Cotidiano Compartilhar
DENÚNCIA

“O que matou minha filha?”: mãe cobra respostas após morte de grávida e bebê em hospital de SC

Mãe relata que jovem buscou atendimento várias vezes no Hospital Beatriz Ramos de Indaial antes de morrer por infecção generalizada

• Atualizado

Redação

Por Redação

“O que matou minha filha?”: mãe cobra respostas após morte de grávida e bebê em hospital de SC | Foto: Reprodução/Redes Sociais
“O que matou minha filha?”: mãe cobra respostas após morte de grávida e bebê em hospital de SC | Foto: Reprodução/Redes Sociais

A morte de uma jovem grávida de 18 anos e do bebê que ela esperava levantou questionamentos sobre o atendimento médico recebido no Hospital Beatriz Ramos de Indaial, no Vale do Itajaí.

A jovem, identificada como Maria Luiza Bogo Lopes, estava grávida de 28 semanas quando morreu no dia 2 de abril.

O caso veio a tona quando a mãe da jovem, Luana Bogo Petry, relatou nas redes sociais a sequência de atendimentos médicos que antecederam a morte da filha.

Segundo o relato da mãe, Maria Luiza havia sido diagnosticada duas semanas antes com diabetes gestacional, uma condição que pode ocorrer durante a gravidez.

Jovem procurou atendimento várias vezes

De acordo com a família, os primeiros sintomas começaram no sábado (28 de março), quando a jovem passou a sentir dores pelo corpo.

Na segunda-feira (30), Maria Luiza procurou atendimento no Hospital Beatriz Ramos, onde foi encaminhada ao setor de obstetrícia. No local, recebeu medicação, soro e realizou exames de sangue e urina, que teriam apresentado resultados dentro da normalidade.

No dia seguinte, terça-feira (31), a jovem voltou ao hospital acompanhada da mãe. Segundo o relato, novos exames foram realizados e apresentaram alterações, como queda nas plaquetas e alterações na urina.

Ainda conforme a mãe, a médica que atendeu a jovem levantou a suspeita de dengue, mas a paciente acabou sendo liberada para voltar para casa.

Já na quarta-feira (1º de abril), Maria Luiza voltou a passar mal. Durante a tarde, ela relatou dores intensas no corpo e febre e foi levada novamente ao pronto-socorro do hospital.

A família afirma que, nessa ocasião, ela recebeu medicação e ficou algumas horas em observação, mas não teria realizado novos exames nem recebido hidratação, sendo liberada novamente.

Estado grave e transferência

Na manhã de quinta-feira (2 de abril), a jovem procurou atendimento no posto de saúde do bairro Tapajós, em Indaial.

Segundo a mãe, os profissionais da unidade ficaram assustados com o estado da paciente, que apresentava cansaço extremo, manchas roxas pelo corpo e sinais de desidratação severa.

Diante da gravidade, Maria Luiza foi encaminhada com urgência ao Hospital Beatriz Ramos em um veículo da prefeitura, acompanhada por uma enfermeira.

Ao chegar à unidade hospitalar, segundo o relato, os profissionais informaram que a jovem já estava em estado grave de infecção generalizada e que tanto ela quanto o bebê corriam risco de vida.

Diante da situação, foi solicitada uma vaga zero de UTI e a paciente foi transferida pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) para o Hospital Santo Antônio, em Blumenau.

Cesárea de emergência

No hospital em Blumenau, a jovem foi avaliada pela equipe médica e, segundo a família, uma cesariana de emergência foi realizada cerca de seis minutos após a chegada.

A bebê nasceu sem batimentos cardíacos.

Maria Luiza ainda permaneceu internada por cerca de uma hora e meia, mas não resistiu.

A causa exata da morte ainda não foi oficialmente divulgada.

Hospital diz que caso está sendo investigado

Em nota oficial, o Hospital Beatriz Ramos informou que iniciou imediatamente a adoção de medidas para esclarecer o caso.

Segundo a instituição, a situação está sendo analisada por meio de uma investigação técnica, conduzida de acordo com os protocolos do Conselho Federal de Medicina e do Ministério da Saúde do Brasil.

A apuração ocorre no âmbito da Comissão Técnica Hospitalar, que realiza a revisão detalhada de todo o atendimento prestado à paciente desde o primeiro contato com a unidade.

O hospital também manifestou solidariedade à família.

“O Hospital Beatriz Ramos lamenta profundamente o ocorrido e expressa sua solidariedade à família neste momento de dor”, informou a instituição em nota.

O que é diabetes gestacional

A jovem havia sido diagnosticada recentemente com diabetes gestacional, condição caracterizada pelo aumento da glicose no sangue durante a gravidez.

De acordo com informações do portal Minha Vida, a doença ocorre devido à resistência à insulina provocada pelos hormônios da gestação e costuma aparecer principalmente no terceiro trimestre.

Sem tratamento adequado, a condição pode trazer riscos para a gestante e para o bebê, incluindo complicações na gravidez, aumento do peso fetal e até morte fetal.

Estimativas indicam que a prevalência da diabetes gestacional no Sistema Único de Saúde (SUS) seja de cerca de 18%.

>> Para mais notícias, siga o SCC10 no InstagramThreadsTwitter e Facebook.

Quer receber notícias no seu whatsapp?

EU QUERO

Ao entrar você esta ciente e de acordo com os termos de uso e privacidade do WhatsApp.

Fale Conosco
Receba NOTÍCIAS
Posso Ajudar? ×

    Este site é protegido por reCAPTCHA e Google
    Política de Privacidade e Termos de Serviço se aplicam.