nome do adolescente em postagens ou comentários relacionados ao caso.

A estratégia inicial foi focar nas contas com maior alcance.

“Nós priorizamos perfis com maior propagação de conteúdo. Ao retirar essas publicações principais, a cadeia de compartilhamentos também começa a desaparecer”, afirmou.

Até agora, segundo Castilho, mais de 130 postagens já foram removidas após contato direto com os responsáveis pelos perfis.

O perito afirma que boa parte das publicações trazia informações incorretas ou imagens de outros jovens associadas ao nome do adolescente.

“Cerca de 80% das fotos que apareciam associadas ao nome dele eram de outros garotos”, disse.

Perfis falsos e investigação

Durante o trabalho, também foram identificados perfis falsos criados especificamente para divulgar acusações. Nesses casos, segundo o especialista, o procedimento é reunir as evidências técnicas para que a defesa solicite na Justiça a quebra de sigilo dos responsáveis pelas publicações.

“Mesmo quando utilizam perfis falsos, é possível chegar aos responsáveis por meio do IP, telefone ou e-mail utilizado na conexão”, explicou.

Família deve processar autores de postagens

O advogado da família, Marcelo Peregrino, informou que parte dos responsáveis pelas publicações pode ser acionada judicialmente. Segundo ele, a equipe jurídica ainda faz uma triagem das postagens mais graves.

“Vamos começar a ajuizar ações de indenização contra aqueles que caluniaram o menor, expuseram sua imagem e causaram imensa dor para essa família, tudo em violação ao Estatuto da Criança e do Adolescente”, afirmou.

A legislação brasileira prevê punição para o crime de calúnia. De acordo com o Código Penal, a pena pode chegar a dois anos de detenção, podendo ser ampliada quando a vítima é menor de idade e quando a divulgação ocorre nas redes sociais.

Repercussão atinge outros jovens citados nas redes

A repercussão do caso também atingiu outros adolescentes mencionados em publicações online.

Um deles, aprovado recentemente no vestibular da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), também relatou sofrer ataques virtuais após ter o nome associado ao episódio.

A universidade informou que o estudante foi regularmente aprovado no processo seletivo e que a instituição acompanha a repercussão do caso nas redes. Destacou ainda que a Constituição Federal garante o princípio da presunção de inocência, segundo o qual ninguém pode ser considerado culpado antes de decisão judicial definitiva.

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