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USO MEDICINAL

Estudo em SC comprova cannabis contra enxaqueca

Pesquisa da Unisul aponta eficácia e segurança de óleo rico em CBD; medicamento catarinense teve qualidade atestada

• Atualizado

Sofia Gonzalez

Por Sofia Gonzalez

Foto: Santa cannabis/ divulgação
Foto: Santa cannabis/ divulgação

Pesquisadores de Santa Catarina comprovaram a eficácia e a segurança do uso de óleo rico em canabidiol (CBD) no tratamento da enxaqueca. O estudo foi desenvolvido pelo Laboratório de Neurociência Comportamental (LabNeC), da Universidade do Sul de Santa Catarina, e publicado na revista científica internacional Scilight.

A pesquisa aponta melhora significativa na qualidade do sono, na percepção de bem-estar e na redução da incapacidade causada pela condição neurológica. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a enxaqueca afeta mais de 1 bilhão de pessoas em todo o mundo.

No Brasil, cerca de 34 milhões de pessoas convivem com a doença, conforme dados da Associação Nacional de Medicina do Trabalho (ANAM). De acordo com a Global Burden of Disease Study, a enxaqueca é a principal causa de incapacidade entre mulheres de 15 a 49 anos.

Menos efeitos colaterais

De acordo com o médico e doutorando Linério Novais, um dos autores do estudo, os tratamentos convencionais podem provocar efeitos adversos como alterações cognitivas, perda de memória, sonolência, ganho de peso e problemas gastrointestinais.

Já o óleo rico em CBD apresentou efeitos colaterais considerados leves e transitórios, como sonolência, cansaço, boca seca e aumento do apetite, principalmente no início do uso, sem comprometer a funcionalidade do paciente.

O professor e neurocientista Rafael Bittencourt, coordenador do LabNeC, destaca que a ampliação do acesso à cannabis medicinal pode ter impactos positivos inclusive na economia da saúde, ao reduzir afastamentos do trabalho e a sobrecarga no sistema público.

Apesar dos resultados promissores, os pesquisadores reforçam que ainda são necessários ensaios clínicos randomizados, duplo-cegos e com acompanhamento de longo prazo para consolidar a validação científica da terapia.

Óleo produzido em Santa Catarina

O estudo utilizou dois tipos de óleo: um industrializado e outro produzido pela Santa Cannabis, associação de pacientes que fabrica o medicamento 100% em Santa Catarina.

Segundo os pesquisadores, não foram observadas diferenças significativas entre os produtos, o que atesta a qualidade farmacêutica do óleo catarinense quando produzido com controle técnico e acompanhamento médico.

A Santa Cannabis atende há sete anos mais de 8 mil pacientes em todo o país e, desde 2023, possui autorização da Justiça Federal para cultivo e produção destinados aos associados.

Regulamentação no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária regulamentou neste mês novas regras para cultivo e pesquisa de cannabis medicinal no Brasil, com validade a partir de 4 de agosto. A deliberação foi determinada pelo Superior Tribunal de Justiça, que reconheceu a legalidade da produção para fins exclusivamente medicinais e farmacêuticos vinculados ao direito à saúde.

Para os pesquisadores, a regulamentação pode representar avanço relevante na saúde pública, desde que acompanhada de critérios claros, protocolos clínicos e monitoramento rigoroso.

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