‘Onheama’: FEMUSC apresenta ópera brasileira em Jaraguá do Sul
Com mais de 80 artistas em cena, a montagem conta uma história que atravessa aventura, magia e coragem
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Onheama, obra inspirada na mitologia amazônica, sobe ao palco do grande Teatro SCAR, em Jaraguá do Sul, nos dias 23 (às 20h30) e 24 de janeiro (às 14h), em uma das apresentações mais aguardadas do festival.
Com mais de 80 artistas em cena, a montagem reúne orquestra, coro, solistas e elenco infantojuvenil para contar uma história que atravessa aventura, magia e coragem, dialogando com temas como ancestralidade, pertencimento e protagonismo feminino. A direção é do amazonense, Matheus Sabbá, que revisita a obra 12 anos após a estreia, ocorrida no Festival Amazonas de Ópera.
O autor da ópera, João Guilherme Ripper, celebra o encontro da obra com o Festival de Música de Santa Catarina (FEMUSC) e com a nova geração de intérpretes. “Cheguei ontem e tive uma grata surpresa. Assisti aos talentosíssimos cantores solistas que integram o festival. O que vemos aqui é um reflexo muito claro de uma nova geração de cantores surgindo no Brasil”, afirma. Para Ripper, esse movimento é resultado direto da formação: “Isso é fruto do trabalho de bons mestres, algo que sempre precisamos valorizar: a educação musical”.

Ripper destaca ainda a afinidade da equipe artística com a obra. “O maestro André Santos e o diretor cênico Matheus Sabbá conhecem profundamente a ópera. Eu sabia que a obra estava em excelentes mãos. A concepção visual está muito bonita e a parte musical está caminhando muito bem”, comenta, após acompanhar a primeira passagem com a orquestra.
Criada a partir de uma encomenda do Festival Amazonas de Ópera, Onheama nasceu para dialogar com o público jovem e com a Amazônia. Inspirada no mito do eclipse, a narrativa acompanha a trajetória de Iporangaba, uma jovem guerreira que enfrenta a “onça celeste” para salvar o sol.
“A figura de Iporangaba vencendo a onça pode representar o desmatamento, a exploração desmedida e a violência contra a Amazônia. Essas leituras se fortalecem conforme o contexto histórico em que a obra é apresentada”, explica o compositor.
Para Ripper, a presença da ópera no FEMUSC tem um significado especial. “Ela nunca foi apresentada no Rio de Janeiro, por exemplo, e agora chega a um dos grandes centros de formação musical do país. É especialmente importante porque crianças e jovens têm a experiência de trabalhar com a obra de um compositor vivo”.
À frente da encenação, Matheus Sabbá antecipa a intensidade da experiência ao público. “A gente fala de aventura, coragem e magia. A trajetória da Iporangaba ilustra todos esses sentimentos. É um mix de emoções que a ópera já tem, mas que se intensifica por ser uma obra brasileira, tudo é mais próximo da gente”.
O diretor ressalta ainda o caráter coletivo do projeto: “Conseguir reunir tanta gente boa em tão pouco tempo é algo que me surpreendeu. E o coração da ópera são as crianças, que dão um brilho especial a essa montagem”.
Além da força artística, a produção também traz um olhar atento à sustentabilidade. O figurino da montagem utiliza quase uma tonelada de material de rejeito da indústria têxtil local, ressignificado em cena e integrado à estética da obra, reforçando o diálogo entre a criação contemporânea, o território e a consciência ambiental.


Para o maestro André Santos, regente da montagem, Onheama amplia o diálogo da ópera com o público ao tratar de temas brasileiros em sua própria língua.
“O público pode esperar um espetáculo impactante. É uma ópera brasileira cantada em português, o que cria uma conexão imediata com quem assiste. A obra dialoga com a cultura do Norte e do Amazonas, dentro da linguagem da música ocidental, mas com influências de ritmos brasileiros”, destaca.
Segundo ele, o caráter coletivo da montagem potencializa a experiência: “É um espetáculo visualmente forte, com coro, orquestra, dança e muitas crianças em cena. Dá muito orgulho apresentar uma ópera de um compositor brasileiro, presente no festival e acompanhando de perto. Além disso, a ópera movimenta uma grande cadeia de profissionais e demonstra que a cultura também é um fator relevante para a economia e para a formação artística”.
Com Onheama, o FEMUSC oferece ao público um encontro raro entre a criação brasileira, a formação musical e a experiência de palco em grande escala. Para João Ripper, estar no festival tem um valor que vai além da apresentação em si.
“Aqui, dentro do Femusc, vemos uma verdadeira bolha de convivência, de troca e de respeito entre diferentes culturas e nacionalidades. É um espaço onde as pessoas dialogam pela palavra, mas, principalmente, pela arte. A música, assim como o esporte, é um dos caminhos mais potentes para que a humanidade se compreenda”, finaliza.
A retirada de ingressos (2 por pessoa) pode ser feita na bilheteria da SCAR, das 8 às 20h, ou pelo site femusc.com.br.
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