Feminicídio em SC: ‘Mesmo com toda estrutura, estamos falhando’, diz deputada Paulinha
SCC SBT realizou um debate nesta terça (24), para discutir a escalada da violência contra a mulher em SC
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Durante o debate no SCC Meio-Dia, nesta terça-feira (24), para discutir a escalada da violência contra a mulher em Santa Catarina, a representante da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), a deputada estadual Paulinha foi direto ao ponto e afirmou que “as nossas ações não estão tendo resultado”.
“Tá mais do que na hora da gente transformar indignação em ação. Mesmo com toda a estrutura que a Secretaria de Segurança Pública prepara, nós estamos falhando”, comentou. “Algumas mulheres nos escapam pelas mãos e a gente tem muitas falhas nesse processo, nesse sistema. Desde o momento que ela chega na Delegacia da Polícia Civil e pede a proteção”, concluiu.
A deputada afirmou também que é necessário revisitar o orçamento da política pública de proteção à mulher, pois é necessário mais recurso.
Além disso, apontou que: “a sociedade tem que entender que o problema da violência contra a mulher não é um problema de segurança pública. É um problema da sociedade”.
Confira o comentário completo da deputada Paulinha:
As primeiras semanas de 2026 acendem um alerta em Santa Catarina. Ao menos oito mulheres foram vítimas de feminicídio no estado até o dia 20 de fevereiro. O estado está em terceiro lugar no ranking nacional, ficando atrás de São Paulo (em primeiro) e Rio Grande do Sul (em segundo).
SCC SBT debate aumento do feminicídio em Santa Catarina
O jornalismo do SCC SBT realizou um debate nesta terça-feira (24), durante o SCC Meio-Dia, para discutir a escalada da violência contra a mulher em Santa Catarina.
O debate contou com a representante da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), Deputada Ana Paula da Silva; Polícia Militar (PM), 1º Tenente Karla Beatriz Lima de Pontes Medeiros; e Rede Catarina de Proteção à Mulher e da Secretaria de Estado da Segurança Pública, o secretário-adjunto da Segurança Pública, coronel Sinval Santos da Silveira.
Além disso, o debate teve foco em ações práticas, prevenção, fortalecimento da rede de proteção e responsabilização dos agressores.
Assista ao debate completo:
Casos de feminicídio em SC no início de 2026
O primeiro feminicídio do ano ocorreu nas primeiras horas de 1º de janeiro, em São João Batista, na Grande Florianópolis. Stephanny Cassiana foi encontrada morta com mais de 10 golpes de faca na casa de uma amiga. O suspeito é o companheiro da amiga.
No dia 2, Marivane Fátima Sampaio, de 25 anos, foi encontrada gravemente ferida dentro de casa, em Chapecó. Ela morreu quatro dias depois. O principal suspeito é o ex-companheiro, que não aceitava o fim do relacionamento e morreu no mesmo dia do crime.
Em 9 de janeiro, União do Oeste registrou dois casos. Juvilete Kviatkoski foi encontrada morta em casa, e a filha dela, de 15 anos, também foi esfaqueada e não resistiu. O suspeito é o marido e pai das vítimas. No mesmo município, também foi registrado o assassinato de Mariana Vitória Cuochinski.
No dia 16 de janeiro, o corpo de Isabela Miranda Borck, de 17 anos, foi localizado após cerca de 45 dias desaparecida. O pai é apontado como principal suspeito. Ele já estava preso desde dezembro e havia sido condenado pelo estupro da filha dias antes do desaparecimento. O caso é tratado como feminicídio.
No dia 17, Daiane Simão, de 35 anos, foi morta em frente à base da Polícia Militar, em Balneário Piçarras. Ela tinha medida protetiva contra o ex-companheiro e buscava ajuda quando foi assassinada. O suspeito havia deixado a prisão quatro dias antes e morreu no mesmo dia.
Em 25 de janeiro, Ana Dayse Gomes Provensi, de 36 anos, foi encontrada morta em uma residência em Maravilha. O companheiro se apresentou à polícia e confessou o crime após uma discussão.
Já em 9 de fevereiro, Ana Paula Farias, de 42 anos, foi encontrada morta com sinais de asfixia dentro da própria casa, em Balneário Camboriú.
No dia 16 de fevereiro, Pricila Dolla, de 37 anos, foi morta a tiros pelo ex-companheiro em Rio Negrinho. Segundo a Polícia Militar, ele não aceitava o término do relacionamento. Após o crime, tentou tirar a própria vida e sobreviveu.
Onde buscar ajuda
Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelo telefone 180, de forma gratuita e sigilosa. Em situações de emergência, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo 190.
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