Inquérito sobre morte do cão Orelha é finalizado pela polícia
Polícia Civil conclui inquérito sobre a morte do cão Orelha, aponta adolescente e encaminha o caso ao Ministério Público
• Atualizado
A Polícia Civil de Santa Catarina concluiu o inquérito que apura a morte do cão Orelha, ocorrida na madrugada de 4 de janeiro, na Praia Brava, em Florianópolis, e indicou um adolescente como possível responsável pelas agressões. O procedimento investigativo foi encaminhado ao Ministério Público, que irá analisar o material e definir os próximos encaminhamentos legais.
De acordo com a corporação, a conclusão do inquérito se baseia em um conjunto de indícios, como imagens de câmeras de segurança, registros de acesso, depoimentos de testemunhas e análise de vestimentas. A Polícia ressalta que não há imagens nem testemunhas do momento exato da agressão, mas sustenta que a soma dos elementos permitiu apontar uma linha investigativa.
Polícia aponta contradições em depoimento do adolescente
Segundo o delegado Renan Balbino, imagens de segurança indicam que o adolescente deixou o condomínio por volta das 5h25 e retornou às 5h58, horário compatível com a estimativa da agressão ao animal.
“O adolescente afirmou inicialmente que não havia saído do condomínio. As imagens, testemunhos e as roupas utilizadas indicam que ele esteve na praia naquele período”, afirmou o delegado.
A Polícia Civil informou ainda que mais de mil horas de imagens foram analisadas, 24 pessoas foram ouvidas e oito adolescentes chegaram a ser investigados ao longo do inquérito.
Abordagem no aeroporto integra apuração, diz polícia
Outro ponto mencionado pela investigação envolve a abordagem do adolescente no Aeroporto Internacional de Florianópolis, após retorno de uma viagem previamente programada aos Estados Unidos.
Segundo a polícia, durante a abordagem, um familiar teria apresentado comportamento considerado suspeito, o que motivou a apreensão de um boné e de um moletom, posteriormente comparados com imagens da madrugada investigada.
Defesa nega tentativa de ocultação e questiona conclusão
A defesa do adolescente, representada pelo advogado Alexandre Kale, ex-delegado da Polícia Civil, contesta a interpretação apresentada pelos investigadores e afirma que não houve tentativa de ocultação de provas.
“A mãe do adolescente retirou o boné apenas por cautela, diante do clima de comoção pública. Não houve intenção de esconder qualquer objeto”, declarou o advogado.
A defesa também sustenta que os moletons citados pela investigação seriam peças distintas e que o adolescente não teria apresentado comportamento incompatível com quem tenta ocultar provas.
Jovem que aparece nas imagens não é apontada como autora
A jovem que aparece acompanhando o adolescente nas imagens da madrugada não foi responsabilizada pela investigação. Questionada sobre a possibilidade de ela ter presenciado a agressão, a delegada Mardjoli Valcareggi informou que detalhes seguem sob sigilo, visando à preservação da segurança da testemunha.
“A tomada de declarações foi fundamental para a reconstrução dos fatos. Houve contradições e omissões que foram consideradas na análise do inquérito”, explicou a delegada.
A defesa afirma que os dois permaneceram juntos durante todo o período fora do condomínio e que não houve separação relevante no intervalo citado.
Laudo pericial descarta boatos divulgados nas redes sociais
O laudo da Polícia Científica concluiu que o cão Orelha sofreu uma pancada contundente na cabeça, compatível com impacto por chute ou objeto rígido. A perícia descartou informações não confirmadas que circularam nas redes sociais, como empalamento ou uso de objetos perfurantes.
O animal foi resgatado por populares no dia seguinte e morreu em atendimento veterinário, em decorrência da gravidade das lesões.
Caso segue em análise do Ministério Público
Com a conclusão do inquérito, o material foi encaminhado ao Ministério Público, que avaliará as provas e decidirá sobre eventuais medidas judiciais. A Polícia Civil solicitou a internação provisória do adolescente. Além disso, três adultos foram indiciados por coação a testemunha.
A defesa divulgou um vídeo que mostra o cão circulando pela região horas após o horário estimado da agressão. A Polícia Civil informou que o conteúdo foi analisado e não alterou a linha investigativa, por se tratar de avaliação técnica baseada em múltiplos elementos.
Nota de esclarecimento
Diante da circulação de informações falsas nas redes sociais e por o caso ainda não ter sido julgado, a Polícia Civil informou que não concederá novas entrevistas neste momento. Questionamentos adicionais encaminhados pela reportagem seguem aguardando resposta. Pessoas citadas na investigação optaram por não gravar entrevistas.
Leia Mais
>> Para mais notícias, siga o SCC10 no Instagram, Threads, Twitter e Facebook.
Quer receber notícias no seu whatsapp?
EU QUERO