Jogo de cartas estimula debate sobre machismo entre professores e estudantes
Somente em 2023, a Justiça catalogou 120.611 crimes contra as mulheres em SC
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A nova ferramenta para combater a violência contra a mulher é um jogo de 65 cartas, que promove debates e desperta o olhar crítico, denominado “Emancipação: Jogando contra o machismo”. Idealizado para jovens, a partir dos 15 anos, o baralho foi apresentado nesta segunda-feira (13) para os multiplicadores do Núcleo de Estudos e Pesquisas da Secretaria de Estado da Educação (NEP/SED).
Somente em 2023, o Poder Judiciário catalogou 120.611 crimes contra as mulheres em Santa Catarina. Foram 24.934 vítimas de lesão corporal leve, 854 de estupro, 349 de lesão corporal grave ou gravíssima e 56 feminicídios, entre outras ocorrências.
Com o apoio do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), por meio da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar (Cevid), o baralho será disponibilizado em projeto piloto para a rede pública estadual de ensino no segundo semestre deste ano, em Florianópolis.
Criado e desenvolvido pelas professoras e pesquisadoras Lígia Feitosa e Raquel Barros, do departamento de psicologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC); além da professora Valeska Zanello, da Universidade de Brasília (UnB); a iniciativa tem o objetivo de trabalhar as questões de gênero de modo preventivo com os jovens.


“A intenção é trabalhar situações que atravessam os públicos adolescente e jovem quando se pensa em relacionamento, na questão do papel da mulher na sociedade e até do machismo estrutural. Isso numa linguagem juvenil e lúdica também para que esse tema não seja um tabu, mas que seja algo que a gente consiga abordar da forma mais simples possível. Com o conteúdo pronto, resolvemos validar o projeto em um público maior para saber se ele é adequado e não tem interpretações diversas”, anotou a pesquisadora Lígia Feitosa.
Assim, a UFSC, o TJSC e a SED firmaram um termo de cooperação com prazo de 24 meses para implantar o projeto em todo o Estado. O Observatório da Mulher, da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), realizou a impressão inicial de 100 baralhos. A iniciativa foi gestada dentro do projeto “Fala, Maria!”, da UFSC, em 2020. Desde então, o jogo de cartas foi desenvolvido e validado.
Das 65 cartas do jogo, 52 disparam debates e outras 13 são informativas. “A Cevid já tem o projeto ‘Formar para Transformar’ nas escolas e essa nova ação será bem importante para que possamos falar sobre a violência contra as mulheres e de gênero de uma forma bem lúdica. Ele atua como prevenção para os jovens e os adolescentes do ensino médio. É uma forma bastante diferente de trabalhar a violência contra a mulher e também é uma ferramenta que pode ser usada em qualquer disciplina”, afirmou a secretária da Cevid, Michelle de Souza Gomes Hugill, que estava acompanhada da servidora Roselene Silveira.
O baralho é dividido em quatro eixos: raízes culturais do machismo: o papel da cultura na formação de gênero; mulheres e os dispositivos amoroso e materno; homens e dispositivo de eficácia; e violência contra as mulheres. Com isso, os temas abordados apontam situações do cotidiano em que muitas vezes estão representadas as cinco formas de violência contra a mulher previstas em lei: patrimonial, moral, física, sexual e psicológica. “Estamos preparando hoje assistentes sociais e psicólogos que atuam na Grande Florianópolis para atuar de forma pedagógica com o tema violência contra mulheres nas unidades escolares com esse projeto piloto. Vamos avaliar e, caso necessário, faremos ajustes para aplicarmos em todo o Estado”, completou a assistente social Débora Ruviaro, da SED.
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