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GRANDE ESCRITOR

30 anos sem Caio Fernando Abreu: por que ele segue atual?

Caio morreu em 25 de fevereiro de 1996, em Porto Alegre, vítima de complicações decorrentes da Aids

• Atualizado

Pedro Corrêa

Por Pedro Corrêa

30 anos sem Caio Fernando Abreu: por que ele segue atual? | Foto: divulgação
30 anos sem Caio Fernando Abreu: por que ele segue atual? | Foto: divulgação

Nesta quarta-feira (25), completam-se 30 anos da morte de Caio Fernando Abreu, um dos maiores nomes da literatura brasileira contemporânea. Dono de uma escrita intensa, urbana e profundamente sensível, o autor construiu uma obra que atravessa gerações e permanece atual ao abordar temas como amor, solidão, medo, liberdade e as angústias da vida moderna.

Caio morreu em 25 de fevereiro de 1996, em Porto Alegre, vítima de complicações decorrentes da Aids. A partida precoce, aos 48 anos, marcou o cenário cultural brasileiro.

Quem foi Caio Fernando Abreu

Caio Fernando Abreu nasceu em 12 de setembro de 1948, em Santiago, no Rio Grande do Sul. Jornalista, dramaturgo e escritor, destacou-se principalmente como contista, embora também tenha produzido romances, crônicas, peças teatrais e literatura infantojuvenil.

Segundo a biografia de Carlos Fernando Abreu, durante a ditadura militar, o jornalista enfrentou perseguições políticas e chegou a se exilar na Europa. Viveu em cidades como Londres e Estocolmo, experiências que influenciaram fortemente sua visão de mundo e sua produção literária.

“Morangos Mofados” e o retrato de uma geração

Entre suas obras mais conhecidas está “Morangos Mofados”, publicado em 1982. O livro se tornou um marco da literatura nacional ao capturar o espírito de uma juventude urbana atravessada por desejos, frustrações, censura, repressão e descobertas afetivas.

A coletânea de contos apresenta personagens intensos, muitas vezes à margem, vivendo conflitos existenciais e emocionais em meio a um Brasil ainda sob os efeitos da ditadura. A linguagem fragmentada, sensorial e confessional transformou a obra em leitura obrigatória para diferentes gerações.

“Morangos Mofados” consolidou Caio Fernando Abreu como uma das vozes mais originais da literatura brasileira do século XX.

Principais obras de Caio Fernando Abreu

Além de “Morangos Mofados”, o escritor deixou um vasto legado literário. Entre seus livros mais importantes estão O Ovo Apunhalado (1975), Pedras de Calcutá (1977), Triângulo das Águas (1983), Os Dragões Não Conhecem o Paraíso (1988) e Onde Andará Dulce Veiga? (1990)

A produção do escritor também inclui cartas, crônicas e textos autobiográficos que revelam uma escrita íntima e ao mesmo tempo universal. Com personagens costumam viver em grandes cidades, enfrentando crises existenciais, amores interrompidos, solidão e o medo da rejeição. A sexualidade e a identidade aparecem de forma direta e sensível, tornando o autor uma referência importante na literatura LGBTQIA+ brasileira.

Caio escrevia com intensidade quase visceral, explorando sentimentos profundos e expondo fragilidades humanas com delicadeza e brutal honestidade.

Três décadas após a morte, Caio Fernando Abreu continua sendo lido, estudado e citado em provas de vestibulares e ENEM. A escrita dialoga com temas que permanecem urgentes: saúde mental, preconceito, liberdade afetiva, marginalidade e busca por pertencimento.

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