Não é só pelo futebol: entenda por que a eliminação do Brasil dói tanto
Durante o torneio, as pessoas costumam estar mais próximas por conta do futebol
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Com o fim da campanha da Seleção Brasileira na Copa do Mundo 2026, após a derrota por 2 a 1 para a Noruega, no último domingo (5), muitos torcedores ficaram frustrados e encerraram os futuros encontros para assistir aos jogos, conversar e estar com os amigos.
Esse envolvimento, no entanto, tende a surgir muito antes do início do jogo, já que cada fase da competição cresce a expectativa pela próxima partida, surgem combinações para assistir os confrontos e o futebol passa a ocupar espaço nas conversas do dia a dia. A espera contribui para a sensação de bem-estar, explica a especialista em Ciência da Felicidade pela Universidade de Berkeley, na Califórnia (EUA), Chrystina Barros.
“A gente costuma achar que está triste por causa do futebol, mas, na verdade, é muito mais do que isso. Durante a Copa, as pessoas compartilham uma expectativa. Elas conversam sobre o assunto, assistem aos jogos juntas, fazem planos, mudam a rotina. Existe um sentimento muito forte de fazer parte de alguma coisa. Quando o Brasil é eliminado, não acaba só um campeonato. Acaba também uma expectativa coletiva que foi construída durante semanas”, afirma a especialista.
Por que a eliminação do Brasil dói tanto?
Durante o torneio, as pessoas costumam estar mais próximas por conta do futebol. Os grupos de amigos se reúnem para comentar as escalações, assistir juntos aos jogos, conversar sobre futuros adversários e muitos outros momentos que fortalecem a convivência.
“Na minha visão, o pertencimento pesa até mais do que o futebol. A Copa cria uma sensação de conexão que está cada vez mais rara nos dias de hoje, tão digital. Pessoas que normalmente nem conversam sobre esporte passam a conversar. Colegas se encontram para assistir aos jogos. Famílias se reúnem. O país inteiro parece estar vivendo uma mesma história. É se encontrar para assistir junto, comemorar. O futebol acaba sendo o ponto de encontro, mas o que realmente mexe com a gente é essa experiência coletiva”, explica Chrystina.
O sentimento de vazio após a eliminação normalmente é associado a essa mudança brusca na rotina. “É esperar pelo próximo jogo, comentar a escalação, combinar onde assistir, imaginar o que pode acontecer. Quando isso acaba de uma hora para outra, é natural que algumas pessoas sintam um vazio. É parecido com o fim de uma viagem muito esperada, de um grande projeto ou até das férias. Não é só o evento que termina. É uma rotina que dava significado para aqueles dias”, disse.
Ganhar e perder
A decepção com a eliminação é parte da experiência de torcer. A especialista lembra que perder é uma possibilidade em qualquer competição e que um resultado esportivo não precisa definir a forma como cada pessoa se sente.
“Ganhar é maravilhoso, mas perder também faz parte de quem escolhe competir. A felicidade funciona muito assim. Ela não depende de vencer sempre. Ela depende muito mais da forma como a gente vive a caminhada”, finaliza.
Com informações do SBT News
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