Enamed 2025 reprova mais de 100 cursos de medicina e MEC anuncia punições
30% dos cursos de medicina foram reprovados pelo MEC
• Atualizado
Mais de 100 cursos de medicina do Brasil foram reprovados no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025, o que representa cerca de 30% do total de cursos avaliados. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (19) pelo Ministério da Educação (MEC), durante um café com a imprensa em Brasília, com a presença do ministro da Educação, Camilo Santana, e do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Ao todo, 351 cursos de medicina participaram do exame, vinculados ao Sistema Federal de Ensino, que engloba instituições públicas federais, instituições privadas e também universidades estaduais, distritais e municipais, supervisionadas por órgãos estaduais de Educação.
Mais de 100 cursos reprovados
Entre os cursos avaliados, 107 ficaram abaixo das faixas consideradas satisfatórias. Desse total, 24 receberam conceito 1 e 83 ficaram com conceito 2, as duas notas mais baixas do exame. Apenas um curso ficou sem conceito, por ter menos de 10 estudantes avaliados.
Dos 107 cursos reprovados, 99 sofrerão penalidades, já que as instituições estaduais e municipais não estão sob a gestão direta do MEC.
Sanções começam em 2026
As punições variam conforme a nota obtida no Enamed. Cursos que receberam conceito 2 não poderão ampliar o número de vagas e terão suspensa a possibilidade de firmar novos contratos pelos programas Fies e Prouni.
Já as instituições que tiraram conceito 1 enfrentarão sanções mais severas, como a redução do número de vagas a partir do primeiro semestre de 2026, podendo chegar, em casos extremos, ao cancelamento do vestibular. A nota máxima do Enamed é 5.
O exame foi aplicado pela primeira vez em 19 de outubro de 2025, direcionado a estudantes de medicina em fase final de formação. Os efeitos das novas regras passam a valer oficialmente a partir de 2026.
Impacto direto em 99 cursos
Segundo o MEC, entre os 99 cursos penalizados, oito estão impedidos de receber novas matrículas, 13 terão de reduzir pela metade o número de vagas, 33 precisarão reduzir em 25% as vagas oferecidas e 45 não poderão ampliar o número de vagas.
Todos esses cursos estão suspensos do Fies e de outros programas federais de financiamento e incentivo.
Universidades federais se destacam com desempenho positivo
Os dados mostram um desempenho mais positivo entre as universidades públicas federais, que tiveram 87,6% das notas nas faixas 4 e 5. As universidades estaduais também apresentaram bom resultado, com 84,7% nas faixas mais altas.
Por outro lado, as instituições públicas municipais concentraram 87,5% das notas nas faixas 1 e 2, consideradas insatisfatórias. O desempenho fraco também foi observado em instituições privadas com fins lucrativos, com 58,4% nas faixas inferiores, e nas chamadas instituições especiais, que somaram 54,6% de conceitos baixos.
Reação do setor privado
Em nota, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (Abmes) criticou a condução do exame pelo MEC e pelo Inep. A entidade afirmou haver “profunda preocupação” com a adoção imediata de punições já na primeira edição do Enamed.
“Grave é atribuir ao Enamed, já na sua edição inaugural, efeitos punitivos severos, como restrição de vagas e impedimento de novos ingressos, sem qualquer período de transição ou diálogo estruturado com o setor educacional”, diz o comunicado.
A Abmes defende que os resultados do Enamed 2025 sejam tratados como um diagnóstico inicial, servindo de base para o aprimoramento das próximas edições, e pede que o MEC reavalie a postura adotada.
O governo federal, por sua vez, sustenta que o exame é fundamental para elevar a qualidade da formação médica no país e garantir melhores serviços de saúde à população.
*Com informações do Portal Metrópoles
Leia Mais
Quer receber notícias no seu whatsapp?
EU QUERO