Justiça torna réus os 18 investigados na Operação Presságio
Ação do Ministério Público de SC aponta que uma organização criminosa que teria agido na Secretaria de Turismo de Florianópolis entre 2020 e 2024
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A Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e tornou réus os 18 investigados na operação Presságio. Eles são acusados de integrarem uma organização criminosa que seria responsável por desviar recursos públicos da Secretaria de Turismo, Cultura e Esporte de Florianópolis entre os anos de 2020 e 2024.
As apurações indicam que o esquema teria começado ainda em 2019 e ampliado para praticamente todos os projetos financiados pela pasta, utilizando organizações sociais para encobrir irregularidades.
De acordo com a ação penal, o grupo teria mantido ao longo dos anos uma estrutura hierarquizada em quatro níveis: liderança, setor financeiro, operacional e laranjas. Esse formato permitia ao grupo o desvio contínuo de verbas públicas. O esquema teria utilizado termos de fomento, projetos sociais fictícios e notas fiscais falsas para justificar pagamentos irregulares.
A ação foi ajuizada pela 31ª Promotoria de Justiça da Comarca da Capital, que atua na área da moralidade administrativa, no dia 20 de fevereiro e é um dos desdobramentos da Operação Presságio, conduzida pela Polícia Civil desde 2021 e ampliada a partir de 2023.
As investigações apontam que apenas parte dos valores repassados às entidades seria aplicada nas atividades previstas. O restante teria retornado ao grupo por meio de depósitos fracionados, saques em espécie e repasses diretos, com o objetivo de mascarar a origem ilícita dos recursos.
Documentos, extratos bancários e mensagens apreendidas revelam movimentações financeiras que seriam incompatíveis com a renda declarada dos envolvidos.
Principais crimes atribuídos aos denunciados pela Operação Presságio
Segundo a ação do Ministério Público, o conjunto de elementos reunidos demonstra que a organização criminosa teria praticado uma série de ilícitos para manter o funcionamento do esquema de desvio de recursos. Entre eles estão os seguintes:
- desvio de verbas públicas (peculato) por meio de termos de fomento e repasses para entidades usadas como fachada;
- falsidade ideológica, com emissão de notas fiscais falsas para justificar serviços não prestados ou superfaturados;
- fraudes em licitações e contratos, incluindo contratações emergenciais sem justificativa adequada;
- atuação organizada em níveis hierárquicos (liderança, setor financeiro, operacional e laranjas), operando como uma “empresa” voltada ao desvio sistemático de recursos.
As investigações continuam na Operação Presságio, que ainda conta com outros procedimentos e ações penais em curso para aprofundar a análise de documentos, contratos e movimentações financeiras relacionadas ao esquema. O objetivo é esclarecer a totalidade dos fatos e identificar a eventual participação de novos envolvidos.
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