PCC e CV entram na lista de terroristas dos EUA; veja o que muda
Medida do governo dos Estados Unidos passa a valer em 5 de junho
• Atualizado
O Departamento de Estado dos Estados Unidos anunciou, nesta quinta-feira (28), que vai classificar o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas. A medida começa a valer no dia 5 de junho.
Segundo o promotor Lincoln Gakiya, a decisão pode trazer impactos relevantes, incluindo o congelamento de bens e recursos ligados às facções que estejam sob jurisdição americana.
Além disso, cidadãos e empresas dos Estados Unidos ficam proibidos de realizar qualquer tipo de transação com os grupos. Também passa a ser crime federal oferecer apoio material, como dinheiro, armas, treinamento ou serviços.
A classificação pode ainda ampliar a cooperação internacional entre agências de segurança e inteligência. Pessoas associadas às facções podem ter vistos negados, ser impedidas de entrar nos Estados Unidos ou até ser deportadas.
Defensores da medida afirmam que o enquadramento pode fortalecer o combate ao crime organizado transnacional.
No entanto, o promotor Lincoln Gakiya avalia que não há relação direta de causa e efeito nessa mudança e afirma que a classificação pode representar uma interferência na soberania do Brasil.
“É legítimo que não apenas o governo americano, mas também países da Europa tenham preocupação com a expansão dessas organizações brasileiras no exterior. Porém, é preciso respeitar a soberania brasileira e os esforços que são feitos aqui no país para combater esse fenômeno”, afirmou.
Gakiya também destaca que, embora sejam grupos criminosos transnacionais e cada vez mais estruturados, as facções têm objetivo essencialmente econômico, ligado ao tráfico de drogas e outros mercados ilegais.
Ele argumenta que organizações terroristas, por definição, precisam ter motivação política ou ideológica.
“Na minha opinião, elas não são organizações terroristas. São organizações criminosas transnacionais com características até de máfia. Não têm objetivo político, como derrubar um governo, nem motivação ideológica baseada em ódio contra raça, etnia ou religião”, disse o promotor.
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